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quarta-feira, janeiro 27th, 2010 | Author: admin

The National Laboratory of Science and Technology of Bioethanol (CTBE), just inaugurated in the city of Campinas (State of S. Paulo), on January 22, 2010, will be the coordination center for researches on the production of bioethanol, from the plantation to the development of automotive motors.

CTBE is born from a study conceived in 2007 about the challenges for the production of ethanol in Brazil for the next 15 years.  One of its targets was to answer if it would be possible to multiply by ten - but in a sustainable way - the current production of ethanol, until 2015.  The future amount would be equal to 250 billion annual liters, which should be enough to replace 10% of the gasoline consumed in the planet.

“Many of the identified obstacles demand investments in science to solve them”, says  Marco Aurélio Pinheiro Lima, director of the new laboratory.

CTBE will gather the efforts of public research institutions and private laboratories from the whole country that already work on bioethanol. This wide effort is also the aim of the Research program in Bioenergy  (BIOEN) financed by The State of São Paulo Research Foundation (FAPESP).

The BIOEN Program will support the laboratory infrastructure, explains Prof. Marcos Buckeridge, at University of São Paulo, who is both scientific director of CTBE and coordinator of BIOEN Biomass division.

“We are creating a Brazilian system for bioenergies that will gather the researches of an elite of specialists that are dispersed throughout  the country”, announces Buckeridge.

The laboratory has counted on investments of R$ 69 million, and is already developing researches, many of them with the support of Fapesp, that already invested about of R$ 2 million. Currently with 60 employees, CTBE should hire 170 until 2013.

At the inauguration, the new institution has already signed cooperation agreements with the he Brazilian Agricultural Research Corporation  (Embrapa), the London Imperial College (UK)  and the Lund University (Sweden).

Cellulosic ethanol

The efforts of the research of CTBE will be concentrated in the development of the ethanol of second generation, produced from sugarcane cellulose.  Although corresponding to two thirds of the available biomass, sugarcane pulp and straw  are not yet enough used.

Buckeridge explains that breaking the cellulose wall is at the core of research at CTBE. The enzymes that may help in the biological decomposition will thoroughly be studied at the laboratories.

CTBE is neighbour to two other laboratories in Campinas: the Brazilian Synchrotron Light Laboratory (LNLS) and the National Biosciences Laboratory (LNBio). “Be close to these facilities gives us access to cutting edge resources such as the Synchrotron Light ring that helps to unmask the structure of the enzymes, and to specific bioinformatics software developed by LNBio”,  Buckeridge says.  The bioethanol researchers will be able to test their results under industrial structure at CTBE, thus adapting the academic research to the needs of industry.

LNBio, LNLS and CTBE will be coordinated by an the recently-created the National Center of Research in Energy and Materials (CNPEM), under the direction of physicist Rogério Cerqueira Leite.

Sugarcane direct planting

Under the agreement with Embrapa, the two institutions will together invest in advanced technology, to guarantee the Brazilian production of sugarcane ethanol. The test for this cooperation will be the direct planting of sugarcane, from North to South of Brazil, believes Geraldo Eugênio de França, Embrapa’s CEO.

Direct planting is a technique of agricultural handling, used mainly in cereals fields, which spares the preparation of soil in the planting. Embrapa already works since more than three decades with this technique that reduces costs, keeps the soil nutrients and uses water in a more rational way.

The Agricultural Program of CTBE will develop studies on agricultural machines and low impact crop mechanization. Sugarcane diseases and reaction to herbicides in humid soil, as in direct planting situation, will be also submitted to research.

CTBE and Embrapa will study the impacts of the direct planting in cane in the most diverse climates, soils, rain volume and field administration. The first experiments should happen in plantations in the State of São Paulo. Then similar tests will be accomplished in other producing areas, such as the Cerrado and the coastal boards of the Northeast.

The collaboration between CTBE and Embrapa may continue in the production of enzymes for the hydrolysis of the cane pulp, biochemistry and physiology of plants, fixation of nitrogen and absorption of CO2 by the plant.

© Webioenergias.com.br , with information by Fapesp and  Embrapa

quarta-feira, janeiro 27th, 2010 | Author: admin

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), recém-inaugurado em Campinas (SP), no dia 22 de janeiro de 2010, vai abranger pesquisas relacionadas a todas as etapas de produção do etanol, desde a plantação até o desenvolvimento de motores automotivos.

O CTBE nasceu de um estudo sobre os desafios da produção brasileira de etanol para os próximos 15 anos. Concebido em 2007, o estudo tinha como uma das metas responder se seria possível multiplicar por dez, de forma sustentável, a produção atual de etanol até o ano de 2015. O futuro montante equivaleria a 250 bilhões de litros anuais, o que seria suficiente para substituir 10% da gasolina consumida no planeta, de acordo com o estudo.

“Muitos dos gargalos identificados demandam investimentos em ciência para resolvê-los”, conta o diretor do Laboratório, Marco Aurélio Pinheiro Lima.

