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domingo, novembro 29th, 2009 | Author: admin

O Plenário do Senado aprovou o projeto de lei (PLC 283/09) que cria a Política Nacional sobre Mudança do Clima. O projeto fixa em lei o compromisso voluntário do Brasil de reduzir, até 2020, as emissões projetadas de gases de efeito estufa, dentro do limite que vai de 36,1% a 38,9%, com base nas taxas do relatório de emissão até 2005. A maneira como essa meta será alcançada, será definida em decreto presidencial. Como o projeto sofreu mudanças no Senado, voltou à Câmara dos Deputados para novo exame.
A senadora Marina Silva (PV-AC), relatora da matéria na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), apresentou emendas com destaque. A principal alteração que proposta por ela estabelecia o ano 2005 como referência para a redução das emissões até 2020, que não poderia ser inferior a 20%. Segundo ela, não é possível fazer uma lei com base numa projeção, mas nas taxas conhecidas e reais de emissão de gases.
Mas o Plenário preferiu manter o texto do senador Renato Casagrande (PSB-ES), que era o relator da matéria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na qual o projeto foi aprovado pela manhã. O relatório de Casagrande teve apoio do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e do líder do DEM, senador José Agripino (RN).
Também foi rejeitada a emenda que retira a palavra “voluntário” da proposta de Política Nacional sobre Mudança do Clima. Marina explicou que o Brasil é país voluntário no estatuto da Conferência Climática, mas a meta tem efeito vinculante e o país não poderia voltar atrás. Ela disse que aprovar a lei assim, seria uma imprecisão técnica.
Do mesmo modo foi rejeitada a emenda que determina a criação de um portal na internet para acompanhamento dos esforços brasileiros na redução da emissão de gases.
Para Marina, essa é uma maneira de garantir transparência para os resultados da política nacional e fiscalização na aplicação dos recursos. Além disso, acrescentou a senadora, todos os países farão o mesmo. Outra emenda rejeitada é a que estabelece a proteção das áreas marinhas, que são sumidouros de carbono e estão sendo destruídas. A única emenda de Marina Silva que foi aprovada é a que especifica que os planos de combate ao desmatamento se estendem a todos os biomas.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que os presidentes dos Estados Unidos e da China não têm o direito de se reunir e impor ao planeta o que desejam fazer em relação ao meio ambiente. Segundo ela, o esforço brasileiro para estabelecer metas levou o presidente americano, Barack Obama, a apresentar “tímidos 17%” como meta de redução na emissão de gases de efeito estufa. Ideli observou que chegar na Conferência de Copenhague com essas duas leis aprovadas, vai fazer toda diferença.
- O presidente Obama diz: ‘Sim, nós podemos’ e o Brasil pode dizer: ‘Sim, nós fazemos’ - afirmou Ideli.
O senador Renato Casagrande disse que foi uma decisão política do governo federal assumir o compromisso voluntário de anunciar como meta a redução de 36,1% a 31,9% até 2020. Ele informou que, em conversa com os demais senadores, chegou à conclusão que, se a decisão estava tomada, não havia motivo para que não fosse institucionalizada. Assim, o limite máximo foi alterado para 38,9% através de emenda. Ele disse ainda que Marina Silva estabeleceu como submeta o percentual mínimo de 20% até 2020 para a redução na emissão de gases.

Fundo Nacional sobre Mudança do Clima
Vai à sanção presidencial proposta (PLC 284/09) aprovada no dia 25.11, em Plenário, que cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC).
Resultado da compilação de quatro projetos - entre eles um do Poder Executivo -, o fundo será vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MME) e terá como finalidade assegurar recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação à mudança do clima e aos seus efeitos.
Segundo a exposição de motivos enviada pelo Palácio do Planalto, o fundo constitui instrumento fundamental para a viabilização da Política e do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.
O fundo terá como fonte de recursos, além de dotações orçamentárias, doações e empréstimos, entre outros. Será administrado por um comitê gestor vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que o coordenará, e cuja competência e composição serão estabelecidos em regulamento, assegurada a participação de seis representantes do Poder Executivo e cinco do setor não governamental.

Copenhague
A pressa para a aprovação do fundo tem um motivo: os senadores querem levar a nova lei para a reunião da Convenção do Clima ( COP 15 ), em Copenhague, Dinamarca, no início de dezembro, e apresentá-la como compromisso brasileiro para a redução das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Falta ainda a aprovação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PLC 283/09) pelo Plenário da Câmara dos Deputados, antes que seja enviada à sanção do Poder Executivo. A proposta também foi aprovada no Plenário do Senado nesta quarta, mas como sofreu alterações de mérito, deverá passar novamente pelo crivo dos deputados.

