facts and data on biofuels… Bioetanol

In this page, we will publish some data and facts about biofuels, Amazon forest, arable lands for food and for energy, and other related subjects, concerning Brazil and other countries and continents

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1. BIOETANOL - CANA-DE-AÇÚCAR
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CANA-DE-AÇÚCAR, FÁBRICA DE ENERGIA


CANA-DE-AÇÚCAR, planta originária do  Sudeste Asiático, foi  trazida para o Brasil   no século 16,   início do período colonial, para produzir açúcar.

Primeiro, manchou o solo brasileiro com a escravidão.
Por ela, estabeleceu-se o latifúndio e a monocultura.
O plantio intensivo exauriu os solos brasileiros.

Mas o longo convívio entre os brasileiros e a cana-de-açúcar acabou por transformá-la no “ouro verde” do século XXI.

Histórico da Cana-deAçúcar no Brasil


A cana-de-açúcar pertence ao gênero Saccharum L.. e compreende seis variedades (S. spontaneum, S. robustum, S. officinarum, S. barberi, S. sinense, S. edule), todas provenientes do Sudeste Asiático. Foi trazida para o Brasil em meados do século XVI, pelos colonizadores portugueses, para produzir açúcar. As primeiras mudas chegaram com a expedição de Martim Afonso de Souza, em 1532, trazidas por embarcações à região litorânea do Brasil.

Seu plantio foi introduzido no Brasil para produzir açúcar, em substituição ao da beterraba, mas também para começar o povoamento do Brasil, então visado por inúmeras invasões.

A economia do Brasil viveu vários ciclos ao longo da história. Em cada ciclo, um setor produtivo era privilegiado em detrimento de outros, provocando sucessivas mudanças sociais, políticas e culturais na sociedade brasileira.

O cultivo da cana-de-açúcar constituiu o segundo ciclo econômico do Brasil Colônia, que durou do século XVI até o século XIX. Concentrado em regiões costeiras, tornou-se a base da economia do nordeste brasileiro.

O plantio da cana adotou o latifúndio como estrutura fundiária, a monocultura como método agrícola, e introduziu a mão-de-obra escrava, primeiro, de indígenas; em seguida escravos trazidos da África.O período de maior crescimento foi o século XVII. Com o tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência e foi praticamente substituído pelas usinas.

Os regimes de trabalho na cultura da cana eram muito forçados. Na colheita, os trabalhadores escravos trabalhavam até 18 horas diárias. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico negreiro, interrompido só em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós.

Como heranças negativas para a colônia, o ciclo da cana-de-açúcar deixou a vergonha do escravagismo, só extinto em definitivo em 1888, com a Lei de Abolição da Escravatura. Deixou também os solos exauridos. Cultivada em regime de monocultura intensiva, a cana-de-açúcar extraía do solo nutrientes importantes.

Cana-de-etanol, o novo ciclo da cana-de-açúcar no Brasil

O que poderíamos chamar do “novo ciclo da cana” – para produzir tanto o açúcar, como o etanol combustível – teve início nos anos 1970, a partir do primeiro choque do petróleo (1973), embora bem antes, em diferentes momentos, pesquisadores brasileiros tenham realizado experimentos pioneiros com etanol combustível.

No Brasil os primeiros registros de experimentos com etanol datam da década 1920. Até o início do século XX, o etanol era um mero subproduto da cana de-açúcar, com baixo valor comercial. Nas décadas de 1920 e 1930, devido ao baixo preço do açúcar no mercado internacional, 3% a 10% de etanol foram adicionados à gasolina, por diversas vezes.
Em 1925 foi realizado o primeiro experimento com um veículo a álcool, que viajou de São Paulo ao Rio de Janeiro.

Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), diante do racionamento de combustível, a mistura de etanol com gasolina foi novamente usada, com resultados satisfatórios.

Programa Nacional do Álcool - Pró-Álcool


Em 1973, quando ocorreu o primeiro grande choque mundial do petróleo, o
Brasil comprava 80% do petróleo consumido. Com a alta de preços entre 1973 e 1974, o país teve que enfrentar o crescimento da importação que passou de US$ 600 milhões para mais de US$ 22 bilhões.

Diante da crise, o governo militar do General Ernesto Geisel anunciou em 1975 a criação do Programa Nacional do Álcool (Pro-Álcool), para reduzir a dependência brasileira do petróleo importado. Elaborado pelo secretário de Tecnologia Industrial do governo Geisel,
João Bautista Vidal, e implementado pelo Ministro de Indústria e Comércio, João Camilo Penna, o Pró-Álcool
oferecia incentivos fiscais para compradores de veículos a álcool (100% álcool).

