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segunda-feira, janeiro 11th, 2010 | Author: admin

Há alguns anos, pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública se debruçam sobre o tema relacionando o aumento da temperatura média ao surgimento e ao aumento de casos de doenças, como leptospirose e dengue, e problemas de insegurança alimentar, resultantes de eventos meteorológicos extremos.
A preocupação da Escola com o tema também se reflete na consolidação do programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente, na realização de centros de estudos e sessões científicas há vários anos.
O pesquisador Ulisses Confalonieri, do Programa de Mudanças Ambientais Globais e Saúde da Ensp, que integra o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), fala das pesquisas que estão sendo realizadas

Quais as consequências para a saúde que podemos esperar em relação às mudanças climáticas que estão em curso e o que podemos fazer?

Ulisses Confalonieri: As mudanças climáticas afetarão a saúde de várias formas: diretamente, com efeitos físicos de eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, inundações; e indiretamente, com aumento da insegurança alimentar, efeitos nas populações de vetores de doenças, entre outros. O que pode ser feito de imediato é o desenho de prioridades, em termos de políticas sociais e de proteção e promoção da saúde, que reduzam as vulnerabilidades socioambientais e de saúde. Uma população afetada por problemas de saúde sensíveis ao clima é uma população vulnerável. Os números do IPCC não têm caráter alarmista, apenas indicam a gravidade das alterações ambientais esperadas para as próximas décadas, com consequências para a economia e a saúde pública mundial. No campo da saúde, por exemplo, os estudos indicam que doenças hoje frequentes nas regiões tropicais do planeta como a dengue podem se espalhar para outras áreas do globo, elevando de 2,5 bilhões para 3,5 bilhões o número de pessoas vivendo em zonas com risco de contrair a enfermidade. Os casos de dengue devem aumentar em países que já convivem com a doença, sendo esse o caso do Brasil. Uma elevação na temperatura média do planeta até o final do século, como previsto nos cenários mais pessimistas do IPCC, pode reduzir a disponibilidade de alimentos e levar mais de 530 milhões de pessoas a passar fome. Calcula-se também que 3,2 bilhões de indivíduos venham a enfrentar escassez de água, enquanto 20% da população mundial passará a viver em zonas sujeitas a enchentes.

Em relação ao estudo Economia das Mudanças Climáticas no Brasil, que servirá de base para o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, quais os pontos que você poderia destacar?

Ulisses Confalonieri: Destaco o caráter pioneiro do estudo pelo seu tema e por sua abrangência. Ao que me consta, nenhum país em desenvolvimento fez um estudo desse tipo, de caráter multidisciplinar. Esse estudo servirá como base sólida para estudos posteriores, visando atualizações. O estudo foi capaz de mostrar os impactos negativos futuros da mudança do clima na economia e na sociedade brasileira.

Em relação ao subprojeto de vulnerabilidade da região Nordeste, você poderia pontuar alguns comentários?

Ulisses Confalonieri: Reunimos indicadores regionalmente importantes de saúde (doenças infecciosas e parasitárias, desnutrição, diarreias, entre outras), de meio ambiente (desertificação), econômico-demográficos e climáticos. O referencial conceitual baseou-se na premissa de que o ressecamento (piora na condição de semiaridez) projetado pelos cenários de clima para a região provocará grandes migrações, com impactos epidemiológicos (redistribuição espacial de doenças endêmicas) e na procura pelos serviços de saúde. As projeções climáticas apontam o semiárido como uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas no Brasil. Diminuição da frequência de chuvas, solos mais pobres, vegetação com menor diversidade biológica estão entre as previsões para a região. Alguns lugares podem se tornar inabitáveis.

Uma área especialmente vulnerável é a da saúde. Qual é o cenário previsto para o Brasil?

Ulisses Confalonieri: No caso brasileiro, espera-se uma redução na diferença entre as temperaturas do inverno e as do verão. Invernos mais quentes favoreceriam a reprodução de insetos transmissores de doenças, como a malária e a leishmaniose, que podem se tornar mais frequentes. Também se prevê o aumento de enfermidades transmitidas pela água, como a diarreia e a leptospirose. Em uma região economicamente frágil como o semiárido nordestino, por exemplo, a redução da produção agrícola e a falta de trabalho podem desencadear importantes ondas migratórias. Esse rearranjo populacional demandará empenho e rapidez das autoridades municipais, estaduais e federais para tomar medidas de adaptação, como a construção de cisternas para amenizar a falta d?água e o desenvolvimento de culturas mais resistentes à seca para enfrentar as mudanças climáticas. No cenário mais drástico, as mudanças climáticas podem provocar uma redução média de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste até 2050. Essa perda associada às alterações no clima equivale a 2 anos de crescimento da economia da região no período 2000-2005. O impacto das mudanças climáticas sobre a vida das pessoas deve aumentar os gastos municipais e estaduais com saúde e assistência social. A necessidade de investimento nessas áreas pode ainda ser ampliada por outro fator: o envelhecimento da população, consequência da queda na fecundidade e do aumento da longevidade. Na América Latina, o aumento da temperatura pode provocar, na Amazônia, um fenômeno chamado savanização: a transformação de parte da floresta, hoje formada por uma vegetação densa, rica e altiva, em uma vegetação mais aberta, baixa e rala, que lembra um cerrado empobrecido.

Atualmente, você está trabalhando com indicadores de vulnerabilidade para o Estado do Rio de Janeiro, os quais incluem questões da saúde. Você poderia destacar as questões mais relevantes?

Ulisses Confalonieri: É um aperfeiçoamento do projeto anterior (nordeste brasileiro) em termos de metodologia, pois incorporamos novas variáveis e estamos trabalhando com indicadores para cada município do estado. Será uma avaliação integrada da vulnerabilidade, levando em conta cenários de clima, histórico de eventos extremos, dados socioeconômicos e de saúde e indicadores ambientais (ex-riqueza biológica).

Em relação ao IPCC, de que maneira os países em desenvolvimento poderão participar mais das discussões capitaneadas pelo grupo? Já existe alguma indicação?

Ulisses Confalonieri: Já houve uma iniciativa recente que reuniu, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pesquisadores de vários países em desenvolvimento, visando discutir a participação mais intensa dos mesmos no grupo II do IPCC (Impactos, Adaptação, Vulnerabilidade). A agenda de mudanças climáticas dos países em desenvolvimento é diferente daquelas dos países desenvolvidos por conta de sua maior vulnerabilidade e menor capacidade adaptativa. Há também diferenças relativas às capacidades dos sistemas nacionais de ciência e tecnologia.