O CTBE deverá reunir esforços de instituições de pesquisa de todo o país que atuam no desenvolvimento do bioetanol, inclusive laboratórios da iniciativa privada.  A abrangência dos trabalhos coincide com a do Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O Programa BIOEN da Fapesp deverá contribuir com o laboratório e também se beneficiar da sua infraestrutura, explica o professor da Universidade de São Paulo, Marcos Buckeridge, diretor científico do CTBE e coordenador da divisão de Biomassa do BIOEN. “Está se formando um sistema brasileiro de bioenergia que reunirá os trabalhos de uma elite de especialistas espalhados pelo país”, anuncia.

O laboratório contou com investimentos da ordem de R$ 69 milhões e já possui pesquisas em andamento, muitas delas com o apoio da Fapesp, que já investiu cerca de R$ 2 milhões em trabalhos. Atualmente com 60 empregados, o CTBE espera ter cerca de 170 colaboradores fixos até 2013.

Já na inauguração foram assinados acordos para cooperação em pesquisas entre o CTBE e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Imperial College London, da Inglaterra e a Lund University, da Suécia.

Etanol de celulose

Os esforços da pesquisa do CTBE estarão concentrados no desenvolvimento do etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose da cana-de-açúcar. Embora correspondam a dois terços da biomassa disponível, o bagaço e a palha da cana ainda não são suficientemente aproveitadas. Buckeridge explica que no coração dessa pesquisa está o processo de quebra da celulose. Na decomposição biológica essa massa é quebrada com o auxílio de enzimas que poderão ser estudadas a fundo nos laboratórios do CTBE.

Ao lado do novo laboratório funcionam o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). “Estar perto dessas instalações nos dá acesso a recursos de primeira linha como o anel de luz síncrotron, que ajuda desvendar a estrutura das enzimas, e software específico de bioinformática, desenvolvidos pelo LNBio”, exemplifica Buckeridge.

Embora autônomos, o LNBio, o LNLS e o CTBE serão coordenados por uma instância recém-criada pelo governo federal, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que será o físico Rogério Cerqueira Leite como diretor.

Os pesquisadores de bioetanol poderão testar seus resultados em processos industriais no CTBE. O diretor científico do CTBE explica que os pesquisadores deverão interagir com os engenheiros do laboratório e, assim, adaptar a pesquisa acadêmica às necessidades da indústria. Esses testes serão executados em uma miniplanta industrial que está sendo construída e fará parte das instalações do CTBE.

Buckeridge espera promover, a partir de 2011, um megaexperimento em formato de workshop, em que todos os grandes trabalhos de pesquisa em bioetanol possam se apresentar. Um dos objetivos do evento será avaliar e acompanhar o “estado da arte” da pesquisa científica nacional em bioetanol. Além do combustível, os trabalhos deverão desenvolver uma cadeia de subprodutos oriundos da cana-de-açúcar como polímeros e medicamentos, nos moldes do que ocorreu com o desenvolvimento do petróleo. Esses novos materiais devem estabilizar a indústria da cana, que hoje conta com apenas dois produtos principais: etanol e açúcar.

Plantio direto da cana

Segundo o acordo com a Embrapa, as duas instituições assumem o compromisso de, em conjunto, investir em tecnologia avançada, para garantir a produção brasileira de etanol, a partir da cana-de-açúcar e de materiais lignocelulósicos (à base de celulose, como resíduos de cana ou madeira). Um dos desafios da Embrapa Agroenergia, unidade da empresa que tem uma interface muito grande com o CTBE, é tornar mais baixo o custo desse processo, explica o diretor-executivo da Embrapa, Geraldo Eugênio de França.

O diretor da Embrapa, acredita que a união das forças agrícola da Embrapa e industrial do CTBE impulsionará os trabalhos. A Embrapa, o CTBE e as empresas manterão relações mais estreitas. O teste, para o diretor, será o plantio direto da cana-de-açúcar, de Norte a Sul do Brasil.

O plantio direto é uma técnica de manejo agrícola, empregada na cultura de cereais, que dispensa o preparo do solo no plantio. A Embrapa já trabalha há mais de três décadas com este sistema, que reduz custos, conserva os nutrientes do solo e utiliza a água de forma mais racional.

O Programa Agrícola do CTBE estuda formas de implementar o plantio direto na cultura de cana. A tarefa, entretanto, tem alguns desafios tecnológicos significativos, como o desenvolvimento de um maquinário agrícola que reduza o tráfego de máquinas sobre a área plantada.

Para solucionar este gargalo, o CTBE desenvolve o projeto de uma Estrutura de Tráfego Controlado (ETC) que atuará em todo o ciclo agrícola da cana, do plantio à colheita. Segundo o diretor do Programa Agrícola do CTBE Oscar Braunbeck, a ETC deve reduzir a área de terreno trafegada de 60% para 13% e o custo da colheita mecanizada de cana em até 30%. A largura maior do equipamento (9m) também permitirá a mecanização da colheita em terrenos com até 20% de inclinação. Hoje, este número se restringe a 12%.

O Programa Agrícola do CTBE tem uma vertente voltada aos estudos de mecanização de baixo impacto e outra ligada ao ciclo agronômico da cana. Esta última será liderada pela Embrapa. Pesquisadores acompanharão o desempenho agronômico da cana sob o regime de plantio direto com baixo tráfego, em comparação ao plantio convencional. As variedades de cana que melhor se adaptam ao plantio direto o comportamento de doenças e pragas e a reação da planta aos herbicidas em situações de solo úmido também serão objetos de pesquisa.