2º inventário da emissão de carbono será divulgado em 2011
O segundo inventário brasileiro de emissões de carbono, que englobará o período de 1990-2000, estará concluído em março de 2011, dentro do prazo legal estipulado anteriormente em convenções internacionais sobre o clima. O documento, que já conta com resultados preliminares, será submetido à consulta pública entre janeiro e julho de 2010. Nos seis meses seguintes, serão consolidados os relatórios setoriais visando à divulgação final dos resultados da pesquisa, que contemplará as áreas de energia, processos industriais, agropecuária, mudança no uso da terra e florestas e tratamento de resíduos.
As informações são do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, que participou de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente(CMA) para explicar a elaboração do Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa.  A reunião foi presidida pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), autor do requerimento para a realização do debate.
O primeiro inventário brasileiro de emissões de carbono, de 2004, englobou o período de 1990 a 1994, explicou o ministro, ressaltando que em 1990 o país registrou emissão de 1,5 gigatonelada de carbono, sendo que 59% do total resultaram de mudanças no uso da terra e florestas, sobretudo o desmatamento.
- As variações são pequenas de ano para ano. Não se tinha ainda toda a ciência e tecnologia para fazer inventário. Isso não é ciência exata e está em constante evolução. Portanto, o inventário é ciência e tecnologia em desenvolvimento - afirmou.
Sergio Rezende explicou que os especialistas e as entidades envolvidos na elaboração do atual inventário não trabalham tendo em mente o “calendário”, referindo-se a comentários da imprensa de que a falta de um levantamento das emissões de carbono poderá prejudicar a participação do Brasil na 15ª Conferência das Partes ( COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a ser realizada na segunda quinzena de dezembro, na Dinamarca.
- Nossa equipe trabalha há quatro meses com dados preliminares. São confiáveis mais que qualquer estimativa, e são próximos aos números com que o governo vem trabalhando. O que o governo tem feito até agora para fazer estimativa se baseia dentro da tolerância de dados que estamos utilizando - afirmou.
O ministro destacou ainda que o governo brasileiro está levando a Copenhague o compromisso voluntário de, em 2020, em vez de emitir 2,7 gigatoneladas de carbono, emitir 1,7 gigatonelada, “ou uma gigatonelada a menos”. Essa estimativa, segundo ele, “depende de vários cenários que estão sendo estudados”. Em 2005, a emissão de carbono foi de 2,2 gigatoneladas.

Correções
Sergio Rezende explicou ainda que os dados do inventário anterior sempre sofrem correções, “é como se fosse um PIB [Produto Interno Bruto], que é corrigido dois anos depois com informações novas”. O ministro disse ainda que o percentual de emissão dos gases varia de acordo com a atividade produtiva de cada setor.
Na queima de combustível, por exemplo, predomina a geração de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Na indústria de produtos minerais, por sua vez, prevalece a geração de dióxido de carbono, enquanto os hidrofluorcarbonos e o hexafluoreto de enxofre sobressaem na indústria de refrigeração, espumas e equipamentos elétricos.
Sergio Rezende explicou ainda que para cada região (polígono) do país, a exemplo da Amazônia e do Cerrado, é feito um levantamento detalhado, onde se vêem os níveis de emissão e até de absorção de carbono, em decorrência de eventual reflorestamento ou recomposição natural da mata.
- O desmatamento muda de ano para ano, houve pique em 1995, em 2004, o que acaba produzindo variação maior de emissões de carbono - afirmou.
O ministro disse que o modo de fazer agropecuária também pode colaborar de forma decisiva para a redução do desmatamento, lembrando que o Brasil tem dado exemplo no setor, citando projetos detratamento dos dejetos da suinocultura.
- É possível fazer produção agropecuária com menor teor de carbono, é possível emitir menos carbono com matriz energética mais limpa, com menos termelétricas ou termelétricas movidas a combustíveis que não provoquem o efeito estufa - afirmou.
Ao reiterar a necessidade de investimentos em pesquisa de ponta, Sérgio Rezende lembrou que o Brasil desenvolveu bactéria que fixa na raiz da soja o nitrogênio, necessário para o desenvolvimento do vegetal. Além de favorecer a redução no uso de fertilizantes, a técnica contribuiu para “espalhar a soja na região Centro-Oeste”, segundo ele.
- Na [cultura] da cana não se conseguiu fazer até agora. Se conseguirmos a técnica para outras culturas de grandes extensões, teremos uma cultura de ponta. Estamos trabalhando com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] nesse sentido - afirmou.
O ministro explicou que a elaboração desse tipo de inventário foi decidida em 2002, durante convenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, os países signatários, que hoje somam 150, assumiram compromisso de fazer um levantamento das emissões, sendo que os países desenvolvidos tem a obrigação de apresentar um inventario anual (o último é de 2007), enquanto os países em desenvolvimento, como o Brasil, devem elaborar o documento em intervalos periódicos (os últimos são de 1990 ou 1994), tendo em vista a evolução do seu desenvolvimento econômico.
O inventário de gases reúne de 15 a 20 anexos, sendo editado em português, espanhol, francês e inglês, e feito com “detalhamento e transparência”, disse Sérgio Rezende. A elaboração do documento, sob a coordenação geral do Ministério da Ciência e Tecnologia, conta com a participação de 700 especialistas e de 150 instituições públicas e não-governamentais, entre elas a Embrapa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e a Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim), entre outras.