Sobre o TDR, segundo você mesmo falou, um grupo de especialistas está discutindo as mudanças climáticas e a transmissão de doenças por vetores. Você poderia falar um pouco mais sobre isso?

Ulisses Confalonieri: A mudança climática é uma realidade atual e será mais impactante ainda no futuro. Então, o TDR, que é um programa tradicional da Organização Mundial da Saúde, precisou fazer uma atualização da sua agenda de trabalho, pois as mudanças do clima afetam as doenças transmitidas por vetores. O programa TDR precisa se ajustar a isso, ou seja, há uma nova realidade ambiental que transformará sistemas biológicos e sociais e, portanto, as condições de saúde. Um relatório dessa reunião, realizada no início de dezembro, será divulgado em breve.

Agência Fiocruz

domingo, dezembro 27th, 2009 | Author: admin

As mudanças climáticas são um fenômeno global, mas seus impactos sobre a saúde humana deverão ser muito maiores nas regiões mais pobres do mundo, de acordo com a norte-americana Kristie Ebi, diretora executiva do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Para a cientista, responsável pelo capítulo sobre saúde humana do quarto relatório do IPCC, o aquecimento global deverá expandir as áreas de alcance dos problemas que causam a maior parte das mortes infantis no mundo: desnutrição, malária e diarreia. Os impactos da mudança climática sobre a saúde estariam fortemente vinculados à pobreza, aponta.
Da mesma maneira que faltam recursos para pesquisas sobre as chamadas doenças negligenciadas – que serão especialmente exacerbadas pela mudança do clima –, segundo ela faltam também recursos para a pesquisa sobre o impacto do aquecimento global sobre a saúde.
Epidemiologista por formação, Kris, como é mais conhecida, já publicou mais de 80 artigos científicos, ao longo de 25 anos de experiência multidisciplinar em questões ambientais. Nos últimos 12 anos vem coordenando estudos sobre os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana.
A cientista – que hoje vive em Alexandria, nas proximidades de Washington, nos Estados Unidos, onde é consultora independente sobre mudanças climáticas  – participou, em novembro, do encontro internacional “Impacto, adaptação e vulnerabilidades nas mudanças climáticas globais”, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Kris também é autora do livro Integração entre Saúde Pública e adaptação à mudança climática: lições aprendidas e novas direções e é uma das coordenadoras da publicação Métodos de avaliação da vulnerabilidade da saúde humana e adaptação da saúde pública à mudança climática, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Agência Fapesp, Fábio de Castro

Quais são as particularidades dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde nos países em desenvolvimento?
Kris Ebi – Os países em desenvolvimento são a principal preocupação em relação à mudança climática e saúde. A maior parte dos impactos que temos previsto será causado pela desnutrição, pela malária e por doenças diarreicas – problemas concentrados nesses países. Hoje, esses três fatores estão entre as principais causas de mortalidade infantil no mundo. Cerca de 85% dos impactos das mudanças climáticas atingem crianças de até cinco anos. Nessas regiões, a capacidade para lidar com esses problemas já é muito limitada. Os estudos sugerem que essas doenças serão uma questão a mais para enfrentar. A má nutrição, especialmente, é um problema crucial para esses países. E as mudanças climáticas, com certeza, poderão exacerbá-lo.

Então os problemas são os mesmos que já existem e o principal impacto é que a situação ainda vai piorar?
Kris Ebi – Pode piorar a ponto de fugir completamente do controle. Muitos modelos climáticos sugerem que haverá uma mudança na duração das estações – como a primavera chegando mais cedo, por exemplo – causando impacto na temperatura. Mais gente será atingida por esses problemas, já graves e certamente ficará mais difícil lidar com eles. Em geral, conforme diminui a latitude, aumenta o número de mortes infantis. Todo ano temos cerca de 2 milhões de crianças mortas por diarreia e 1 milhão por malária. Os estudos também indicam possibilidade de agravamento de casos de cólera, meningite meningocócica, dengue hemorrágica, doença de Chagas, febre amarela, encenfalite, leishmaniose e vírus do Nilo ocidental.

As áreas em que essas doenças têm maior impacto vão se expandir?
Kris Ebi – As áreas onde vemos esses problemas poderão se expandir, aumentando o alcance regional de doenças como a malária. Assim como poderão se expandir as áreas nas quais estão os vetores (os mosquitos). Já há evidências desses impactos: além da distribuição alterada de vetores, temos uma distribuição sazonal alterada de algumas espécies polinizadoras e um risco maior de mortes por ondas de calor.

Como esse aumento do alcance regional mudará o cenário para a malária?
Kris Ebi – A principal preocupação em relação à malária é a África, onde ocorre a maior parte dos casos. Com temperaturas mais altas e com mudanças nos padrões de precipitação, o mosquito anófeles, que é o vetor que transmite a doença, poderá começar a aparecer em terras mais altas, por exemplo, em que há grandes concentrações de população. Com isso, mais gente vai ficar exposta à doença.

Vários dos impactos sobre a saúde que a senhora mencionou correspondem à exacerbação de doenças negligenciadas. Há uma correlação entre esses impactos e a baixa renda?
Kris Ebi – Sim, o problema do impacto na saúde coincide basicamente com o problema da pobreza. A desnutrição está ligada a cerca de 50% dos 10,5 milhões de crianças mortas todos os anos. A mudança climática vai exacerbar esse problema, já que a elevação da temperatura deverá interferir na disponibilidade de recursos naturais como corpos d’água, condições do solo e umidade. Hoje, em todo o mundo, 12% da mortalidade infantil se deve às doenças diarreicas, que matam cerca de 5 mil crianças todos os dias. Em vários países de baixa renda, até 26% da mortalidade infantil se deve à diarreia. Sabemos que 88% da diarreia infantil é atribuída à água contaminada, condições sanitárias inadequadas e higiene precária. Com acesso ainda mais restrito à água, é evidente que isso irá se agravar.

Esses problemas também trarão reflexos econômicos para essas regiões já empobrecidas?
Kris Ebi – Avaliamos que em um cenário de 750 partes por milhão de dióxido de carbono na atmosfera em 2030 – um cenário péssimo –, o custo para tratar as doenças relacionadas ao impacto das mudanças climáticas na saúde aumentaria justamente com o crescimento dos problemas. Nesse cenário a diarreia cresceria 3%, a desnutrição 10% e a malária 5%.