A política energética do governo determinava a adição do álcool anidro à gasolina, o aumento progressivo dessa mistura de 10% até 25% (mistura atual), a produção e comercialização de álcool 100% hidratado para uso em carros de passageiros e veículos comerciais leves, e restrição do uso do diesel apenas para ônibus e caminhões.

O uso de misturas etanol-gasolina passou a fazer parte de uma estratégia nacional de substituição energética. O rápido aumento do teor médio de etanol adicionado à gasolina - de 5% em 1977 a 20% em 1981 - exigiu esforços da indústria automobilística para compatibilizar os veículos com o combustível usado.ço.


ETANOL

É o nome técnico do álcool etílico combustível. Pode ser produzido a partir de várias matérias-primas. É fonte de energia natural, limpa, renovável, sustentável e mais democrática que os combustíveis fósseis (derivados do petróleo). No Brasil são produzidos a partir da cana-de-açúcar:

* o etanol anidro (com 0,5% de água), misturado à gasolina, numa proporção que varia de 20% a 25%;
* o etanol hidratado, com 5% de água, que abastece os automóveis e motos flex.

O etanol anidro é aquele adicionado à gasolina, enquanto o hidratado é o etanol vendido nos postos de combustíveis. O etanol hidratado sai diretamente das colunas de destilação das usinas produtoras. O anidro - produzido a partir do hidratado - passa por um processo adicional que retira a maior parte da água presente.

No final dos anos 1970, um novo salto tecnológico permitiu o lançamento do 1° veículo a álcool. Em 19 de setembro de 1979, o governo e indústria automobilística brasileira assinaram um acordo - Protocolo de Entendimento com a Anfavea (Associação Nacional de Veículos Automotores) – comprometendo-se a unir esforços para desenvolver veículos movidos a 100% de etanol hidratado.

Durante os anos 1980, os veículos a álcool ganharam maior participação na frota nacional. De 2.271 veículos a álcool em 1979 a produção saltou para 578.177 em 1985 (96% das vendas do segmento). Chegaram a representar quase 100% das vendas até 1988.
No início dos anos 90, porém, a falta de álcool nas bombas levou os consumidores de volta ao uso da gasolina, e os fabricantes rapidamente alteraram suas linhas de produção. O abastecimento de etanol foi normalizado e o preço se estabilizou a um nível baixo (50% do preço da gasolina).

Mudanças climáticas, a Rio-92 e o etanol brasileiro

Simultaneamente nos anos 90, porém, as mudanças climáticas passaram a ser consideradas um problema ambiental internacional, e sua gravidade foi destacada durante a Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada em junho de 1992, no Rio de Janeiro (Rio-92).

Cientistas revelaram ao mundo o “efeito estufa”: o aquecimento da atmosfera causado pelo excesso de gases - sobretudo o dióxido de carbono (CO2), o metano e óxidos de nitrogênio - resultantes da queima de combustíveis fósseis, da agricultura e de aterros de lixo. Estes gases, em excesso na atmosfera, impediam que a energia do sol voltasse para o espaço depois de ter atingido a superfície terrestre, como se estivesse presa numa espécie de estufa.
Durante a Conferência no Rio de Janeiro, 192 países assinaram e adotaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC, na sigla em inglês), como base para um esforço global para solucionar o “efeito estufa”.O objetivo máximo desta Convenção é estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, para evitar interferências humanas perigosas no sistema climático.
Em 1997, 183 países-membros assinaram o Protocolo de Quioto, anexo à Convenção sobre Mudanças Climáticas, estabelecendo metas para redução das emissões dos gases de efeito estufa. O Protocolo tem validade até 2012, e deverá ser renegociado em dezembro de 2009 em Copenhague, Dinamarca, durante a COP15.

A partir do alerta, durante a Rio-92, cientistas, ONGs e líderes políticos em âmbito nacional e internacional passaram a valorizar mais os combustíveis “renováveis” e o etanol começou a ter destaque na mídia.

Etanol X Gasolina

Os novos aumentos “explosivos” dos preços do barril do petróleo, nos anos 1990, mas já somados a uma nova e crescente preocupação mundial: as emissões dos gases de efeito estufa e as mudanças climáticas, abriram uma “nova era” para o etanol de cana-de-açúcar, produzido no Brasil.