Desenvolvimento
Após a exposição do ministro, o senador Renato Casagrande disse acreditar que as emissões de carbono originárias da indústria e dosetor de energia tendem a crescer mais, tendo em vista o desenvolvimento futuro do Brasil.
Já o senador João Pedro (PT-AM) disse que o Brasil precisa investir em ciência e tecnologia para combater o aquecimento global. Ele defendeu ainda o envolvimento de todos os setores da sociedade para que as metas de redução anunciadas pelo governo possam ser atingidas nos próximos anos.
Por sua vez, a senadora Marina Silva (PT-AC) atribuiu a adoção das metas anunciadas pelo governo “à redução do desmatamento, à pressão da sociedade, à comunidade cientifica e aos formadores de opinião que colocaram o assunto no topo da agenda nacional o tempo todo”. A senadora pelo Acre, no entanto, avaliou como negativa a demora na elaboração do inventário e disse que o documento deveria ser divulgado anualmente.
Em resposta, Sérgio Rezende apontou dificuldades na avaliação anual de emissão em alguns setores.
- Essa é a razão pela qual na convenção se exigem os dados dos últimos quatro anos. Temos plenas condições de ter a cada ano estimativas, e os números detalhados à medida de suas atualizações. É perfeitamente possível pegar dados e fazer interpolações anuais - afirmou.
O ministro da Ciência e Tecnologia disse que o inventário terá 20 documentos setoriais.

Agência Senado - Ricardo Icassatti, Valéria Castanho, Paulo Sérgio Vasco

domingo, novembro 29th, 2009 | Author: admin

Canadian ethanol emits 62 percent less greenhouse gas than conventional fuel, taking into consideration all stages of the fuel’s production from planting a crop to burning the fuel, a new report prepared for Canada’s biofuel industry.  “We can clearly demonstrate that we are producing a fuel that reduces greenhouse gases,” said Gordon Quaiattini, president of the Canadian Renewable Fuels Association. “The notion (of) a negative environmental result is just garbage.”

Ethanol reduces GHGs by 62%, Biodiesel by 99%

A new independent third party analysis of Canadian renewable fuel production conclusively confirms that Canadian produced ethanol and biodiesel significantly reduce greenhouse gas emissions.
Cheminfo Services Inc., a specialized environment, energy, transportation, and chemicals consulting firm was hired by the Canadian Renewable Fuels Association to analyze a sample of eight ethanol plants and three biodiesel plants in Canada. The analysis was conducted using the most recent version of the Natural Resources Canada GHGenius lifecycle assessment model for transportation fuels.
The analysis of the Canadian renewable fuel plants found:
* “On an energy basis, the results show that the reduction in fuelcycle GHG emissions from one megajoule (MJ) of ethanol (when used in an E10 fuel blend) is 62% of the fuelcycle GHG emissions for one megajoule (MJ) of gasoline.”
* “On an energy basis, the results show that the reduction in fuelcycle GHG emissions from one megajoule (MJ) of tallow biodiesel (when used in an D95/TD5 fuel blend) is 99% of the fuelcycle GHG emissions of one megajoule (MJ) of petroleum diesel.”
“This study confirms that homegrown ethanol and biodiesel deliver real and substantial greenhouse gas reductions,” says Gordon Quaiattini, President of the Canadian Renewable Fuels Association. “This is good news for the environment, this is also good news for farmers and the economy, and good news for Canadian drivers.”
The Cheminfo study is the first of its kind in Canada to draw exclusively upon Canadian renewable fuel facilities. The full study entitled, “Life Cycle Assessment of Renewable Fuel Production from Canadian Biofuel Plants for 2008-2009,” can be downloaded at http://www.greenfuels.org