Até que ponto é possível prever a magnitude desses impactos, para saber, por exemplo, quantas pessoas a mais serão atingidas? Parece haver infinitas variáveis. Como fazer previsões precisas?
Kris Ebi – Trabalhamos com um sistema composto por modelos muito complexos e existe gente trabalhando intensamente, em várias áreas, para desenvolver novos modelos que nos permitam entender melhor esses impactos sobre a saúde. O que estamos fazendo agora é fundamentalmente tratar de manter a pesquisa constante.

Há prognósticos sobre adaptação às mudanças climáticas em relação aos impactos na saúde?
Kris Ebi – A adaptação à mudança climática não é exatamente um problema a ser resolvido, mas um processo a ser gerenciado. A resposta a esses impactos envolve um processo interativo de gestão do risco que inclui tanto a mitigação como a adaptação. No caso da saúde, a adaptação inclui a redução da exposição ao risco – com políticas legislativas e alteração nas construções ou no ambiente natural. Inclui também a prevenção de fatores adversos, com sistemas de alerta preventivo, monitoramento e vigilância, programas de controle de vetores e educação pública e divulgação.

Em sua opinião, o IPCC e a comunidade científica em geral estão dando a importância necessária aos impactos sobre a saúde no mundo em desenvolvimento?
Kris Ebi – Sim, os impactos sobre a saúde são de fato uma verdadeira preocupação. Em 2008, a Organização Mundial da Saúde quis concentrar seus esforços em uma questão em particular e escolheu como foco os efeitos adversos das mudanças climáticas sobre a saúde. A partir daí, foi estabelecida uma agenda de pesquisas que estimulou os estudos na área. O IPCC, sem dúvida, trata a questão com toda a atenção. O grande problema é que, de modo geral, essa ainda não é uma área considerada como prioritária para os investimentos em pesquisa. Isso está mudando, o que é uma notícia muito boa. Mas ainda não temos fundos suficientes e o número de gente trabalhando nisso ainda não é compatível com a magnitude do problema.

E quanto à pesquisa que está sendo feita? Já há uma massa crítica de estudos ou estamos em fase muito inicial?
Kris Ebi – A principal preocupação em relação às mudanças climáticas e saúde, como eu já disse, corresponde às regiões do mundo onde se concentra a população de baixa renda. A pesquisa tem sido conduzida por cientistas de países desenvolvidos e, nos últimos anos, tem havido um aumento também dos estudos feitos por pesquisadores dos países em desenvolvimento. Mas esses estudos ainda não são efetivos porque há muito a fazer. Precisamos de mais gente. A pesquisa sendo feita hoje é, sem dúvida, muito boa em termos de qualidade. Mas precisa ser expandida.

Quais são os principais desafios nessa área de pesquisa?
Kris Ebi – Um deles já foi mencionado: a escassez de recursos. A falta de financiamento deixa as coisas difíceis, porque os pesquisadores precisam de investimento em seus estudos de pós-graduação. Precisamos também de dinheiro para montar estruturas computacionais capazes de fazer os modelos funcionarem melhor. Fundamentalmente, temos que atrair jovens dispostos a focar seus estudos e sua vida nessa área. Isso é um desafio considerável. Precisamos mudar o cenário atual, para que as pesquisas sejam levadas de fato às fronteiras do conhecimento. Temos que entender os impactos do clima na saúde em pouco tempo. Isso é crucial, não temos muito tempo para tentar reduzir esses impactos.

sábado, dezembro 12th, 2009 | Author: admin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas - Lei 12.014/09.  A sanção está publicada no Diário Oficial da União de 10/12/2009 e ocorre no momento em que representantes de diversos países discutem as transformações no clima na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), em Copenhague, Dinamarca.
O fundo busca assegurar recursos para projetos e ações que contribuam para a mitigação da mudança do clima e à adaptação a seus efeitos. O texto da lei determina que o fundo ficará vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e será administrado por um comitê formado por representantes do governo federal e da sociedade civil.
Os recursos do Fundo Nacional sobre Mudanças do Clima, sob a forma de empréstimo ou apoio não reembolsável, poderão ser aplicados na análise de impactos, projetos de redução de gases de efeito estufa e na formulação de políticas públicas, entre outros.
De acordo com informações do Ministério do Meio Ambiente, dos 10% destinados ao ministério pela Lei nº 9.478, que regula a cadeia produtiva do petróleo, 6% irão para o novo fundo.
Ele será formado ainda por recursos de fontes como o orçamento da União, doações e empréstimos de entidades nacionais e internacionais, públicas e privadas. O agente financeiro será o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Serviço ambiental

O Brasil pode ser um dos principais beneficiários das soluções para conter a destruição da camada de ozônio e o aquecimento do planeta, que estão em discussão na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca.
Além de abrigar a maior floresta e a maior biodiversidade do planeta e dispor de um quinto do volume de água doce existente no mundo, o Brasil tem um estoque de terras reflorestáveis que poderão ser usadas para a recuperação de áreas degradadas. A disponibilidade dessas terras é um trunfo nas negociações de metas ambientais em debate na conferência.
“Em um cenário de crise ecológica que vivemos, nasce uma nova oportunidade para o Brasil. Nesse mercado ambiental, tudo aquilo que degradamos na nossa história passa a ser, no mercado global, uma oportunidade para a reconstrução. Nós vamos ter a oportunidade de reconstruir paisagens e biomas nacionais dentro dessa lógica”, afirma Arnaldo Carneiro Filho, geógrafo do Instituto Socioambiental (ISA).
Ele estima que haja uma área de 1 milhão de quilômetros quadrados que pode ser usada para a agroenergia, a produção de madeira e a recuperação de paisagens. “O Brasil pode vender serviços ambientais”, disse o o geógrafo, acrescentando que há possibilidade de agricultores se tornarem recuperadores remunerados de áreas devastadas.
A hipótese de prestar serviços ambientais ao planeta depende, no entanto, de o país melhorar os índices de produtividade na lavoura e na pecuária. “A nossa lógica sempre foi a produção e não a produtividade”, reconhece. Na opinião de Carneiro Filho, é preciso intensificar a produção agrícola e ter mais rebanhos em áreas menores.
Ele acredita que o tema do desenvolvimento sustentável estará na agenda da campanha presidencial do próximo ano. Em sua avaliação, 2010 também será um ano de testes para avaliar se as medidas governamentais de fato surtiram efeito contra o desmatamento. No ano que vem, com o aquecimento da economia mundial e da produção interna, haverá maior pressão por desmatamento, prevê.
Segundo carneiro Filho, o desmatamento é um “animal adormecido” e o despertar depende de demanda do mercado interno e do mercado externo, que vem regulando a curva de destruição da Amazônia.

