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domingo, dezembro 28th, 2008 | Author: admin

The US will fall short of the Renewable Fuels Standard, the government’s Energy Information Administration (EIA) warns.
The country will only blend about 30 billion gallons of fuels like corn-based ethanol and advanced fuels into petrol by 2022, 17% short of the US mandate of 36 billion gallons by that year, the EIA forecasts.
‘The key risk factor is the rate of development of cellulosic biofuels technology,’ Howard Gruenspecht, EIA’s acting head, comments. ‘Near term growth of cellulosic … is certainly a question mark.’
The US enacted the mandate late last year calling for corn ethanol, but also an increasing amount cellulosic ethanol made from fast-growing grasses and trees, and biodiesel made from non-food sources. Cellulosic is not yet made commercially.
Loopholes in the mandate that allow regulators to waive the requirements, if needed, could also result in lower blending, Gruenspecht says.
In August, US environmental regulators rejected a request from Texas Governor Rick Perry to halve the mandate, which he blamed for boosting corn prices and making it costly for farmers to feed livestock.
This year’s oil price slide and the economic recession have damaged many biofuel companies financially and cut the amount of fuel some of them are making.
VeraSun Energy, the largest publicly traded ethanol company, filed for bankruptcy protection in late October.
This month, company lawyers said eight of VeraSun’s 16 plants were ready to operate but are not currently producing ethanol.
Ethanol producers are also pushing for changes in blending regulations to allow more of the fuel to be blended into petrol that is burned in regular cars.
Currently rules limit petrol to 10% ethanol content, while specially made flex-fuel cars can burn E85.

Biofuels International

domingo, dezembro 28th, 2008 | Author: admin

Pontos a favor e contra o combustível não resultam em benefícios significativos,
revela mestre pela UnB

Os biocombustíveis são considerados uma das maiores promessas no campo das energias renováveis devido à redução da dependência do petróleo, combate à emissão de gases do efeito estufa e meio de inclusão social, o que torna hoje uma das prioridades do governo. Mas para que essa fonte atenda às expectativas e gere resultados efetivos para a população, ainda há um longo caminho a ser trilhado.

Quem afirma é a administradora Magaly Fonseca Medrano, autora da dissertação Avaliação da Sustentabilidade do Biodiesel de Soja, apresentada no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) em novembro de 2007. Para a pesquisadora, uma compilação de fatores negativos, na atual conjuntura, faz com que o recurso não contribua para solucionar os problemas ambientais, sociais, econômicos e estratégicos do país.

“A tão propagada contribuição para minimizar o aquecimento global, só terá resultados significativos quando o biodiesel for adicionado em 50% ao diesel comum, ou seja, em B50. Entretanto, o B20 (20% de inclusão) é a mistura máxima que o mercado vai alcançar como medida de proteção ao mercado petrolífero”, afirma. Nessa ótica, a distância entre o ideal e o real se torna evidente pela constatação de que entre 2008 e 2013 será obrigatório o uso da proporção B2 nos veículos abastecidos com diesel.

No que se refere aos benefícios ambientais que gera o biodiesel de soja, a autora comenta que tanto a estrutura molecular quanto os seus componentes lhe conferem em vários aspectos, uma combustão mais limpa que a do diesel petróleo, um desses aspectos é a inexistência de enxofre em sua composição. “No entanto, diminuições importantes na quantidade de particulados (MP, CO, Nox, HC) que são emitidos para atmosfera começam a ser observados a partir da mistura B50, a exceção do óxido de nitrogênio, onde com o avanço da mistura os gases emitidos tendem a aumentar”, explica Magaly.

Para a mestra, é preciso repensar urgentemente a introdução do biodiesel no Brasil de modo a beneficiar a população. “Políticas públicas mais adequadas poderiam agir nesse sentido”, ressalta.

No tocante à geração de emprego, o biodiesel de soja não oferece muitas oportunidades nem no campo, nem na planta industrial de biodiesel. No campo são necessários apenas dois trabalhadores para colher uma área de 100 hectares de soja plantada. Comparado à uma plantação de tomate são necessárias 245 pessoas para efetuar a colheita nessa mesma área. Por outro lado, uma planta de produção de biodiesel requer 12 profissionais, distribuídos em três seções: gerência, administração da produção e manutenção. “O biodiesel de soja forma parte de um complexo industrial concentrador de renda e excludente.” revela.

Outro ponto em debate é a adesão dos consumidores, fundamental para o sucesso da iniciativa. Convencê-los a abastecer com o biodiesel pode não ser tão fácil, já que o preço do litro ficará mais caro que o litro de diesel. “Muita gente ainda prefere pagar mais barato do que fazer uma escolha que não agrida o planeta”, lamenta a administradora.

Para o país, em termos econômicos, a introdução das misturas obrigatórias B2, B5 e B10 geraria uma economia de divisas ocasionada, pela diminuição dos gastos na conta de importações de combustíveis.

RESÍDUO - O principal produto da soja é o farelo, que representa cerca de 80% do grão e é utilizado em sua maioria na indústria de rações. O restante 20% pode ser utilizado para o consumo humano ou para a fabricação de biodiesel, sendo atualmente um dos principais desafios para a agregação de valor do produto.