sábado, novembro 28th, 2009 | Author: admin

A U.K. company originally focused on supplying materials for the solar industry has expanded to the biomass industry, providing wood chips, bamboo and palm kernel shells to customers on several eastern hemisphere continents.
Opean Energy Managing Director Odera Ume-Ezeoke said the company has offices or partners in each country it sources biomass from, which includes Ghana and Indonesia. “We started out aiming to bridge the supply gap in the clean commodity market where there appeared to be a real problem tracking down reliable supplies of silicon for solar panel production,” he said. “Now, we’ve expanded our products to focus and solve similar problems in the biomass industry by physically trading to supply our clients with the biomass they seek.”
Opean Energy was formed in 2005, Ume-Ezeoke said, but its focus on biomass didn’t begin until early 2009, when it began developing its supply chain. “In the fourth quarter of 2009 we began marketing our supplies,” he said. “We chose to expand from silicon to biomass because as clean commodities, the products shared a lot of similarities as bulk products focused on the production of clean power, and used by a mainly industrial client base. Our silicon background essentially gave us a jogging start in the industry.”
Opean supplies customers with bamboo pellets, wood chips and pellets, and palm kernel shells, a waste product of palm oil production. “Smaller quantities of items like bamboo, we have around 5,000 metric tons (5,500 tons) per month at present,” Ume-Ezeoke said. “For wood chips, pellets and palm kernel shells, we have a supply capacity of around 20,000 to 40,000 metric tons per month of each, either on a FOB (free on board) or CIF (cost insured freight) basis.”
According to Opean Energy, on an annual basis there are 3.2 million tons of palm kernel shells available in Indonesia and 3.1 million tons in Malaysia. The shells compare favorably as a boiler fuel source due to its relatively high calorific value of 4,320 Kcal/kg (16 Btus/154 lbs), abundance of supply, ease of use and per tonnage cost.
Palm kernel shells are very versatile and have multiple uses, Ume-Ezeoke added. “It can be used in its natural form for fuel at power stations, as a clean alternative to coal, to form activated carbon or to pave roads. We’re reducing emissions of EU power stations by encouraging them to burn biomass instead of coal, and also promoting and enabling enterprise in developing countries where we source our biomass from.”

Biomass Magazine, Anna Austin

sábado, novembro 28th, 2009 | Author: admin

Potencialmente viável para produção do biodiesel, a macaúba será tema central de eventos, coordenados pela Embrapa Agroenergia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), nos dias 2 e 3 de dezembro, em Minas Gerais.

No primeiro dia, o workshop Mapeamento de maciços e produtividade de macaúba reúne pesquisadores, produtores, professores e especialistas, para levantar as pesquisas atuais realizadas em maciços de macaúba nos estados de Minas Gerais e Goiás.

O evento acontece na Fundação Biominas, em Belo Horizonte, das 14 às 18 horas. Na oportunidade, serão discutidas questões como tamanho do maciço por ha, número de plantas por maciço e cachos por planta, além do peso dos cachos, produção total da planta e período de produção.

Também serão apresentados os mapeamentos realizados pela Embrapa Agroenergia, Embrapa Cerrados, pelas universidades Federal de Viçosa (UFV), Federal de Minas Gerais (UFMG) e de Estadual de Montes Claros (Unimontes), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Agronômico (IAC), Ong Trem, e pelas empresas Entaban Brasil e Usina Paradigma.

No segundo dia de evento, será realizado Dia de-Campo Manejo e processamento industrial de macaúba, na Usina Paradigma, em Jaboticatuba (MG). Na ocasião, serão apresentados pelo proprietário da Usina, Marcelo Moreira, o funcionamento da empresa e o processo de produção do óleo de macaúba. Os participantes terão a oportunidade de conhecer as etapas de produção e visitar maciços da palmeira oleífera ao entorno da usina.

Para o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Leonardo Bhering, os eventos são uma boa oportunidade para troca de informações e experiências sobre a macaúba. “Será pertinente para reunir diferentes informações já existentes em instituições de pesquisas de todo o país”, aponta.

De acordo com Bhering, a macaúba se destaca pelo seu potencial para a produção de grandes quantidades de óleo por unidade de área, além da possibilidade de utilização em sistemas agrosilvopastoris. “A palmeira tem alto potencial para produção de biodiesel, girando em torno de 4.000 litros/ha”, reforça Leonardo.

Para viabilizar a utilização comercial da macaúba e torná-la uma espécie realmente atrativa para a produção de biodiesel, a Embrapa Agroenergia tem coordenado projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que envolve essa oleaginosa. Com financiamento do Ministério da Agricultura e em parceria com a Embrapa Cerrados estão sendo realizados levantamentos da ocorrência de maciços nativos de macaúba em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Embrapa Agoenergia