“Estudaremos os impactos do plantio direto em cana nos mais diversos ambientes, solo, volume de chuva e gestão de campo. Os primeiros ensaios devem ocorrer em cooperação com usinas de cana de São Paulo. Depois realizaremos testes semelhantes em outras regiões produtoras como o Cerrado e os Tabuleiros Costeiros do Nordeste”, explica Eugênio.

A Embrapa também participará da construção da Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar (BVC). Esta ferramenta de simulação computacional é elaborada pelo CTBE para comparar a sustentabilidade econômica, social e ambiental de rotas tecnológicas no âmbito de uma biorrefinaria, identificando seu estágio de desenvolvimento e permitindo sua otimização. O desenvolvimento da BVC tem a participação de uma Rede de Instituições (coordenada pelo CTBE). A Embrapa vai coordenar a sub-rede agrícola desta rede.

A colaboração entre o CTBE e Embrapa poderá ter continuidade ainda nas áreas de produção de enzimas para a hidrólise do bagaço de cana, bioquímica e fisiologia de plantas, fixação de nitrogênio e captação de CO2 feita pela planta.

© Webioenergias.com.br , com informações da Agência Fapesp e da Embrapa

quarta-feira, janeiro 27th, 2010 | Author: admin

France has outlined plans to impose a carbon tax on large industrial installations until 2013 when they start paying for emission permits under the revised EU Emission Trading Scheme (EU ETS). The tax would come into effect in July.
French Environment Minister Jean-Louis Borloo outlined the upcoming revised proposal on 20 January, after the Constitutional Court rejected the government’s original plan last December.
The government had originally hoped to levy a carbon tax on oil, gas and coal consumption by households and businesses. It was going to be set at €17 per tonne of carbon emissions, rising gradually.
But the Constitutional Council said the large number of exemptions from the legislation would put an unfair burden on consumers and would not fulfil the objective of fighting climate change. It said that the tax would not be applied to 93% of industrial carbon emissions, and over 1,000 of France’s biggest polluters would be able to avoid it. The court pointed out that the law exempted big emitters from power stations to oil refineries and cement works, which are covered by the EU ETS, and imposed lighter tariffs on groups like farmers, fishermen and truck drivers.
The new proposal would amend the problem by subjecting industrial installations under the ETS to a carbon tax until 1 January 2013, the environment minister said. Until now, the power sector has enjoyed free emission permits, but free allocation will be gradually phased out from 2013.
The French government said in a statement that it would also take measures, starting in February, to protect the competitiveness of certain sensitive sectors. It pledged to consult with businesses, social partners and environmental organisations on implementation.
The new text would retain other aspects of the initial proposal, including the tariff of 17 euros per tonne of CO2 and green cheques designed to compensate consumers, the government said.
A new bill is expected to be presented to the French parliament in the next couple of weeks.

EurActiv

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segunda-feira, janeiro 25th, 2010 | Author: admin

In a fortuitous discovery, chemists have stumbled on a catalyst that strips carbon dioxide from the air and converts it into a useful compound.
Published in the most recent issue of the journal Science, researchers at Leiden University in the Netherlands have discovered a copper-based catalyst that can literally pull carbon dioxide out of thin air.
Researchers say the copper-based compound is not ready for primetime–removing carbon dioxide on a large scale–but they hope that the catalyst could one day remove the ubiquitous greenhouse gas from the atmosphere, turning it into organic chemicals.
Elisabeth Bouwman at Leiden University, who led the team that discovered the catalyst, said the selectivity of the new compound is “completely unexpected”.
This is not the first catalyst with a metal core that can pull CO2 from a gas stream, but it is the first that when faced with air, prefers to couple with oxygen molecules.
The system is far from being a practical method of extracting CO2 from the air to combat the buildup of the greenhouse gas in the atmosphere and global warming because the conversion rates are too low.
So far, Bouwman and her team achieved a conversion rate in the lab that has cycled the system just six times in seven hours, well short of the tens of thousands of cycles per hour needed for efficient conversion.

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terça-feira, dezembro 08th, 2009 | Author: admin

Europeans could help cut climate warming emissions to much safer levels for just 2 euros ($3) each per day, but they would also have to cut back on driving and meat eating, a report said. Other long-term changes would include using the train instead of flying for journeys of under 1,000 km, said the report by the Stockholm Environment Institute, commissioned by Friends of the Earth Europe (FOEE).
The study targets a European cut in climate-warming emissions such as carbon dioxide to 40 percent below 1990 levels over the next decade.

“It’s not just about investment, it’s also about lifestyle changes,” said FOEE campaigner Sonja Meister. “This report shows one pathway that would see air travel in the EU cut by 10 percent by 2020 and travel in private cars by 4 percent.”

“Travel by rail would rise by 9 percent, and meat consumption would be reduced by about 60 percent,” she added.

The European Union has pledged to cut emissions of carbon dioxide, the main gas blamed for climate change, to 20 percent below 1990 levels by 2020.

It also says it will cut by nearly a third if other rich nations agree to follow suit at COP15 in Copenhagen.