A longa convivência dos brasileiros com a cana-de-açúcar, ao longo de cinco séculos, já tinham transformado o Brasil no maior produtor e exportador mundial de açúcar, posição que o país ocupa até hoje.

O conhecimento acumulado por cientistas altamente qualificados, ligados à Coopersucar, às universidades, ao Centro de Tecnologia Canavieira e a outras instituições e empresas, assegurou o contínuo aperfeiçoamento vegetal de mais de 100 variedades de cana-de-açúcar.

A pesquisa científica e empresarial, somada à experiência econômica e política adquirida com o Pró-Álcool, e à criatividade brasileira fizeram com que o Brasil atingisse o patamar atual: o de pioneiro no desenvolvimento do 1º biocombustível realmente renovável e sustentável, o etanol de cana-de-açúcar.

Motores “flex fuel”, um novo paradigma

A somatória de todas estas experiências desencadeou o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora na indústria automobilística: o motor “flex fuel”, que roda tanto com gasolina como com etanol, separadamente ou misturados.

Comparando as leituras dos sensores existentes no veículo com um banco de dados, o computador de bordo reconhece qual combustível está sendo usado e ajusta os parâmetros de combustão, sem necessidade de interferência do motorista.

Em 1992, as indústrias GM do Brasil e Robert Bosch iniciaram pesquisas para desenvolver o primeiro veículo brasileiro a utilizar um motor “flex fuel”

No início dos anos 2000, a indústria automobilística lançou o conceito “flex fuel” no Brasil, otimizando uma tecnologia já existente nos EUA. Em 30 de março de 2003, ocorreu o lançamento dos veículos “flex fuel”, projetados para serem abastecidos com gasolina, etanol hidratado ou qualquer mistura destes dois combustíveis.

O maior valor de revenda do veículo flex também se tornou fator determinante para grande massa de consumidores . Pode-se rodar com os veículos “flex fuel”por todo o Brasil: hoje, todo e qualquer posto de combustíveis possui pelo menos uma bomba de etanol.

Os veículos“flex fuel” vieram para ficar. Em 2009 representam 85% das vendas da indústria automobilística brasileira. Hoje, o Brasil possui, em âmbito mundial, a maior frota de veículos com motor flex-fuel, aí incluídos carros de passeio, veículos utilitários leves e motocicletas. Os carros flex transformaram a matriz energética do País, fazendo com que a energia produzida a partir da cana-de-açúcar superasse a tradicional energia hidráulica e a eletricidade. A tecnologia nacional tem atraído interesses internacionais.
Nos EUA e na Europa, os carros denominados flex utilizam 15% de gasolina e 85% de etanol, proveniente do milho, beterraba e grãos.

Em recente visita ao Brasil, a chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu a possibilidade de ter carros a etanol na Alemanha. França e Suécia já produzem automóveis com motores importados da filial fluminense da PSA Peugeot Citroën.

Em 2009, a quantidade de veículos equipados com o sistema flex fuel no Brasil supera 5 milhões unidades, marca atingida em 6 de março de 2009. Os veículos bicombustíveis já representam 88% das vendas, segundo a Anfavea. Hoje, 97% dos carros produzidos são flex fluel. Em 2020, os modelos flex fuel somarão 75% da frota nacional.

No Brasil, a proporção de bioetanol usada no combustível de meios de transportes já é de 50% , muito mais elevada do que os 7% nos EUA, 2% na China, e 1% na Europa, situando o Brasil num nítido primeiro lugar em âmbito global.

Etanol do Brasil é produzido sem subsídios

Não há qualquer subsídio governamental para a produção de açúcar ou etanol no Brasil. O setor trabalha com os preços liberados desde o início de 1999, sem qualquer controle estatal sobre a produção, distribuição ou comercialização da cana, do açúcar ou do etanol.
Os preços são livres e determinados pelas regras de mercado. As importações e exportações de açúcar e etanol são livres e realizadas por conta e risco dos empresários envolvidos, não existindo barreiras tarifárias a exportações ou importações.

O etanol e a matriz energética do Brasil

Existem ao todo, no Brasil, cerca de 400 usinas em funcionamento, das quais 119 são associadas à União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). O consumo de etanol no Brasil tem registrado crescimento contínuo, sustentado principalmente pelo aumento da frota de veículos flex fuel.