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quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP aponta que o setor sucroenergético no Brasil movimenta US$ 87 bilhões por ano.  Somente as vendas de bens finais  (etanol, açúcar, bioeletricidade, levedura e aditivo e crédito de carbono, entre outros) representam 1,5% do PIB nacional, ou US$ 28,1 bilhões. O País, responsável por 50% das exportações mundiais de açúcar, pode chegar a 60% em cinco anos.
O professor Marcos Fava Neves, da FEARP, coordenador do trabalho, explica que o objetivo do estudo foi dimensionar os números de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, desde os insumos até o consumidor final, incluindo uma análise dos empregos neste segmento.
“Mesmo não sendo considerado um ano bom para o setor, a safra 2008/2009 de cana-de-açúcar foi recorde, com colheita de 568,96 milhões de toneladas, numa área de aproximadamente 8,5 milhões de hectares”, relata. “O Estado de São Paulo foi responsável por 68,6% da moagem e cana da região Centro-Sul e o Estado de Minas Gerais foi o que mais teve sua produção aumentada nos últimos cinco anos, 1,8%”.
A comercialização de um vasto leque de produtos permitiu às usinas um faturamento de cerca de US$ 23 bilhões, sendo US$ 12,4 bilhões com etanol, US$ 9,7 bilhões com açúcar, US$ 389 milhões com bioeletricidade, US$ 67 milhões com levedura, aditivos e crédito de carbono. “As exportações giraram em torno de US$ 7,9 bilhões, o que equivale a mais de 10% das exportações do agronegócio”, diz Fava Neves. Para o mercado externo foram US$ 2,37 bilhões em etanol e os principais compradores foram Estados Unidos (34%), Holanda (26%), Jamaica (8%) e El Salvador 7%.
O açúcar, com US$ 5,49 bilhões em exportações, manteve o mercado russo como o maior comprador, com 25%, seguido da Nigéria, Egito e Arábia Saudita. Na comercialização de bioeletricidade, leveduras e aditivos e créditos de carbono foram mais de US$ 450 milhões.

Produção
A cana-de-açúcar movimenta cerca de US$ 9 bilhões apenas em insumos agrícolas. A cultura responde por 14% das vendas de fertilizantes agrícolas e 9,5% dos defensivos comercializados no País em 2008. Ao mesmo tempo, cresceu  a participação dos fornecedores de cana em relação à área da própria usina. “O gasto com a produção de cana-de-açúcar nas fazendas foi em torno de US$ 11 bilhões, sendo mais de US$ 6 bilhões das próprias usinas e cerca de US$ 5 bilhões com a produção dos fornecedores de cana para as usinas”, aponta o professor da FEARP. “Isso é importante, pois melhora a distribuição de renda no setor”.
Para quantificar o faturamento das empresas que fornecem equipamentos industriais e que prestam serviços de montagens desses equipamentos para usinas, foi analisada a movimentação financeira gerada com a instalação de 29 novas unidades que começaram a produzir em 2008, sendo quatro usinas e 25 destilarias. O faturamento dessas empresas foi estimado em quase US$ 3,5 bilhões.
Além de toda movimentação dos elos de produção e comercialização do setor, existem os chamados agentes facilitadores, que na prática são os prestadores de serviço. Esse grupo, que inclui a parte de transporte e logística, além da pesquisa e desenvolvimento, movimentam mais de US$ 13 bilhões, sendo US$ 6,85 bilhões referentes a impostos agregados, onde não estão incluídos os impostos gerados pela venda de insumos agrícolas e industriais, para eliminar a dupla contagem.

Emprego
Ainda dentro dos agentes facilitadores está computada a massa salarial. Mesmo empregando mais de 4,2 milhões de pessoas direta e indiretamente, incluindo 1,43 milhões de empregos diretos formais e informais, os pesquisadores concluíram que 54% dos profissionais que passaram pelo setor em empregos formais, 692 mil pessoas finalizaram o ano de 2008 sem vínculo empregatício.
“Esse fato se repete ano a ano, devido aos empregos sazonais que são gerados no pico da safra”, afirma Fava Neves. O saldo de empregos em 2008 foi de 588.826 postos, crescimento de 2,9% em relação a 2007. “No total, somente com empregos formais foram movimentados 738 milhões de dólares com a massa salarial desses profissionais”, conclui.
De acordo como o professor, o estudo comprovou que a cadeia sucroenergética é de fundamental importância para a economia brasileira, movimenta grande quantidade de recursos, empregos, impostos e tem capacidade de interiorizar cada vez mais o desenvolvimento do País. A pesquisa Mapeamento e Quantificação do Setor Sucroenergético – 2008”, encomendada pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar de São Paulo (UNICA), foi realizada por um grupo de pesquisadores da FEARP, que integram o Centro de Pesquisa e Projetos de Marketing e Estratégia (Markestrat).

Universidade de S. Paulo - Campus de Ribeirão Preto

quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

A China, o maior emissor de gases que causam o efeito estufa, anunciou pela primeira vez uma meta de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, a duas semanas da reunião global sobre clima em Copenhague. Segundo a agência oficial Xinhua, o país cortará, até 2020, sua “intensidade de carbono” em entre 40% a 45%, comparada aos níveis de 2005.
A “intensidade de carbono”, uma mensuração própria do país, corresponde ao montante de dióxido de carbono emitido para cada unidade de seu Produto Interno Bruto (PIB).
As autoridades dizem que a meta obedece “às condições nacionais” da China, um país emergente que vê o corte de emissões como uma ameaça ao seu crescimento econômico.
Ainda assim, especialistas fazem a ressalva de que ela não necessariamente levará a uma redução absoluta das emissões.
O anúncio veio a público um dia após os Estados Unidos confirmarem que vão oferecer, no encontro na Dinamarca, um corte de 17% nas suas emissões de carbono até 2020, em comparação aos níveis de 2005 – menos do que o desejado por cientistas e os países europeus
A Casa Branca confirmou na quarta-feira que o presidente americano, Barack Obama, estará presente no encontro, assim como o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que confirmou sua ida nesta quinta-feira.
A cúpula tem por objetivo chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que não foi ratificado pelos Estados Unidos e expira em 2012.