But many scientists say much deeper cuts are needed from rich nations to keep the climate temperature increase below 2 degrees Celsius.

Poorer countries say industrialized nations caused the climate problem in the first place and should cut emissions to 40 percent below 1990 levels.

That could be achieved in Europe for a cost of 2 trillion euros, or around 2 percent of cumulative gross domestic product (GDP) over the next decade, said the report.

“Put another way, this cost would be the equivalent of temporarily holding GDP constant for about one year before resuming normal growth,” it added.

The cost equates to about 2 euros per European per day, but that does not take account of the positive impact of job creation and reduced spending on hydrocarbon imports.

True to FOEE’s politics, the assessment excludes the use of nuclear energy or carbon capture and storage (CCS) technology that would allow European power suppliers to keep on burning coal. It also rules out most carbon offsetting.

Instead, it assumes Europeans will accept higher taxes and make major lifestyle changes — something politicians have not yet dared demand.

Climate Progress

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terça-feira, dezembro 08th, 2009 | Author: admin

Um artigo recém publicado pelos pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) apresenta um perfil dos impactos da pecuária no Brasil e reforça o papel do setor na emissões do território brasileiro. Segundo o estudo, que poderá auxiliar na tomada de decisões políticas, principalmente durante a COP 15, é preciso dar mais atenção à pecuária e pensar em soluções para uma ocupação racional e sustentável das áreas agrícolas disponíveis no país.
O estudo intitulado Emissões de gases do efeito estufa do Brasil: Importância da agricultura e pastagem foi liderado pelo professor Carlos Clemente Cerri e publicado na revista científica Scientia Agricola, da Esalq. A revisão apresenta cálculos feitos com base em cinco fontes de emissão - energia, processos industriais, agricultura, mudança de uso da terra e resíduos, bem como de suas subfontes, além de oferecer um quadro inédito de emissões do Brasil.
Segundo informações da Esalq , o artigo substitui os cálculos apresentados em 2004 que traziam dados relativos ao período de 1990 a 1994. Neste documento foi relatado que o país é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa (GEE) do mundo e isto ocorre, em grande parte, por causa do desmatamento, principalmente da Amazônia, para dar lugar à agricultura e pecuária.

O atraso na republicação do estudo vai contra a determinação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Além de firmar uma redução da emissão de GEE para a atmosfera, o acordo estabelecia a realização de inventários periódicos sobre o assunto.

“Os dados do primeiro inventário são relativos a 1994, e é o que prevalece até hoje. Já são passados 15 anos. Como participei de parte do primeiro relatório, montei minha equipe e atualizamos esses dados até 2005, utilizando a mesma metodologia do inventário anterior. Assim, calculamos as emissões a cada cinco anos, ou seja, 1990, 1995, 2000 e 2005″, comentou Cerri.

Embora considerado por aqueles que já tiveram acesso ao trabalho como um novo inventário, os autores salientam que este artigo não deve ser considerado um documento oficial da Comunicação Nacional, apesar de ele poder auxiliar na tomada de decisões políticas na ausência de um documento oficial.

Mais tóxicos que o gás carbônico

Cerri explica que todo o processo de digestão do gado gera gases altamente tóxicos. “Tudo isso parece folclórico, mas é importante, porque
o metano e o óxido nitroso são gases que têm alto potencial para aquecer a atmosfera terrestre vinte e trezentas vezes mais do que o gás carbônico. Assim, nosso estudo aponta maneiras de se trabalhar com uma pecuária mais tecnificada para melhor aproveitamento das áreas atuais sob pastagens e, em consequência, reduzir as emissões pelo setor”, explica Cerri.

De acordo com o pesquisador, quando os três gases do efeito estufa foram convertidos em uma única unidade denominada de “equivalente em CO2″, percebeu-se que a taxa de emissão de gases do desmatamento aumentou 8,1% entre 1994 e 2005, enquanto que a taxa produzida pela fermentação dos ruminantes teve aumento de 13%. E a preocupação não pára por aí: “hoje, a ocupação média no Brasil é de 0,9 cabeças por hectare. O Brasil precisa, nos próximos dez anos, de 20 milhões de hectares para acomodar as expectativas de expansão na produção de alimentos, fibras e biocombustíveis para suprir as necessidades internas e exportar”, diz o pesquisador.

“Precisamos produzir mais soja, milho, arroz, trigo, algodão, cana-de-açúcar e oleaginosas para biocombustível; mais reflorestamento com silvicultura com eucalipto, pinus e outras essências e isso dá, mais ou menos, 20 milhões de hectares e nós não podemos desmatar. O grande desafio é proceder essa expansão sem novos desmatamentos e isso é perfeitamente possível adotando um planejamento estratégico adequado nas áreas já ocupadas pela agricultura e pecuária”, afirma.

Para isso, o pesquisador indica utilizar as tecnologias existentes no país, trabalhar na recuperação de pastagens degradadas, no melhoramento genético e na adoção da integração lavoura-pecuária, reduzindo tempo e espaço e aumentando a produtividade. “Isso faz com que o tempo de vida do animal seja reduzido. Ao invés de permanecer três anos e meio no campo, é possível reduzir o tempo para o abate com mesmo peso, porém com menor emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global”, conclui.

Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - www.esalq.usp.br

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terça-feira, dezembro 08th, 2009 | Author: admin

O surgimento de duas oportunidades históricas pode diminuir e até mesmo acabar com o processo de desflorestamento na Floresta Amazônia. A constatação está no artigo “O fim do desmatamento na Amazônia brasileira” , publicado por cientistas do Brasil e dos Estados Unidos em uma seção sobre políticas de ciência da nova edição da revista científica Science.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), dos grupos Aliança da Terra, Environmental Defense Fund (EUA) e Woods Hole Research Center, e das universidades da Flórida (EUA), Rey Juan Carlos (Espanha), Federal de Minas Gerais e Federal do Pará.

O artigo ressalta que o Brasil diminuiu o nível de desmatamento em 64% desde 2005. E que se o Brasil pusesse fim ao desmatamento da região, as emissões globais de CO2 cairiam entre 2% e 5% em relação aos níveis atuais.

Para acabar com o desmatamento da Amazônia entre 2010 e 2020, os pesquisadores estimaram que os custos de um programa incluindo apoio a comunidades locais e melhoria no gerenciamento na fiscalização de áreas protegidas seria de US$ 7 bilhões a US$ 18 bilhões.

Entre os benefícios haveria a diminuição das emissões de CO2, redução nas queimadas, na poluição do ar, em enchentes e na perda da biodiversidade.

Os cientistas usaram um modelo econômico da região da Amazônia que estima a expansão da atividade agropecuária na região ao longo dos anos. “Nossos modelos econômicos integram a melhor informação disponível em solos, estradas e custos de produção para capturar a lógica econômica dos fatores que lideram o desmatamento na Amazônia”, escreve Britaldo Soares Fillho, da UFMG, um dos autores do artigo da Science.

A pesquisa também sugere medidas que o governo brasileiro deveria tomar para reduzir o desmatamento, como o apoio a pequenas comunidades florestais que fazem exploração sustentável do ambiente, benefícios a pecuaristas e fazendeiros que não desmatam, melhora nas leis ambientais e de segurança e investimento em áreas de proteção.

Para Daniel Nepstad, um dos autores do artigo, pesquisador do Woods Hole Research Center (EUA), da Universidade Federal do Pará e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, “forças do mercado e a vontade política do Brasil estão formando uma oportunidade sem precedentes para pôr fim ao desmatamento na Amazônia brasileira com 80% da floresta ainda de pé”.

Nepstad e seus colegas discutem as duas oportunidades que não podem ser perdidas. A primeira é o compromisso do governo federal brasileiro, anunciado em 2008, de reduzir o desflorestamento na Amazônia em 80% até 2020. Iniciativa que conta com apoio das Nações Unidas e da Noruega, que se comprometeu a doar até US$ 1 bilhão para o Fundo Amazônia.

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo tem por finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma amazônico.

A segunda oportunidade, segundo os autores, são as mudanças recentes nas indústrias de carne e soja, principais motores do desflorestamento amazônico, que começaram a cortar de suas cadeias produtivas empresas que lucram com o desmatamento.

“De acordo com nossa análise, esses desenvolvimentos recentes finalmente tornaram viáveis o fim do desflorestamento na Amazônia brasileira, o que poderá resultar em uma redução de 2% a 5% nas emissões globais de carbono”, destacaram os autores.

Os pesquisadores estimaram os custos de um programa de dez anos para acabar com o desflorestamento e destacaram os benefícios dessa diminuição, como redução nas queimadas, na poluição do ar, em enchentes e na perda da biodiversidade, entre outros. O custo estimado estaria entre US$ 7 bilhões e US$ 18 bilhões, incluindo apoio a comunidades locais e melhoria no gerenciamento na fiscalização de áreas protegidas.
O montante poderia ser compensado, apontam os autores, por mecanismos como a Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação (REDD), em negociação no tratado climático das Nações Unidas, ou o recebimento de créditos de carbono.

O artigo The End of Deforestation in the Brazilian Amazon pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org