R$ 70 milhões para projetos na Amazônia

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou no último dia 9 a liberação de R$ 70,3 milhões para os primeiros cinco projetos que serão financiados com recursos do Fundo Amazônia. Criado em 2008, o fundo recebeu US$ 110 milhões da Noruega, que até 2016 deve aportar US$ 1 bilhão, e tem prometidos 18 milhões de euros da Alemanha até março de 2010.
Os projetos aprovados foram apresentados pelo Fórum Amazonas Sustentável, ligado ao governo do Amazonas, pelas organizações não governamentais Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), TNC Brasil e Instituto Ouro Verde e pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). As iniciativas contemplam ações de redução do desmatamento, apoio à regularização fundiária e recuperação de áreas degradadas.
De acordo com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, há pelo menos outros 20 projetos em fase de análise e mais 50 em consulta inicial. “O fundo não é apenas uma iniciativa no papel, já está plenamente operacional, é eficiente, tem capacidade de operar e prover resultados efetivo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”, afirmou.
As organizações selecionadas irão agora assinar os contratos com o BNDES e, em seguida, o dinheiro começa a ser liberado. O repasse será feito por parcelamento, a partir de um plano de uso e comprovação de gastos, como em outros financiamentos do banco. A execução deve começar em janeiro e o tempo médio de duração dos projetos é de três anos. Os investimentos poderão ser monitorados publicamente por meio da página do Fundo Amazônia na internet.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a apresentação dos primeiros projetos credencia o Brasil para garantir mais recursos internacionais para o fundo durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca. Sem revelar valores ou citar os países, Minc afirmou que durante a COP-15 pelo menos dois doadores confirmarão aportes à iniciativa brasileira. Para o ministro, a demora na aprovação nos projetos foi necessária para evitar a “ecopicaretagem”.
Além do Fundo Amazônia, o BNDES também será responsável pela gestão do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, já sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fundo vai utilizar parte dos recursos do petróleo – entre R$ 700 milhões e 800 milhões no primeiro ano – para financiar ações de mitigação de emissões de gases de efeito estufa e adaptação às consequências das mudanças climáticas.

Agência Brasil

sexta-feira, dezembro 04th, 2009 | Author: admin

Leading poverty and environment groups were joined by Nobel Prize winners and other international experts, on 30 November, in calling for a new economic model to support an urgent tough, new climate deal to be negotiated in Copenhagen in December.
In a new report from The Working Group on Climate Change and Development, supported since its formation by Dr Rajendra Pachauri, Chairman of the Nobel prize-winning Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), leading international development economists and major international agencies call for new economic approaches more in tune with people and the planet.
The report Other Worlds are Possible - Human Progress in an Age of Climate Change is the sixth to be published by the group alerting the world to huge threat from global warming to human progress.
With forewords from Dr Pachauri and the world leading environmental economist Prof Herman Daly, Other Worlds are Possible includes radical economic proposals from leading economists based in developing countries that are already beginning to bear the human and economic costs of climate change. Theirs are the points of view often overlooked by commentators in rich countries.
Contributors include:
Prof. Jayati Ghosh ( India ):
Prof Ghosh rejects for India the economic development model represented by rich countries like the US, and argues that without new, less materialistic role models for human development, in a carbon constrained world, poorer countries are being set up to fail.

Prof. Wangari Maathai ( Kenya ):
Nobel Prize winning Prof. Wangari Maathai argues that for Africa to tackle climate change and to leap-frog dirty development, significant new financial resources will be needed, along with appropriate technology transfer. But she also calls for radically new democratic approaches to decision making.

Prof. Manfred Max-Neef ( Chile ):
Prof. Manfred Max-Neef lays out a comprehensive new economic development model that addresses environmental limits and dismisses the idea of relying on economic growth to tackle poverty. He says the shape of future economic development is one of far greater regionalisation and localisation of markets.

David Woodward ( Cambodia ):
David Woodward describes the outline of what could become a global ‘green new deal.’ He offers a clear outline of a new, flexible development model is that can both eradicate poverty and address climate change and resource scarcity.

The report describes how the costs and benefits of global economic growth have been very unfairly distributed, with those on lowest incomes getting the fewest benefits and paying the highest costs. A wide range of examples of more positive approaches are given from the wide, practical experience of the agencies in the coalition. Altogether they paint a picture of more qualitative development that is not dependent on further global over-consumption by the already rich, in the hope that crumbs of poverty alleviation are perhaps passed to those at the bottom of the income pile.

Other Worlds are Possible? confirms that better ways to organise our economies, communities and livelihoods already surround us, and posits that there are more choices about our collective economic future than many policy makers and regulators claim. The challenge is now clear, and many of the solutions well known. The task now is to act and embrace new thinking on how to run economies.
This report demonstrates that there is no shortage of new ideas to choose from. However, the pressing challenge of designing a new model for human progress and development that is climate-proof and climate friendly, with shared access to natural resources, remains neglected. Conventional definitions of development have been  largely set by industrialised countries to favour their own economic interests and often imposed on poorer societies, regardless of place or cultural context.

Other Worlds are Possible? notes that difference between success and failure in the international climate negotiations will be whether governments and financial institutions continue to support old, failed economic approaches, with their policy frameworks and our financial resources, or whether they will move to encourage and replicate new approaches that take account of our changed economic and environmental circumstances. This timely report makes the case in compelling terms that
there is not one model of economic development; there are many.