Redução de emissões
Entretanto, analistas creem que a meta anunciada pela China não necessariamente significará uma redução nas emissões.
O cálculo chinês é o único a utilizar a mensuração de intensidade de carbono, ou seja, a quantidade de CO2 emitido por cada unidade do produto interno.
O compromisso chinês é tornar as suas fábricas e sua infra-estrutura de energia mais eficientes na utilização de combustível, o que produziria menos gases causadores do efeito estufa, explica o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville. Mas isto não significa que os níveis absolutos de carbono seriam reduzidos, observa o correspondente.
“Esta é uma ação voluntária tomada pelo governo chinês com base nas suas próprias condições nacionais e uma grande contribuição com os esforços globais de combate à mudança climática”, afirmou o governo chinês em um comunicado reproduzido na agência oficial.
Na semana passada, o grupo de cooperação dos países da Ásia-Pacífico, Apec, liderado pela China e os EUA, havia decidido adiar para o ano que vem a definição de um acordo mundial sobre o clima.
O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, defende que a reunião de Copenhague defina acordos políticos sobre cortes de emissões dos países ricos e ações a serem adotadas por nações pobres e emergentes, com as metas obrigatórias sendo definidas em novas negociações em 2010.

BBC Brasi

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quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

Tão logo os governos começaram a se preocupar com as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e as mudanças climáticas globais, o etanol de cana-de-açúcar se mostrou um bom candidato para substituir parcialmente a gasolina e outros derivados do petróleo. Entretanto, antes de se pensar em exportar esse combustível em larga escala, diversas dúvidas foram levantadas no cenário internacional a respeito da real sustentabilidade do etanol brasileiro.
Na tentativa de responder a tais questionamentos, o Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) apresentou seu programa de pesquisa em sustentabilidade no 2nd Workshop on the Impact of New Technologies on the Sustainability of the Sugarcane/Bioethanol Production Cycle.
No evento, realizado em Campinas-SP, foi concluído que é preciso produzir dados experimentais que abasteçam os modelos matemáticos existentes e gerem números que representem a realidade de forma adequada.
Segundo o diretor do Programa de Sustentabilidade do CTBE, Arnaldo Walter, uma das principais dificuldades para o atingimento dessa meta reside na avaliação do quanto a mudança no uso da terra influencia no balanço final de emissões de GEE da cadeia produtiva do bioetanol.
“Quando uma cultura agrícola como a cana-de-açúcar substitui uma área de pastagem ou de floresta nativa há uma mudança no estoque de carbono existente naquela região. Em alguns casos, o carbono que residia na árvore, por exemplo, transforma-se em dióxido de carbono, elevando as emissões de GEE”, explicou.
Para que o uso do etanol em escala global seja incentivado, Walter afirma que é preciso realizar estudos que demonstrem quais são as reais alterações no estoque de carbono no solo ocorridas quando a cana-de-açúcar ocupa diferentes tipos de solos em regiões diversas.
Atualmente, esses dados podem ser produzidos com o auxílio de imagens geradas por satélite, semelhantes às que mostram o desmatamento na floresta amazônica.
Uma das palestras realizadas no workshop do CTBE mostrou como funciona o sistema Canasat do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que capta imagens sobre a expansão da cana na região Centro-Sul do Brasil desde 2005 (no Estado de São Paulo desde 2003).
Thelma Krug, pesquisadora do Inpe, destacou que técnicas de sensoriamento remoto conseguem identificar com boa confiabilidade a localização das mudanças no uso da terra, além de entender que tipo de solo e bioma foi convertido em canavial.
“O Canasat também contribui para a formulação de políticas públicas nessa área, pois permite a identificação das regiões em que a cana é colhida crua ou queimada”, disse.

Dados confiáveis
Uma vez que se conheça qual a real alteração no nível de emissões causada pela expansão da cultura agrícola da cana-açúcar, é preciso equalizar as metodologias usadas em diferentes países para que seja possível comparar o volume de emissões de biocombustíveis diversos.
Essa foi a conclusão a que cientistas brasileiros, norte-americanos e argentinos chegaram em workshop realizado em agosto pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).
“Não podemos criar modelos de emissões de gases de efeito estufa usando apenas os dados que já temos disponíveis. É preciso utilizar ciência sofisticada para gerar dados confiáveis aos modelos para aí sentarmos novamente com os norte-americanos e equalizar nossos sistemas de medições”, afirmou o coordenador do projeto.
Além do projeto sobre emissões de gases de efeito estufa, o Programa em Sustentabilidade do CTBE desenvolverá atividades na área de uso de recursos hídricos, balanço energético de biocombustíveis e impactos socioeconômicos causados pela produção de etanol.