Em 2007, o volume de etanol foi equivalente a 44% do consumo de combustíveis líquidos pelos automóveis e veículos comerciais leves capazes de consumir etanol e/ou gasolina, e 40% do total de combustíveis consumidos por veículos comerciais leves no País.
No Brasil de 2009, a cana-de-açúcar não é apenas mais um produto agrícola, mas o principal tipo de biomassa energética, base para todo o agronegócio sucroenergético, representado hoje por quase 400 indústrias de açúcar e álcool, e 1 milhão de empregos diretos e indiretos em todo o País.

O etanol e o bagaço da cana-de-açúcar (resíduo utilizado na produção de energia térmica e eletricidade nas usinas), responderam conjuntamente por 15% da oferta interna de energia.
Além dos benefícios para a economia e o meio ambiente, a produção doméstica do etanol representa, desde 1975, uma poupança de divisas para o Brasil de US$ 85.8 bilhões (base 2007, fonte Datagro).

Produção de cana-de-açúcar para etanol e açúcar no Brasil

1995 - 12,6 bilhões de litros

2008 - 27 bilhões de litros aproximadamente

Produtividade: 7.000 litros de etanol por hectare plantado de cana

Sustentabilidade do etanol de cana-de-açúcar:

os brasileiros estão fazendo sua lição de casa

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), com base em análises realizadas em todo o ciclo de vida do etanol de cana - desde o plantio até o veículo abastecido - a produção e a utilização do etanol ajudam a reduzir em até 90% as emissões de gases causadores de efeito estufa, em comparação com a gasolina.

Se 10% da gasolina do mundo tivesse etanol em sua formulação, deixariam de ser emitidas por ano 530 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a 1 milhão de árvores em pé.

A produção e o uso de etanol de cana-de -açúcar, é uma importante ferramenta no combate ao aquecimento global, uma vez que se estima que cerca de 45 milhões de toneladas de dióxido de carbono deixaram de ser emitidas no Brasil desde 2003, quando foram lançados os veículos flex fuel.

Desde a década de 1970 o uso do etanol de cana produziu uma redução estimada de 600 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Para atingir uma economia semelhante seria necessário plantar pelo menos 2 bilhões de árvores.
(Dados da Unica)

Dados relativos ao Estado de S. Paulo - que é responsável por 60% de todo o cultivo da cana-de-açúcar do País - revelam que entre 2004 e 2008, a frota de veículos flex fuel no Estado evitou a emissão de cerca de 35 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A contribuição ambiental garantida pela utilização do etanol por essa frota equivale ao plantio de cerca de 110 milhões de árvores. (dados apresentados pelo governador do Estado de S. Paulo, José Serra, durante evento sobre o etanol, junho de 2009).

Biocombustíveis produzidos de modo sustentável podem e devem fazer parte de um leque de soluções para desafios como a segurança energética e o aquecimento global.

A cana-de-açúcar é a matéria-prima mais competitiva para a produção de etanol com as tecnologias existentes. Apresenta vantagens consideráveis sobre alternativas como o milho, o trigo e a beterraba, quanto aos balanços energético e ambiental, produtividade e eficiência em termos de custos.

1. Uso da terra

O Brasil pode liderar a agricultura de energia e o mercado de biocombustíveis em escala mundial. A área agrícola e a área com potencial agricultável no Brasil permitem dedicar novas terras a essa atividade, sem que para isso seja necessário ampliar a área desmatada, nem reduzir a área utilizada na produção de alimentos.

Extensão Territorial Brasileira: 851 milhões de hectares

Área agrícola atual no Brasil: 70 milhões de hectares (ha) aprox.

Área com potencial agricultável (IBGE):
133 milhões de ha

Área total atual plantada com cana-de-açúcar: 6,2 milhões de hectares  -   apenas 1% das terras cultiváveis do País

As plantações de cana-de-açúcar concentram-se nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País, responsáveis por cerca de 90% da produção canavieira do Brasil. O Estado de S. Paulo responde por 60% de toda a cana-de-açúcar produzida no Brasil.

Expansão da cultura da cana-de-açúcar

O cultivo da cana de açúcar está em expansão principalmente na região Centro-Sul – sobretudo nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Esta região, como o estado de S. Paulo, já dispõe de infra-estrutura logística para o escoamento tanto da produção de açúcar como de etanol .

É possível dobrar a área agrícola nacional apenas recuperando com a agricultura as pastagens degradadas

Um incremento de apenas 2% na produtividade pecuária permitiria dobrar a produção de etanol de cana-de-açúcar sem levar em conta qualquer melhoria de produtividade, nem qualquer efeito indireto de uso da terra.