To read the report: http://www.neweconomics.org/sites/neweconomics.org/files/Other_worlds_are_possible_0.pdf

IIED, nef

sexta-feira, dezembro 04th, 2009 | Author: admin

The EU is on track to deliver on its Kyoto Protocol commitments for reducing or limiting emissions of greenhouse gases, the Commission’s annual progress report on emissions shows. The latest projections indicate that the EU-15 will meet its 8% reduction target under Kyoto; 10 of the 12 remaining Member States of the EU have also individual commitments under the protocol. It is projected that they will reduce their emissions to 6 or 8% below base year levels.
This will be achieved through a combination of policies and measures already taken, the purchase of emission credits from projects in third countries, the acquisition of allowances and credits by participants in the EU Emissions Trading System (EU ETS), and forestry activities that absorb carbon from the atmosphere.
As announced in May, EU-15 greenhouse gas emissions in 2007 - the latest year for which full data are available were 5.0% lower than base year levels. This contrasted with economic growth of around 44% over the same period. For the EU-27 as a whole, emissions fell by 12.5% between the base year and 2007.
Additionally, the European Environment Agency estimates that in 2008 emissions from the EU-15 member states fell further, to 6.2% below their levels in the base year . EU-27 emissions are now estimated to be 13.6% lower than the base year level.The Commission’s progress report, based on the latest projections by member states, shows that existing policies and measures; those already implemented are expected to reduce EU-15 emissions to 6.9% below base year levels in the commitment period 2008-2012.Plans by 10 of the EU-15 member states to buy credits from emission-saving projects carried out in third countries under Kyoto’s three market-based mechanisms: international emissions trading, the Clean Development Mechanism and the Joint Implementation instrument - would bring a further reduction of 2.2%.This would take the overall reduction to around 9.0% 3 and thus over-deliver on the EU’s Kyoto commitment. Acquisition of allowances and credits by EU ETS operators is expected to deliver a further 1.4% reduction.
Planned afforestation and reforestation activities, which create biological ’sinks’ that absorb carbon dioxide from the atmosphere, would contribute an additional cut of 1.0%. Additional policies and measures under discussion would, if fully implemented, bring further cuts of up to 1.6%. This would take the overall reduction to around 13.1%, 3 giving a broad safety margin for achieving the 8% reduction target.
All ten EU-12 member states that have a Kyoto target are projected to meet or over-achieve their Current uncertainty over the duration and severity of the economic recession, and thus its impact on emissions, could lead to the revision of projections in future once the outlook becomes clearer. Additionally, the projections of some member states may understate future emission reductions as they do not yet take account of the EU climate and energy package adopted earlier this year. Furthermore, the methodology used to estimate the EU ETS effect needs further improvement. Robust and consistent methodologies and assumptions are needed in order to more accurately project the EU ETS effect. GHG emission projections need to be considered in the perspective of the effective reductions already achieved, which amounted to -9% for the EU-27 and -4% for the EU-15 between 1990 and 2007. Therefore, reduction efforts will need to accelerate substantially across the EU in the future if it is to meet its -20% or -30% target by 2020.

EC/2009-11-12

sexta-feira, dezembro 04th, 2009 | Author: admin

Less than a week before the Copenhagen climate conference begins, confidential documents reveal that the EU is pushing to use existing aid money, not new funds, to help poorer nations reduce emissions and adapt to climate change—a stance that NGOs say could derail the entire summit.

According to documents obtained, EU negotiators have removed lines from a proposed draft agreement that call for a new climate fund for poor countries most vulnerable to the effects of climate change. The text says the EU “cannot accept” proposed language that would call for climate aid to be “additional to” and “separate from” other development assistance funds.

If climate funds were to come entirely from existing pools of money, that would pose a huge problem for international negotiations. The United Nations has estimated that poor countries need as much as $170 billion per year to adapt to climate change. That’s $50 billion more than developed countries spent on aid last year.

In public, Britain and Holland have argued that climate funds should be additional, while Germany, France and other smaller nations have said the money should come from existing aid. However, according to an e-mail obtained from an official in the UK’s Department for International Development making it clear that all money pledged for climate change so far is drawn from existing programs. (Most of it is pledged via the World Bank, which doesn’t have a reputation for being all that clean when it comes to financing energy development.) This conflicts with public statements from Prime Minister Gordon Brown, who just last Friday proposed a new $10 billion global fund to help poor countries with climate change to much fanfare. As it turns out, that money, too, would also come almost entirely from other aid budgets. The United States, meanwhile, has been even less generous.

For poorer countries, financial aid is a dealbreaker issue. Developing nations—especially places like Tuvalu, the drowning island nation that Rachel Morris reported on for the current issue of Mother Jones—are demanding new, additional funds to deal with the climate problems caused by rich nations. They have called for a minimum of $400 billion each year by 2020 to help curb emissions, expand clean energy development, and adapt to climatic changes that are already occurring.

So far, rich countries have suggested they may be prepared to offer around $100 billion annually, although finance ministers failed to agree on a concrete funding scheme in a meeting earlier this month. If that sum were to be drawn from existing aid, poverty and hunger alleviation programs, public health, agriculture, and other extremely important projects would suffer. “No developing country will sign up to an agreement that could give them no extra money at all,” Oxfam senior policy adviser Rob Bailey told. “The EU and other rich countries must provide new and additional finance, otherwise there will be no deal at all.”