Agência Fapesp

quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

The volume of sugarcane processed from the beginning of the current harvest until mid-November in South-Central Brazil, the country’s top cane producing region, reached 471.5 million tons – a gain of 7.5% compared to the same period in the previous harvest. But despite the increase in volume, the total quantity of products obtained from the processed cane was only 0.51% higher than in the same period a year ago.
Total recoverable sugars (known as ATR in Portuguese) obtained per ton of cane remained low, mainly because of intense rainfall since June, which has been favoring the vegetative growth of the plant, but not the all-important concentration of sucrose. The trend continued during the first half of November and resulted in an ATR of 127.94 Kg, a level 7.5% below the 138.32 Kg reached in the same period in the previous harvest, and 0.5% less than the 128.52 Kg observed during the previous two-week period (second half of October).
The volume of processed cane in the second half of November totaled 28.9 million tons, 4.3% behind the total for the previous two-week period but 11.14% above the total for the same period in the previous harvest. The accumulated quantity of products obtained from processed cane from the start of the harvest reached 132.32 Kg on November 16, 6.5% less than the amount obtained during the same period of the previous harvest.
Of the total amount of cane processed during the first half of November, 56.55% went to ethanol production, yielding 1.217 billion liters of ethanol. Of that, 440 million liters were anhydrous and 777 million liters hydrated ethanol. Sugar production for the period totaled 1.531 million tons.
These numbers confirm the difficulty in producing sugar during the final third of the harvest, as well as the progress in anhydrous ethanol production in comparison with hydrated, a trend observed since the start of October. During the first half of October, production of anhydrous ethanol represented 31.7% of total ethanol production, a share that grew to 36.2% by the second half of November. Sugar production absorbed 46.45% of all processed cane in South-Central Brazil in the first half of October, a figure that fell to 43.45% of the harvested cane by the first half of November.
As of November 16, accumulated ethanol production from the start of the harvest reached 20.4 billion liters, while sugar totaled 26.2 million tons.
Ethanol market
Ethanol prices in recent weeks reflect the product’s reduced availability as the current harvest draws to an end, with persistent rains making it difficult to harvest and leading to lower ATR indexes. This combination of factors has impacted prices and reduced sales of hydrated ethanol during the first half of November.
Total sales to the domestic market in the period reached 651 million liters, 14.5% less than the sales volume in the first half of the previous month. From the start of the harvest to the end of September, the average increase in hydrated ethanol sales to the domestic market was 23.5% over last year’s volume in the same period. The figure fell to 17.7% in the second half of October and dropped even further, to 13.5%, in the first half of November.
The total volume of ethanol sold by mills in South-Central Brazil during the first half of November reached 976 million liters, of which 884 million went to the domestic market and 92 million were exported. For the next few months, ethanol exports are not expected to reach significant levels because of current unattractive domestic x foreign price parity levels.
Accumulated sales of ethanol since the beginning of the harvest reached 14.7 billion liters for the domestic market and 2.4 billion liters for export by November 16.
The Brazilian Sugarcane Industry Association (UNICA) projects that anhydrous ethanol production will remain at appropriate levels, to ensure that there is sufficient ethanol for Brazil’s 25% blend level into gasoline, without need to adjust blend levels.
Variations in hydrated ethanol prices in the past weeks are seasonal oscillations, caused mainly by the impact of unexpected rains on harvest performance since June. The market has already begun to adjust, with demand for hydrated ethanol beginning to head downward in November.

Unica

quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo de cana-de-açúcar em 16 estados do Brasil foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), do último dia 24. As portarias relacionam os municípios indicados para plantio de cana com finalidade industrial e artesanal, na safra 2009/2010, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Rondônia, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
O Zarc, realizado pelo Departamento de Gestão de Risco Rural, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), objetiva minimizar os riscos de perdas em função de adversidades climáticas.
Para cada município é indicada a melhor época de plantio, resultado da análise de séries climáticas históricas e das exigências da cultura. Além disso, o Zarc é utilizado pelos agentes financeiros como orientação na concessão de crédito rural e contratação de seguro para as lavouras.
Os municípios apontados como apropriados para o plantio de cana, com finalidade industrial em novas áreas, respeitam a indicação contida no Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAECana), aprovado pelo Decreto nº 6.961, de 2009. O ZAECana orienta a expansão de novas unidades produtoras e identifica mais de 60 milhões de hectares próprios para a cultura.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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quinta-feira, novembro 26th, 2009 | Author: admin

