segunda-feira, janeiro 25th, 2010 | Author: admin

Dirigentes das quatro principais instituições finlandesas de pesquisa e desenvolvimento visitaram a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – com o objetivo de conhecer as políticas do Governo Federal nos campos da energia e encontrar assuntos de interesse comum que possam ser objeto de projetos conjuntos.
Academia da Finlândia (AKA), o Fundo Finlandês para Inovação (SITRA), o Centro de Pesquisa Tecnológica da Finlândia (VTT) e a Agência Finlandesa de Financiamento de Tecnologia e Inovação (TEKES) formam o Fórum de Pesquisa e Tecnologia que é o colegiado mais importante da implementação da política de Ciência e Tecnologia naquele país.
José Manuel Cabral, Chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, fez uma explanação geral da matriz energética brasileira em comparação a do mundo. Em geral, 88% da energia utilizada no mundo, no ano de 2008, era proveniente de fontes não-renováveis, sendo que 35% vieram do petróleo, 25% do carvão e 21% do gás natural. No Brasil, como resultado de diversos programas governamentais, 46% de toda a energia consumida no ano passado foi gerada por fontes renováveis, com 31,5% provenientes de biomassa, sendo 16% derivados da cana-de-açúcar e 15% da energia hidráulica.
Cabral destacou os aspectos econômicos, sociais e a produção regional de culturas energéticas no Brasil. Quanto ao biodiesel, citou as matérias-primas mais utilizadas (soja, algodão e gordura animal) e as que estão em domesticação (pinhão-manso, macaúba, inajá). Atualmente, no País, todo o óleo diesel recebe 4% de biodesel, porcentual que subirá, a partir de janeiro de 2010, para 5%.
Cabral expôs ainda as pesquisas que estão em andamento na empresa para atender o Plano Nacional de Agroenergia, em especial as florestas energéticas, uma das ações de interesse dos finlandeses.
Com 76 % da sua superfície coberta por florestas, a Finlândia é o país com a maior percentagem de área florestal na Europa. A silvicultura privada desempenha um papel muito importante na Finlândia, pois entre 80 e 90 % da madeira utilizada na indústria vem das florestas privadas. Por causa do número elevado de proprietários de floresta, as propriedades são relativamente pequenas, sendo o tamanho médio de uma propriedade de apenas 26 hectares.
O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais da Finlândia na América Latina. Em 2008, cerca de 70% das exportações finlandesas para o Brasil foram de maquinaria e equipamentos de transporte, enquanto o Brasil exportou, principalmente, celulose e resíduos de papel para aquele país.
Cerca de 5,3 milhões de pessoas vivem na Finlândia, sendo que a maior parte da população está concentrada no sul do país. É o oitavo país da Europa em termos de área, com 338.145 km² e o país menos povoado da União Européia.
De acordo com o Presidente da VTT, Erkki Leppävuori, eles têm a meta de redução em 20% das emissões de gases do efeito estufa, de 20% do uso de combustíveis fósseis e também de 20% do consumo per capita de energia até 2020.
Leppävuori, também mostrou dados da utilização de energia na Finlândia, declarando que cerca de 25% da energia consumida naquele país derivam de fontes renováveis, principalmente da madeira e seus resíduos.  A expectativa para 2020 é aumentar o consumo de bioenergia em 50%, de modo a atingir cerca de 38% de energia renovável.
Nos pontos específicos para cooperação, o Diretor Geral da Academia da Finlândia, Markku Mattilla, esclareceu que existe um acordo entre a Academia e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que está financiando a execução de 6 projetos bi-nacionais em assuntos ligados ao estudo das mudanças climáticas e da melhoria das rotas tecnológicas na conversão de energia de biomassa.  Em relação à cooperação com a Embrapa, foram identificados como possíveis temas:  a elaboração de aspectos conceituais e práticos de biorrefinarias para aproveitamento integral das matérias-primas e da energia de diversos tipos de biomassas, a otimização de processos termoquímicos como a pirólise e a gaseificação de madeira e derivados, o aproveitamento de resíduos com finalidades energéticas e o desenvolvimento de instrumentos e processos para utilização de satélites em zoneamentos agro-climáticos, levantamento e quantificação da ocorrência de espécies nativas e plantadas, avaliação de riscos climáticos, entre outros.

Embrapa Agroenergia

Category: NEWS
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