The Guardian

domingo, novembro 29th, 2009 | Author: admin

O Plenário do Senado aprovou o projeto de lei (PLC 283/09) que cria a Política Nacional sobre Mudança do Clima. O projeto fixa em lei o compromisso voluntário do Brasil de reduzir, até 2020, as emissões projetadas de gases de efeito estufa, dentro do limite que vai de 36,1% a 38,9%, com base nas taxas do relatório de emissão até 2005. A maneira como essa meta será alcançada, será definida em decreto presidencial. Como o projeto sofreu mudanças no Senado, voltou à Câmara dos Deputados para novo exame.
A senadora Marina Silva (PV-AC), relatora da matéria na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), apresentou emendas com destaque. A principal alteração que proposta por ela estabelecia o ano 2005 como referência para a redução das emissões até 2020, que não poderia ser inferior a 20%. Segundo ela, não é possível fazer uma lei com base numa projeção, mas nas taxas conhecidas e reais de emissão de gases.
Mas o Plenário preferiu manter o texto do senador Renato Casagrande (PSB-ES), que era o relator da matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na qual o projeto foi aprovado pela manhã. O relatório de Casagrande teve apoio do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e do líder do DEM, senador José Agripino (RN).
Também foi rejeitada a emenda que retira a palavra “voluntário” da proposta de Política Nacional sobre Mudança do Clima. Marina explicou que o Brasil é país voluntário no estatuto da Conferência Climática, mas a meta tem efeito vinculante e o país não poderia voltar atrás. Ela disse que aprovar a lei assim, seria uma imprecisão técnica.
Do mesmo modo foi rejeitada a emenda que determina a criação de um portal na internet para acompanhamento dos esforços brasileiros na redução da emissão de gases.
Para Marina, essa é uma maneira de garantir transparência para os resultados da política nacional e fiscalização na aplicação dos recursos. Além disso, acrescentou a senadora, todos os países farão o mesmo. Outra emenda rejeitada é a que estabelece a proteção das áreas marinhas, que são sumidouros de carbono e estão sendo destruídas. A única emenda de Marina Silva que foi aprovada é a que especifica que os planos de combate ao desmatamento se estendem a todos os biomas.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que os presidentes dos Estados Unidos e da China não têm o direito de se reunir e impor ao planeta o que desejam fazer em relação ao meio ambiente. Segundo ela, o esforço brasileiro para estabelecer metas levou o presidente americano, Barack Obama, a apresentar “tímidos 17%” como meta de redução na emissão de gases de efeito estufa. Ideli observou que chegar na Conferência de Copenhague com essas duas leis aprovadas, vai fazer toda diferença.
- O presidente Obama diz: ‘Sim, nós podemos’ e o Brasil pode dizer: ‘Sim, nós fazemos’ - afirmou Ideli.
O senador Renato Casagrande disse que foi uma decisão política do governo federal assumir o compromisso voluntário de anunciar como meta a redução de 36,1% a 31,9% até 2020. Ele informou que, em conversa com os demais senadores, chegou à conclusão que, se a decisão estava tomada, não havia motivo para que não fosse institucionalizada. Assim, o limite máximo foi alterado para 38,9% através de emenda. Ele disse ainda que Marina Silva estabeleceu como submeta o percentual mínimo de 20% até 2020 para a redução na emissão de gases.

Fundo Nacional sobre Mudança do Clima
Vai à sanção presidencial proposta (PLC 284/09) aprovada no dia 25.11, em Plenário, que cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC).
Resultado da compilação de quatro projetos - entre eles um do Poder Executivo -, o fundo será vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MME) e terá como finalidade assegurar recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação à mudança do clima e aos seus efeitos.
Segundo a exposição de motivos enviada pelo Palácio do Planalto, o fundo constitui instrumento fundamental para a viabilização da Política e do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.
O fundo terá como fonte de recursos, além de dotações orçamentárias, doações e empréstimos, entre outros. Será administrado por um comitê gestor vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que o coordenará, e cuja competência e composição serão estabelecidos em regulamento, assegurada a participação de seis representantes do Poder Executivo e cinco do setor não governamental.

Copenhague
A pressa para a aprovação do fundo tem um motivo: os senadores querem levar a nova lei para a reunião da Convenção do Clima ( COP 15 ), em Copenhague, Dinamarca, no início de dezembro, e apresentá-la como compromisso brasileiro para a redução das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Falta ainda a aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PLC 283/09) pelo Plenário da Câmara dos Deputados, antes que seja enviada à sanção do Poder Executivo. A proposta também foi aprovada no Plenário do Senado nesta quarta, mas como sofreu alterações de mérito, deverá passar novamente pelo crivo dos deputados.

2º inventário da emissão de carbono será divulgado em 2011
O segundo inventário brasileiro de emissões de carbono, que englobará o período de 1990-2000, estará concluído em março de 2011, dentro do prazo legal estipulado anteriormente em convenções internacionais sobre o clima. O documento, que já conta com resultados preliminares, será submetido à consulta pública entre janeiro e julho de 2010. Nos seis meses seguintes, serão consolidados os relatórios setoriais visando à divulgação final dos resultados da pesquisa, que contemplará as áreas de energia, processos industriais, agropecuária, mudança no uso da terra e florestas e tratamento de resíduos.
As informações são do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente(CMA) para explicar a elaboração do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa.  A reunião foi presidida pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), autor do requerimento para a realização do debate.
O primeiro inventário brasileiro de emissões de carbono, de 2004, englobou o período de 1990 a 1994, explicou o ministro, ressaltando que em 1990 o país registrou emissão de 1,5 gigatonelada de carbono, sendo que 59% do total resultaram de mudanças no uso da terra e florestas, sobretudo o desmatamento.
- As variações são pequenas de ano para ano. Não se tinha ainda toda a ciência e tecnologia para fazer inventário. Isso não é ciência exata e está em constante evolução. Portanto, o inventário é ciência e tecnologia em desenvolvimento - afirmou.
Sergio Rezende explicou que os especialistas e as entidades envolvidos na elaboração do atual inventário não trabalham tendo em mente o “calendário”, referindo-se a comentários da imprensa de que a falta de um levantamento das emissões de carbono poderá prejudicar a participação do Brasil na 15ª Conferência das Partes ( COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a ser realizada na segunda quinzena de dezembro, na Dinamarca.
- Nossa equipe trabalha há quatro meses com dados preliminares. São confiáveis mais que qualquer estimativa, e são próximos aos números com que o governo vem trabalhando. O que o governo tem feito até agora para fazer estimativa se baseia dentro da tolerância de dados que estamos utilizando - afirmou.
O ministro destacou ainda que o governo brasileiro está levando a Copenhague o compromisso voluntário de, em 2020, em vez de emitir 2,7 gigatoneladas de carbono, emitir 1,7 gigatonelada, “ou uma gigatonelada a menos”. Essa estimativa, segundo ele, “depende de vários cenários que estão sendo estudados”. Em 2005, a emissão de carbono foi de 2,2 gigatoneladas.