Informações da Agência Fapesp e da BBC Brasil

domingo, novembro 29th, 2009 | Author: admin

O Plenário do Senado aprovou o projeto de lei (PLC 283/09) que cria a Política Nacional sobre Mudança do Clima. O projeto fixa em lei o compromisso voluntário do Brasil de reduzir, até 2020, as emissões projetadas de gases de efeito estufa, dentro do limite que vai de 36,1% a 38,9%, com base nas taxas do relatório de emissão até 2005. A maneira como essa meta será alcançada, será definida em decreto presidencial. Como o projeto sofreu mudanças no Senado, voltou à Câmara dos Deputados para novo exame.
A senadora Marina Silva (PV-AC), relatora da matéria na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), apresentou emendas com destaque. A principal alteração que proposta por ela estabelecia o ano 2005 como referência para a redução das emissões até 2020, que não poderia ser inferior a 20%. Segundo ela, não é possível fazer uma lei com base numa projeção, mas nas taxas conhecidas e reais de emissão de gases.
Mas o Plenário preferiu manter o texto do senador Renato Casagrande (PSB-ES), que era o relator da matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na qual o projeto foi aprovado pela manhã. O relatório de Casagrande teve apoio do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e do líder do DEM, senador José Agripino (RN).
Também foi rejeitada a emenda que retira a palavra “voluntário” da proposta de Política Nacional sobre Mudança do Clima. Marina explicou que o Brasil é país voluntário no estatuto da Conferência Climática, mas a meta tem efeito vinculante e o país não poderia voltar atrás. Ela disse que aprovar a lei assim, seria uma imprecisão técnica.
Do mesmo modo foi rejeitada a emenda que determina a criação de um portal na internet para acompanhamento dos esforços brasileiros na redução da emissão de gases.
Para Marina, essa é uma maneira de garantir transparência para os resultados da política nacional e fiscalização na aplicação dos recursos. Além disso, acrescentou a senadora, todos os países farão o mesmo. Outra emenda rejeitada é a que estabelece a proteção das áreas marinhas, que são sumidouros de carbono e estão sendo destruídas. A única emenda de Marina Silva que foi aprovada é a que especifica que os planos de combate ao desmatamento se estendem a todos os biomas.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que os presidentes dos Estados Unidos e da China não têm o direito de se reunir e impor ao planeta o que desejam fazer em relação ao meio ambiente. Segundo ela, o esforço brasileiro para estabelecer metas levou o presidente americano, Barack Obama, a apresentar “tímidos 17%” como meta de redução na emissão de gases de efeito estufa. Ideli observou que chegar na Conferência de Copenhague com essas duas leis aprovadas, vai fazer toda diferença.
- O presidente Obama diz: ‘Sim, nós podemos’ e o Brasil pode dizer: ‘Sim, nós fazemos’ - afirmou Ideli.
O senador Renato Casagrande disse que foi uma decisão política do governo federal assumir o compromisso voluntário de anunciar como meta a redução de 36,1% a 31,9% até 2020. Ele informou que, em conversa com os demais senadores, chegou à conclusão que, se a decisão estava tomada, não havia motivo para que não fosse institucionalizada. Assim, o limite máximo foi alterado para 38,9% através de emenda. Ele disse ainda que Marina Silva estabeleceu como submeta o percentual mínimo de 20% até 2020 para a redução na emissão de gases.

Fundo Nacional sobre Mudança do Clima
Vai à sanção presidencial proposta (PLC 284/09) aprovada no dia 25.11, em Plenário, que cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC).
Resultado da compilação de quatro projetos - entre eles um do Poder Executivo -, o fundo será vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MME) e terá como finalidade assegurar recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação à mudança do clima e aos seus efeitos.
Segundo a exposição de motivos enviada pelo Palácio do Planalto, o fundo constitui instrumento fundamental para a viabilização da Política e do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.
O fundo terá como fonte de recursos, além de dotações orçamentárias, doações e empréstimos, entre outros. Será administrado por um comitê gestor vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que o coordenará, e cuja competência e composição serão estabelecidos em regulamento, assegurada a participação de seis representantes do Poder Executivo e cinco do setor não governamental.

Copenhague
A pressa para a aprovação do fundo tem um motivo: os senadores querem levar a nova lei para a reunião da Convenção do Clima ( COP 15 ), em Copenhague, Dinamarca, no início de dezembro, e apresentá-la como compromisso brasileiro para a redução das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Falta ainda a aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PLC 283/09) pelo Plenário da Câmara dos Deputados, antes que seja enviada à sanção do Poder Executivo. A proposta também foi aprovada no Plenário do Senado nesta quarta, mas como sofreu alterações de mérito, deverá passar novamente pelo crivo dos deputados.

2º inventário da emissão de carbono será divulgado em 2011
O segundo inventário brasileiro de emissões de carbono, que englobará o período de 1990-2000, estará concluído em março de 2011, dentro do prazo legal estipulado anteriormente em convenções internacionais sobre o clima. O documento, que já conta com resultados preliminares, será submetido à consulta pública entre janeiro e julho de 2010. Nos seis meses seguintes, serão consolidados os relatórios setoriais visando à divulgação final dos resultados da pesquisa, que contemplará as áreas de energia, processos industriais, agropecuária, mudança no uso da terra e florestas e tratamento de resíduos.
As informações são do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente(CMA) para explicar a elaboração do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa.  A reunião foi presidida pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), autor do requerimento para a realização do debate.
O primeiro inventário brasileiro de emissões de carbono, de 2004, englobou o período de 1990 a 1994, explicou o ministro, ressaltando que em 1990 o país registrou emissão de 1,5 gigatonelada de carbono, sendo que 59% do total resultaram de mudanças no uso da terra e florestas, sobretudo o desmatamento.
- As variações são pequenas de ano para ano. Não se tinha ainda toda a ciência e tecnologia para fazer inventário. Isso não é ciência exata e está em constante evolução. Portanto, o inventário é ciência e tecnologia em desenvolvimento - afirmou.
Sergio Rezende explicou que os especialistas e as entidades envolvidos na elaboração do atual inventário não trabalham tendo em mente o “calendário”, referindo-se a comentários da imprensa de que a falta de um levantamento das emissões de carbono poderá prejudicar a participação do Brasil na 15ª Conferência das Partes ( COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a ser realizada na segunda quinzena de dezembro, na Dinamarca.
- Nossa equipe trabalha há quatro meses com dados preliminares. São confiáveis mais que qualquer estimativa, e são próximos aos números com que o governo vem trabalhando. O que o governo tem feito até agora para fazer estimativa se baseia dentro da tolerância de dados que estamos utilizando - afirmou.
O ministro destacou ainda que o governo brasileiro está levando a Copenhague o compromisso voluntário de, em 2020, em vez de emitir 2,7 gigatoneladas de carbono, emitir 1,7 gigatonelada, “ou uma gigatonelada a menos”. Essa estimativa, segundo ele, “depende de vários cenários que estão sendo estudados”. Em 2005, a emissão de carbono foi de 2,2 gigatoneladas.