Qual será o custo das mudanças climáticas para o Brasil?   Onze instituições do país fizeram a conta e calculam um prejuízo que pode chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. De acordo com o estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades, divulgado ontem (25/11), as perdas econômicas equivalem a pelo menos um ano inteiro de crescimento jogado no lixo se nada for feito para evitar os impactos da mudança do clima em setores como agricultura e energia e em regiões como a Amazônia e as zonas costeiras.
Inspirado no Relatório Stern, estudo britânico que em 2006 calculou o custo da mudança climática em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a pesquisa brasileira parte de cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para calcular o impacto do aquecimento global nas contas do país.
No primeiro cenário, o Brasil chegaria a um PIB de R$ 15,3 trilhões em 2050, mas perderia 0,5% (R$ 719 bilhões) por causas das mudanças do clima. No segundo, considerando uma trajetória de crescimento mais limpo, o PIB chegaria a R$ 16 trilhões, mas as perdas seriam de 2,3% (R$ 3,6 trilhões).
Coordenadora operacional do projeto, a pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carolina Dubeux, afirma que é preciso deixar claras as consequências macroeconômicas da mudança do clima, que não se restringem aos debates científicos e ambientais.
“O impacto do clima ainda vai ser modesto em 2050, ainda assim na economia será bastante grande. Há uma tendência de redução do PIB em função da mudança climática. E no Brasil isso vai aumentar as disparidades regionais”, cita.
Entre os setores mais vulneráveis aos prejuízos do aquecimento global no país estão agricultura e energia. Se nada for feito para adaptar a produção às mudanças do clima, todas as culturas – com exceção da cana-de-açúcar – sofrerão redução das áreas com baixo risco de produção. Para as lavouras de café, o percentual é de 18% e para a soja chega a 30%. A perda anual na agricultura pode passar de R$ 10 bilhões, de acordo com o estudo.
O custo da falta de ações para o setor energético também será alto. Com a redução da vazão dos rios, o sistema elétrico vai perder capacidade de geração, principalmente nas regiões Nordeste e Norte. “A perda de energia firme vai ser da ordem de 33%. Tem que haver planejamento para o futuro que considere isso, com complementação por outras fontes”, calcula a pesquisadora.
Nas zonas costeiras, a elevação do nível do mar pode causar prejuízos de até R$ 207,5 bilhões até 2050 com a perda de patrimônio.
Para a Amazônia, o levantamento estima perda de até 38% das espécies, além de R$ 26 bilhões a menos por ano com a perda de 12% dos serviços ambientais. O cenário considera a redução de 40% da cobertura vegetal da floresta, que, segundo o IPCC, deverão ser convertidos em savana.
O estudo, que levou cerca de dois anos para ser concluído, teve a colaboração de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Universidade de São Paulo (USP), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Fórum Brasileiro de Desenvolvimento Sustentavel e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Investimentos de R$ 104 bilhões para evitar perdas com mudanças climáticas

O estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades prevê perdas entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões até 2050 para a economia por causa das mudanças climáticas. Também aponta investimentos que o país pode fazer para evitar prejuízos e os setores em que é possível reduzir expressivamente as emissões de gases de efeito estufa.
O estudo lista os investimentos necessários para evitar grandes perdas econômicas com a mudança do clima e calcula que sejam necessários pelos menos R$ 104 bilhões na agricultura, no setor energético e em ações de gestão e políticas públicas para as zonas costeiras, ameaçadas pela elevação do nível do mar.
Na agricultura, por exemplo, o investimento de R$ 65 milhões por ano na modificação genética de arroz – para garantir adaptação à mudança do clima – tem um benefício 8,2 vezes maior que o custo. Para a soja, a vantagem é 16,7 vezes maior que o investimento.
A previsão do estudo para o setor elétrico é que serão necessários investimentos de US$ 51 bilhões para garantir a instalação de capacidade extra de geração de energia, já que as hidrelétricas perderão potencial com a diminuição da vazão dos rios, provocada pela redução de chuvas nas regiões Norte e Nordeste. “De preferência com geração por gás natural, bagaço de cana e energia eólica”, sugere o relatório.
A proteção das zonas costeiras somaria R$ 3,72 bilhões até 2050, cerca de R$ 93 milhões por ano.
A conservação da floresta, os biocombustíveis e a taxação de carbono são listados como oportunidades de mitigação das emissões nacionais de carbono.
A produção de etanol pode evitar o lançamento de 187 milhões a 362 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente na atmosfera, de acordo com o estudo. A taxação do carbono entre US$ 30 e US$ 50 por tonelada (R$ 52 a R$ 86) emitida reduziria as emissões brasileiras entre 1,16% e 1,87%, com impacto no Produto Interno Bruto (PIB) de 0,13% e 0,08%, respectivamente.
O relatório também aponta a vantagem da redução do desmatamento na Amazônia a partir do pagamento pela manutenção da floresta em pé. “Um preço médio de carbono na Amazônia de US$ 3 por tonelada, ou US$ 450 por hectare, desestimularia entre 70% e 80% a pecuária na região”, de acordo com o texto.

Agência Brasil