Correções
Sergio Rezende explicou ainda que os dados do inventário anterior sempre sofrem correções, “é como se fosse um PIB [Produto Interno Bruto], que é corrigido dois anos depois com informações novas”. O ministro disse ainda que o percentual de emissão dos gases varia de acordo com a atividade produtiva de cada setor.
Na queima de combustível, por exemplo, predomina a geração de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Na indústria de produtos minerais, por sua vez, prevalece a geração de dióxido de carbono, enquanto os hidrofluorcarbonos e o hexafluoreto de enxofre sobressaem na indústria de refrigeração, espumas e equipamentos elétricos.
Sergio Rezende explicou ainda que para cada região (polígono) do país, a exemplo da Amazônia e do Cerrado, é feito um levantamento detalhado, onde se vêem os níveis de emissão e até de absorção de carbono, em decorrência de eventual reflorestamento ou recomposição natural da mata.
- O desmatamento muda de ano para ano, houve pique em 1995, em 2004, o que acaba produzindo variação maior de emissões de carbono - afirmou.
O ministro disse que o modo de fazer agropecuária também pode colaborar de forma decisiva para a redução do desmatamento, lembrando que o Brasil tem dado exemplo no setor, citando projetos detratamento dos dejetos da suinocultura.
- É possível fazer produção agropecuária com menor teor de carbono, é possível emitir menos carbono com matriz energética mais limpa, com menos termelétricas ou termelétricas movidas a combustíveis que não provoquem o efeito estufa - afirmou.
Ao reiterar a necessidade de investimentos em pesquisa de ponta, Sérgio Rezende lembrou que o Brasil desenvolveu bactéria que fixa na raiz da soja o nitrogênio, necessário para o desenvolvimento do vegetal. Além de favorecer a redução no uso de fertilizantes, a técnica contribuiu para “espalhar a soja na região Centro-Oeste”, segundo ele.
- Na [cultura] da cana não se conseguiu fazer até agora. Se conseguirmos a técnica para outras culturas de grandes extensões, teremos uma cultura de ponta. Estamos trabalhando com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] nesse sentido - afirmou.
O ministro explicou que a elaboração desse tipo de inventário foi decidida em 2002, durante convenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, os países signatários, que hoje somam 150, assumiram compromisso de fazer um levantamento das emissões, sendo que os países desenvolvidos tem a obrigação de apresentar um inventario anual (o último é de 2007), enquanto os países em desenvolvimento, como o Brasil, devem elaborar o documento em intervalos periódicos (os últimos são de 1990 ou 1994), tendo em vista a evolução do seu desenvolvimento econômico.
O inventário de gases reúne de 15 a 20 anexos, sendo editado em português, espanhol, francês e inglês, e feito com “detalhamento e transparência”, disse Sérgio Rezende. A elaboração do documento, sob a coordenação geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, conta com a participação de 700 especialistas e de 150 instituições públicas e não-governamentais, entre elas a Embrapa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e a Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), entre outras.

Desenvolvimento
Após a exposição do ministro, o senador Renato Casagrande disse acreditar que as emissões de carbono originárias da indústria e dosetor de energia tendem a crescer mais, tendo em vista o desenvolvimento futuro do Brasil.
Já o senador João Pedro (PT-AM) disse que o Brasil precisa investir em ciência e tecnologia para combater o aquecimento global. Ele defendeu ainda o envolvimento de todos os setores da sociedade para que as metas de redução anunciadas pelo governo possam ser atingidas nos próximos anos.
Por sua vez, a senadora Marina Silva (PT-AC) atribuiu a adoção das metas anunciadas pelo governo “à redução do desmatamento, à pressão da sociedade, à comunidade cientifica e aos formadores de opinião que colocaram o assunto no topo da agenda nacional o tempo todo”. A senadora pelo Acre, no entanto, avaliou como negativa a demora na elaboração do inventário e disse que o documento deveria ser divulgado anualmente.
Em resposta, Sérgio Rezende apontou dificuldades na avaliação anual de emissão em alguns setores.
- Essa é a razão pela qual na convenção se exigem os dados dos últimos quatro anos. Temos plenas condições de ter a cada ano estimativas, e os números detalhados à medida de suas atualizações. É perfeitamente possível pegar dados e fazer interpolações anuais - afirmou.
O ministro da Ciência e Tecnologia disse que o inventário terá 20 documentos setoriais.

Agência Senado - Ricardo Icassatti, Valéria Castanho, Paulo Sérgio Vasco

quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

Qual será o custo das mudanças climáticas para o Brasil?   Onze instituições do país fizeram a conta e calculam um prejuízo que pode chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. De acordo com o estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades, divulgado ontem (25/11), as perdas econômicas equivalem a pelo menos um ano inteiro de crescimento jogado no lixo se nada for feito para evitar os impactos da mudança do clima em setores como agricultura e energia e em regiões como a Amazônia e as zonas costeiras.
Inspirado no Relatório Stern, estudo britânico que em 2006 calculou o custo da mudança climática em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a pesquisa brasileira parte de cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para calcular o impacto do aquecimento global nas contas do país.
No primeiro cenário, o Brasil chegaria a um PIB de R$ 15,3 trilhões em 2050, mas perderia 0,5% (R$ 719 bilhões) por causas das mudanças do clima. No segundo, considerando uma trajetória de crescimento mais limpo, o PIB chegaria a R$ 16 trilhões, mas as perdas seriam de 2,3% (R$ 3,6 trilhões).
Coordenadora operacional do projeto, a pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carolina Dubeux, afirma que é preciso deixar claras as consequências macroeconômicas da mudança do clima, que não se restringem aos debates científicos e ambientais.
“O impacto do clima ainda vai ser modesto em 2050, ainda assim na economia será bastante grande. Há uma tendência de redução do PIB em função da mudança climática. E no Brasil isso vai aumentar as disparidades regionais”, cita.
Entre os setores mais vulneráveis aos prejuízos do aquecimento global no país estão agricultura e energia. Se nada for feito para adaptar a produção às mudanças do clima, todas as culturas – com exceção da cana-de-açúcar – sofrerão redução das áreas com baixo risco de produção. Para as lavouras de café, o percentual é de 18% e para a soja chega a 30%. A perda anual na agricultura pode passar de R$ 10 bilhões, de acordo com o estudo.
O custo da falta de ações para o setor energético também será alto. Com a redução da vazão dos rios, o sistema elétrico vai perder capacidade de geração, principalmente nas regiões Nordeste e Norte. “A perda de energia firme vai ser da ordem de 33%. Tem que haver planejamento para o futuro que considere isso, com complementação por outras fontes”, calcula a pesquisadora.
Nas zonas costeiras, a elevação do nível do mar pode causar prejuízos de até R$ 207,5 bilhões até 2050 com a perda de patrimônio.
Para a Amazônia, o levantamento estima perda de até 38% das espécies, além de R$ 26 bilhões a menos por ano com a perda de 12% dos serviços ambientais. O cenário considera a redução de 40% da cobertura vegetal da floresta, que, segundo o IPCC, deverão ser convertidos em savana.
O estudo, que levou cerca de dois anos para ser concluído, teve a colaboração de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Universidade de São Paulo (USP), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Fórum Brasileiro de Desenvolvimento Sustentavel e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Investimentos de R$ 104 bilhões para evitar perdas com mudanças climáticas

O estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades prevê perdas entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões até 2050 para a economia por causa das mudanças climáticas. Também aponta investimentos que o país pode fazer para evitar prejuízos e os setores em que é possível reduzir expressivamente as emissões de gases de efeito estufa.
O estudo lista os investimentos necessários para evitar grandes perdas econômicas com a mudança do clima e calcula que sejam necessários pelos menos R$ 104 bilhões na agricultura, no setor energético e em ações de gestão e políticas públicas para as zonas costeiras, ameaçadas pela elevação do nível do mar.
Na agricultura, por exemplo, o investimento de R$ 65 milhões por ano na modificação genética de arroz – para garantir adaptação à mudança do clima – tem um benefício 8,2 vezes maior que o custo. Para a soja, a vantagem é 16,7 vezes maior que o investimento.
A previsão do estudo para o setor elétrico é que serão necessários investimentos de US$ 51 bilhões para garantir a instalação de capacidade extra de geração de energia, já que as hidrelétricas perderão potencial com a diminuição da vazão dos rios, provocada pela redução de chuvas nas regiões Norte e Nordeste. “De preferência com geração por gás natural, bagaço de cana e energia eólica”, sugere o relatório.
A proteção das zonas costeiras somaria R$ 3,72 bilhões até 2050, cerca de R$ 93 milhões por ano.
A conservação da floresta, os biocombustíveis e a taxação de carbono são listados como oportunidades de mitigação das emissões nacionais de carbono.
A produção de etanol pode evitar o lançamento de 187 milhões a 362 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente na atmosfera, de acordo com o estudo. A taxação do carbono entre US$ 30 e US$ 50 por tonelada (R$ 52 a R$ 86) emitida reduziria as emissões brasileiras entre 1,16% e 1,87%, com impacto no Produto Interno Bruto (PIB) de 0,13% e 0,08%, respectivamente.
O relatório também aponta a vantagem da redução do desmatamento na Amazônia a partir do pagamento pela manutenção da floresta em pé. “Um preço médio de carbono na Amazônia de US$ 3 por tonelada, ou US$ 450 por hectare, desestimularia entre 70% e 80% a pecuária na região”, de acordo com o texto.

Agência Brasil

domingo, novembro 22nd, 2009 | Author: admin

Os oceanos têm um papel fundamental na regulagem climática, absorvendo cerca de um quarto de todo o dióxido de carbono lançado pela ação humana. Agora, o primeiro levantamento ano a ano desse mecanismo desde a Revolução Industrial indica que os oceanos estão sofrendo para acompanhar o aumento nas emissões.
A consequência, apontam, poderá ser desastrosa para o clima no futuro do planeta. A pesquisa, feita nos Estados Unidos, foi publicada na edição desta quinta-feira (19/11) da revista Nature.
Samar Khatiwala, da Universidade Columbia, e colegas estimaram que os oceanos absorveram um recorde de 2,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono resultantes da queima de combustíveis fósseis em 2008. Mas, com o aumento na quantidade total de emissões, a proporção absorvida pelos oceanos desde 2000 caiu em cerca de 10%.
Modelos climáticos desenvolvidos anteriormente haviam previsto uma diminuição nesse processo, mas o novo estudo é o primeiro a quantificar essa queda.
Enquanto trabalhos anteriores haviam atribuído a mudança à diminuição do ozônio na estratosfera e a alterações na circulação oceânica induzidas pelas mudanças climáticas, a nova pesquisa sugere que o motivo é mais simples: os oceanos chegaram ao limite, tanto físico como químico, de sua capacidade de absorver o dióxido de carbono.
“Quanto mais dióxido de carbono, mais ácido fica o oceano, reduzindo a capacidade de manter o CO2”, disse Khatiwala. “Por causa dessa consequência, com o tempo o oceano se torna um repositório menos eficiente do carbono antrópico. A surpresa é que podemos estar diante das primeiras evidências disso, talvez combinado com a circulação mais lenta por causa do aumento nas emissões.”
Segundo o estudo, o acúmulo de carbono industrial nos oceanos aumentou enormemente na década de 1950, à medida que os oceanos passaram a tentar acompanhar o ritmo acelerado das emissões em todo o mundo.
As emissões continuaram a crescer e, no ano 2000, atingiram tal volume que os oceanos passaram a absorver menos CO2 proporcionalmente, ainda que o total em peso tenha continuado a aumentar. Hoje, segundo a pesquisa, os oceanos mantêm cerca de 150 bilhões de toneladas de carbono industrial, um terço a mais do que em meados da década de 1990.
Cerca de 40% do carbono entra nos oceanos por meio das águas geladas próximas à Antártica, porque o dióxido de carbono se dissolve mais rapidamente nas águas mais frias e mais densas do que nas mais quentes. Dali, as correntes transportam o carbono para o norte do planeta.
O artigo Reconstruction of the history of anthropogenic CO2 concentrations in the ocean, de Samar Khatiwala e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Agência Fapesp

domingo, novembro 22nd, 2009 | Author: admin

A Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado Federal aprovou em 19/11 o Projeto de Lei 293/09 que define a Política Nacional sobre Mudança do Clima. A proposta já incorpora o compromisso assumido publicamente pelo governo de reduzir de 36,1% a 38,9% as emissões de gás carbônico até 2020.
A líder do governo no Congresso e relatora da matéria, Ideli Salvatti (PT-SC), ressaltou em seu parecer que a nova política estimula o desenvolvimento e o uso de tecnologias limpas, além do abandono gradativo de fontes de energia que usam combustíveis fósseis. O projeto estabelece que não poderá ser contingenciado qualquer recurso previsto no Orçamento da União que tenha como objetivo promover medidas de combate às mudanças climáticas.
Para viabilizar a política governamental para o clima, também foi votado projeto - PLC 284/09 - que cria um fundo para administrar os recursos que apoiarão projetos ou estudos e financiamentos de empreendimentos que tenham como finalidade combater os efeitos climáticos e adaptar a sociedade a essa nova realidade.
Os projetos ainda terão que ser votados nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e na de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle antes da apreciação em plenário.

Agência Brasil