A cana-de-açúcar não vai se expandir na Floresta Amazônica


A maior parte da cana-de-açúcar direcionada para a produção do etanol (90%) é cultivada e colhida no Centro-Sul do Brasil, uma região situada a mais de 2.500 quilômetros (1,550 milhas) da Amazônia. Os 10% restantes são cultivados na região Nordeste, também situada a mais de 2.000 quilômetros da fronteira oriental da Amazônia.

A Amazônia não oferece as condições de solo e clima favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar em escala comercial/industrial.

Condições que favorecem a produtividade da cana:
* existência de estação seca demarcada (na Amazônia chove diariamente);

* temperaturas mínimas superiores a 18 °C e temperaturas máximas inferiores a 45 °C.

A expansão da cana-de-açúcar no Brasil também não empurra outras atividades na direção da Floresta Amazônica. Segundo dados comprováveis do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), cerca de 65% da expansão recente das plantações de cana têm ocorrido sobre pastagens – geralmente degradadas – nas regiões Centro e Sudeste do Brasil.

b) Redução da poluição do ar, da água e do solo

A indústria do etanol de cana-de-açúcar, concentrada sobretudo no interior do Estado de S. Paulo, tem se tornado cada vez mais sustentável, adotando políticas de preservação ambiental que são exemplos mundiais na agricultura.

Atualmente, no Estado de S. Paulo, tanto o bagaço, gerado em grande quantidade após o processamento da cana, quanto a palha e a vinhaça (ou vinhoto), deixaram de ser considerados resíduos indesejáveis, e passaram a ser reaproveitados nas próprias plantações de cana-de-açúcar.

c) Protocolo verde em SP

Em 4 de junho de 2007,
o Governador do Estado de S. Paulo, os Secretários de Estado de Meio Ambiente e de Agricultura e o presidente da União da Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica) assinaram o Protocolo Agro-Ambiental, que faz parte do
Programa Etanol Verde.
O Protocolo visa premiar as boas práticas do setor sucroenergético através de um certificado de conformidade e outros benefícios. O Protocolo determina um padrão positivo a ser seguido através da publicidade ao mercado sobre o certificado concedido ao produtor, renovável periodicamente.
O documento cobre alguns dos principais pontos de redução de impactos da cultura da cana-de-açúcar – como a antecipação dos prazos de eliminação da queima da palha da cana, a proteção de nascentes e dos remanescentes florestais, o controle das erosões e o adequado gerenciamento das embalagens de agrotóxicos.
Essa política, porém, contempla unicamente o setor sucroenergético no Estado de S. Paulo. Ela não contempla os problemas decorrentes da expansão acelerada sobre vastas regiões e o prejuízo decorrente da substituição da agricultura variada de pequenas propriedades pela monocultura.
Tampouco existe ainda uma avaliação dos impactos ambientais da
implantação de novas unidades industriais sobre a fauna e a flora nas regiões de expansão da cana, em função da construção da infra-estrutura, da implementação de vias de acesso e da movimentação de veículos.

d) Queimadas no fim

As queimadas são praticadas antes do corte para a retirada das folhas secas, a fim de facilitar a colheita manual da cana.
Controladas ou não, as queimadas causam liberação do CO2e fuligem para a atmosfera, afetando o sistema respiratório (causando reações alérgicas e inflamatórias) dos habitantes das
cidades circundadas por essa monocultura. Como efeito secundário, aumentam as despesas públicas com saúde nos municípios afetados.
As queimadas afetam também as atividades fotossintéticas dos vegetais, aumentando o consumo de água e reduzindo as possibilidades de receitas adicionais no mercado de carbono.
Esta prática
elimina a cobertura vegetal do solo, favorecendo a erosão, especialmente em áreas em declive, além de acarretar maior uso de agrotóxicos, especialmente de herbicidas, podendo afetar microorganismos benéficos do solo e mananciais.
Existe já um movimento em direção à mecanização da colheita, decorrente também da assinatura do Protocolo Verde, que prevê o fim das queimadas até 2014.
A eliminação das queimadas permitirá maximizar os benefícios da cana para a desaceleração do processo de aquecimento global

Por outro lado, a adoção de sistemas de lavagem de gases reduzirá a emissão de gases de efeito estufa da caldeira.

e) Vinhaça ou vinhoto, uso como fertilizante

Subproduto da produção de etanol, a vinhaça contém elevados teores de potássio, água e outros nutrientes. A vinhaça recupera a fertilidade do solo (elevação do pH, aumento da capacidade de troca catiônica, melhoria na estrutura do solo), e é empregada para irrigar o campo.

f) Bagaço, eletricidade e celulose para o etanol de 2ª geração

A quantidade do bagaço produzida é muito elevada (aproximadamente 30% da cana moída). Esta biomassa já chegou a ser considerada resíduo indesejado.