Correções
Sergio Rezende explicou ainda que os dados do inventário anterior sempre sofrem correções, “é como se fosse um PIB [Produto Interno Bruto], que é corrigido dois anos depois com informações novas”. O ministro disse ainda que o percentual de emissão dos gases varia de acordo com a atividade produtiva de cada setor.
Na queima de combustível, por exemplo, predomina a geração de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Na indústria de produtos minerais, por sua vez, prevalece a geração de dióxido de carbono, enquanto os hidrofluorcarbonos e o hexafluoreto de enxofre sobressaem na indústria de refrigeração, espumas e equipamentos elétricos.
Sergio Rezende explicou ainda que para cada região (polígono) do país, a exemplo da Amazônia e do Cerrado, é feito um levantamento detalhado, onde se vêem os níveis de emissão e até de absorção de carbono, em decorrência de eventual reflorestamento ou recomposição natural da mata.
- O desmatamento muda de ano para ano, houve pique em 1995, em 2004, o que acaba produzindo variação maior de emissões de carbono - afirmou.
O ministro disse que o modo de fazer agropecuária também pode colaborar de forma decisiva para a redução do desmatamento, lembrando que o Brasil tem dado exemplo no setor, citando projetos detratamento dos dejetos da suinocultura.
- É possível fazer produção agropecuária com menor teor de carbono, é possível emitir menos carbono com matriz energética mais limpa, com menos termelétricas ou termelétricas movidas a combustíveis que não provoquem o efeito estufa - afirmou.
Ao reiterar a necessidade de investimentos em pesquisa de ponta, Sérgio Rezende lembrou que o Brasil desenvolveu bactéria que fixa na raiz da soja o nitrogênio, necessário para o desenvolvimento do vegetal. Além de favorecer a redução no uso de fertilizantes, a técnica contribuiu para “espalhar a soja na região Centro-Oeste”, segundo ele.
- Na [cultura] da cana não se conseguiu fazer até agora. Se conseguirmos a técnica para outras culturas de grandes extensões, teremos uma cultura de ponta. Estamos trabalhando com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] nesse sentido - afirmou.
O ministro explicou que a elaboração desse tipo de inventário foi decidida em 2002, durante convenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, os países signatários, que hoje somam 150, assumiram compromisso de fazer um levantamento das emissões, sendo que os países desenvolvidos tem a obrigação de apresentar um inventario anual (o último é de 2007), enquanto os países em desenvolvimento, como o Brasil, devem elaborar o documento em intervalos periódicos (os últimos são de 1990 ou 1994), tendo em vista a evolução do seu desenvolvimento econômico.
O inventário de gases reúne de 15 a 20 anexos, sendo editado em português, espanhol, francês e inglês, e feito com “detalhamento e transparência”, disse Sérgio Rezende. A elaboração do documento, sob a coordenação geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, conta com a participação de 700 especialistas e de 150 instituições públicas e não-governamentais, entre elas a Embrapa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e a Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), entre outras.

Desenvolvimento
Após a exposição do ministro, o senador Renato Casagrande disse acreditar que as emissões de carbono originárias da indústria e dosetor de energia tendem a crescer mais, tendo em vista o desenvolvimento futuro do Brasil.
Já o senador João Pedro (PT-AM) disse que o Brasil precisa investir em ciência e tecnologia para combater o aquecimento global. Ele defendeu ainda o envolvimento de todos os setores da sociedade para que as metas de redução anunciadas pelo governo possam ser atingidas nos próximos anos.
Por sua vez, a senadora Marina Silva (PT-AC) atribuiu a adoção das metas anunciadas pelo governo “à redução do desmatamento, à pressão da sociedade, à comunidade cientifica e aos formadores de opinião que colocaram o assunto no topo da agenda nacional o tempo todo”. A senadora pelo Acre, no entanto, avaliou como negativa a demora na elaboração do inventário e disse que o documento deveria ser divulgado anualmente.
Em resposta, Sérgio Rezende apontou dificuldades na avaliação anual de emissão em alguns setores.
- Essa é a razão pela qual na convenção se exigem os dados dos últimos quatro anos. Temos plenas condições de ter a cada ano estimativas, e os números detalhados à medida de suas atualizações. É perfeitamente possível pegar dados e fazer interpolações anuais - afirmou.
O ministro da Ciência e Tecnologia disse que o inventário terá 20 documentos setoriais.

Agência Senado - Ricardo Icassatti, Valéria Castanho, Paulo Sérgio Vasco

quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

A China, o maior emissor de gases que causam o efeito estufa, anunciou pela primeira vez uma meta de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, a duas semanas da reunião global sobre clima em Copenhague. Segundo a agência oficial Xinhua, o país cortará, até 2020, sua “intensidade de carbono” em entre 40% a 45%, comparada aos níveis de 2005.
A “intensidade de carbono”, uma mensuração própria do país, corresponde ao montante de dióxido de carbono emitido para cada unidade de seu Produto Interno Bruto (PIB).
As autoridades dizem que a meta obedece “às condições nacionais” da China, um país emergente que vê o corte de emissões como uma ameaça ao seu crescimento econômico.
Ainda assim, especialistas fazem a ressalva de que ela não necessariamente levará a uma redução absoluta das emissões.
O anúncio veio a público um dia após os Estados Unidos confirmarem que vão oferecer, no encontro na Dinamarca, um corte de 17% nas suas emissões de carbono até 2020, em comparação aos níveis de 2005 – menos do que o desejado por cientistas e os países europeus
A Casa Branca confirmou na quarta-feira que o presidente americano, Barack Obama, estará presente no encontro, assim como o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que confirmou sua ida nesta quinta-feira.
A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.

Redução de emissões
Entretanto, analistas creem que a meta anunciada pela China não necessariamente significará uma redução nas emissões.
O cálculo chinês é o único a utilizar a mensuração de intensidade de carbono, ou seja, a quantidade de CO2 emitido por cada unidade do produto interno.
O compromisso chinês é tornar as suas fábricas e sua infra-estrutura de energia mais eficientes na utilização de combustível, o que produziria menos gases causadores do efeito estufa, explica o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville. Mas isto não significa que os níveis absolutos de carbono seriam reduzidos, observa o correspondente.
“Esta é uma ação voluntária tomada pelo governo chinês com base nas suas próprias condições nacionais e uma grande contribuição com os esforços globais de combate à mudança climática”, afirmou o governo chinês em um comunicado reproduzido na agência oficial.
Na semana passada, o grupo de cooperação dos países da Ásia-Pacífico, Apec, liderado pela China e os EUA, havia decidido adiar para o ano que vem a definição de um acordo mundial sobre o clima.
O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, defende que a reunião de Copenhague defina acordos políticos sobre cortes de emissões dos países ricos e ações a serem adotadas por nações pobres e emergentes, com as metas obrigatórias sendo definidas em novas negociações em 2010.

BBC Brasi

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domingo, novembro 22nd, 2009 | Author: admin

Os oceanos têm um papel fundamental na regulagem climática, absorvendo cerca de um quarto de todo o dióxido de carbono lançado pela ação humana. Agora, o primeiro levantamento ano a ano desse mecanismo desde a Revolução Industrial indica que os oceanos estão sofrendo para acompanhar o aumento nas emissões.
A consequência, apontam, poderá ser desastrosa para o clima no futuro do planeta. A pesquisa, feita nos Estados Unidos, foi publicada na edição desta quinta-feira (19/11) da revista Nature.
Samar Khatiwala, da Universidade Columbia, e colegas estimaram que os oceanos absorveram um recorde de 2,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono resultantes da queima de combustíveis fósseis em 2008. Mas, com o aumento na quantidade total de emissões, a proporção absorvida pelos oceanos desde 2000 caiu em cerca de 10%.
Modelos climáticos desenvolvidos anteriormente haviam previsto uma diminuição nesse processo, mas o novo estudo é o primeiro a quantificar essa queda.
Enquanto trabalhos anteriores haviam atribuído a mudança à diminuição do ozônio na estratosfera e a alterações na circulação oceânica induzidas pelas mudanças climáticas, a nova pesquisa sugere que o motivo é mais simples: os oceanos chegaram ao limite, tanto físico como químico, de sua capacidade de absorver o dióxido de carbono.
“Quanto mais dióxido de carbono, mais ácido fica o oceano, reduzindo a capacidade de manter o CO2”, disse Khatiwala. “Por causa dessa consequência, com o tempo o oceano se torna um repositório menos eficiente do carbono antrópico. A surpresa é que podemos estar diante das primeiras evidências disso, talvez combinado com a circulação mais lenta por causa do aumento nas emissões.”
Segundo o estudo, o acúmulo de carbono industrial nos oceanos aumentou enormemente na década de 1950, à medida que os oceanos passaram a tentar acompanhar o ritmo acelerado das emissões em todo o mundo.
As emissões continuaram a crescer e, no ano 2000, atingiram tal volume que os oceanos passaram a absorver menos CO2 proporcionalmente, ainda que o total em peso tenha continuado a aumentar. Hoje, segundo a pesquisa, os oceanos mantêm cerca de 150 bilhões de toneladas de carbono industrial, um terço a mais do que em meados da década de 1990.
Cerca de 40% do carbono entra nos oceanos por meio das águas geladas próximas à Antártica, porque o dióxido de carbono se dissolve mais rapidamente nas águas mais frias e mais densas do que nas mais quentes. Dali, as correntes transportam o carbono para o norte do planeta.
O artigo Reconstruction of the history of anthropogenic CO2 concentrations in the ocean, de Samar Khatiwala e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Agência Fapesp