Atualmente, ele está sendo queimado para geração de eletricidade, tanto para uso das usinas (o maior volume) e em volume menor, vendido para a rede elétrica, para co-geração. Atualmente, apenas 3,000 MW são vendidos para a rede elétrica nacional, que representa 3% da matriz energética nacional. A capacidade instalada deste setor atinge 5,300 MW.

A bioeletricidade que pode ser gerada a partir do bagaço e da palha da cana apresenta um potencial equivalente à metade da geração de energia da Hidrelétrica de Itaipu .

De acordo com vários estudos realizados, o potencial de geração de eletricidade a partir de bagaço de cana no Brasil está estimado em aproximadamente 4.000 MW com tecnologias comercialmente disponíveis.

Bagaço para etanol de 2ª geração, o etanol celulósico

Em junho de 2009, a indústria de enzimas Novozymes previu um “boom” para o bagaço de cana brasileiro. Mirando já o mercado do etanol de segunda geração, o etanol celulósico. Segundo esta empresa, o Brasil poderia produzir até 8 bilhões de litros de bioetanol a partir do bagaço em 2020, o que representaria uma renda de exportação adicional para o País de US$4 bilhões (ou €4.6 bilhões).

Créditos de carbono

Diversas usinas brasileiras já comercializam créditos de carbono, dada a eficiência ambiental da cana-de-açúcar.  A enorme quantidade de evidência científica deixa claro que particularmente a cana-de-açúcar retém quantias significantes de carbono acima e abaixo do solo. Os fatores de emissões de carbono para a cana-de-açúcar representam uma atualização importante sobre a retenção total de carbono quando a cana substitui pastos e outras matas.
Em época de renovação do cultivo, a cada quatro ou cinco anos, são efetuados plantios de leguminosas (soja) que recuperam o solo pela fixação de nitrogênio.


3. Uso da água

A captação de água para o cultivo da cana e pelas indústrias, outra fonte de preocupação entre ambientalistas, vem sendo reduzida em função do aperfeiçoamento dos controles internos e do reuso. Além disso, a água contida na vinhaça também é reciclada e utilizada no processo industrial.

4. Sustentabilidade Social

O setor sucroenergético é responsável, em todo o Brasil, pelo emprego direto de mais de 800 mil trabalhadores, e mais de 900 mil empregos indiretos, sem levar em consideração a cadeia produtiva do setor de bens de capitais e bens intermediários.

Os cortadores de cana são, na maioria, migrantes principalmente do Nordeste e Vale do Jequitinhonha,. analfabetos (em 2005, de 519 mil trabalhadores da cana, 150 mil eram analfabetos), de baixa remuneração para o extenuante trabalho de corte manual da cana.
O fim das queimadas e a crescente mecanização da colheita da cana vai eliminar o emprego de milhares de cortadores de cana-de-açúcar.
No Estado de S. Paulo, a colheita já é mecanizada em metade das propriedades canavieiras, e as usinas mais novas buscam a mecanização total.

Compromisso Nacional Trabalhista

Em 25 de junho de 2009 foi firmado em Brasília o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar. O lançamento do novo Compromisso contou com a participação do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do secretário da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antonio Lucas, e d presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Élio Neves. Das quase 400 usinas em atividade no Brasil, 303 aderiram, 107 delas em São Paulo (associadas à União da Indústria da Cana-de-Açúcar, Única). Andre Rocha, representou no evento o Fórum Nacional Sucroenergético.

Assinar o termo de adesão significa para as usinas cumprir um conjunto de cerca de 30 práticas empresariais exemplares, que em seu conjunto extrapolam as obrigações estabelecidas na lei. O compromisso prevê a recolocação de cortadores de cana na cadeia produtiva (tratoristas, operadores) e em outras atividades produtivas. Cada usina participante receberá ainda um certificado de conformidade.

A alma do compromisso é a valorização das melhores práticas trabalhistas por meio da criação de instrumentos de mercado, que as reconheçam como exemplos a serem adotados pelas empresas: “Optamos por elevar os padrões médios de conduta com ações pró-ativas e transparentes, em vez de ficarmos destacando as exceções, que sempre existirão em setores desta magnitude ”, afirmou na data de lançamento o presidente da Única, Marcos Jank.


São Paulo, 31/08/2009

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