Quanto mais grão de soja for esmagado, maior será a quantidade de óleo e farelo a serem produzidos, portanto, é fundamental alocar o excedente de farelo decorrente de um aumento na quantidade de grão de soja esmagada. “Em países onde a pecuária é intensiva, qualquer excesso na quantidade de farelo produzida é facilmente absorvida pelo mercado, mas no caso do Brasil onde a pecuária é extensiva e a maior parte do gado é alimentado com pasto, o excesso de farelo ocasionaria perdas para a indústria de oleaginosas”, diz a administradora.

Outro subproduto cujo destino precisar ser definido é a glicerina, proveniente do processamento do biodiesel. Essa substância bruta é comercializada, porém a mais valorizada é a glicerina purificada ou refinada. O consumo desse produto no país atinge 14 mil toneladas, mas estima-se que 55 mil toneladas de glicerina serão geradas após a inclusão da mistura B2 de biodiesel em 2008.

“Atualmente não existe um destino certo para a superprodução de glicerina derivada das misturas B2, B5 e B10. Apesar de haver instituições de pesquisa cuidando do assunto, é importante encontrar rapidamente uma função ou uso alternativo, já que poderia se tornar uma situação insustentável do ponto de vista ambiental”, alerta.

 

 

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Magaly Fonseca Medrano formou-se em Administração pelo Instituto Tecnológico da Costa Rica (ITCR), tem especialização em Finanças (ITCR) e é mestre pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB.

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sexta-feira, dezembro 26th, 2008 | Author: admin

Os resultados de mais de dez anos de estudos sobre os recursos naturais do Cerrado, realizados por quase 50 pesquisadores de diversas instituições, foram sistematizados nos dois volumes do livro Cerrado: Ecologia e Flora, que somam mais de 1,2 mil páginas.
A obra foi lançada pela unidade de Informação Tecnológica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Embrapa Cerrados, com apoio financeiro da organização não-governamental The Nature Conservancy (TNC).
O livro foi organizado por José Felipe Ribeiro, Semíramis Pedrosa de Almeida e Sueli Matiko Sano, todos pesquisadores da Embrapa Cerrados. De acordo com Ribeiro, o objetivo da publicação foi reunir o conhecimento atualizado sobre o bioma, contribuindo com a implantação de modelos de desenvolvimento sustentável, por meio de tecnologias que possibilitem, ao mesmo tempo, a preservação e o uso racional da biodiversidade do Cerrado.
“O que não é conhecido não é valorizado. Por isso, tentamos reunir o que há de mais importante atualmente sobre os recursos naturais do bioma. O livro é uma versão revista e ampliada de uma edição publicada em 1998, à qual foram acrescentados estudos sobre água e clima, além dos que já haviam sido apresentados sobre solo e vegetação” disse Ribeiro.
Segundo o autor, além de tornar disponível para o pesquisador e para a academia o conhecimento sobre o bioma, o livro procura integrar as informações sobre solo, vegetação, clima e água, avaliando as condições das paisagens em termos de fragmentação do Cerrado, do uso de espécies nativas e da dinâmica da vegetação.
“O primeiro volume discute como o manejo correto desse ambiente pode gerar recursos financeiros para o produtor, estimulando a conservação do Cerrado. O segundo volume inclui uma lista das mais de 12 mil espécies da vegetação do bioma”, explicou Ribeiro.
Os estudos tiveram participação de pesquisadores das áreas de engenharia agronômica e florestal, biologia, botânica, geologia, economia, farmácia, entre outros. No primeiro volume, foram analisadas diversas tecnologias que possibilitam a conservação e o uso racional da biodiversidade do bioma.
“São descritos os principais recursos tecnológicos desenvolvidos nos últimos anos, como a criação, a ampliação e a manutenção de bancos de germoplasma para o uso em programas de melhoramento genético, caracterização florística, fitossociológica e morfológica, agronômica e a domesticação de espécies com potencial econômico”, acrescentou.

O segundo volume apresenta um inventário atualizado de 12.356 espécies do bioma, fornecendo os hábitos das plantas, os ambientes em que ocorrem e algumas amostras indicativas de herbário ou fontes bibliográficas das espécies. Os oito autores também participaram do primeiro volume.
Conservação e produção aliadas
O Cerrado, de acordo com o livro, é o segundo maior bioma do Brasil, com mais de 1,9 milhão de quilômetros quadrados de área que se estende por 12 estados e pelo Distrito Federal. Reúne cerca de um terço da biodiversidade do país e 5% da fauna e flora mundiais.
Mas, em pouco mais de três décadas, metade da vegetação nativa já se perdeu na dinâmica da ocupação humana, resultado principalmente das atividades agropecuárias, do desenvolvimento urbano e de outras ações que avançam sobre a região.

Segundo os autores do livro agora lançado, a palavra-chave para recuperar o bioma é “parceria”.
“A sociedade, a política e a ciência precisam agir em conjunto para que as iniciativas repercutam e efetivamente beneficiem o Cerrado. As ações individuais não funcionam, por isso temos que integrar os interesses, colocando do mesmo lado a conservação e a produção”, afirmou Ribeiro.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, se a integração da conservação e da produção não for feita com urgência, o Cerrado poderá desaparecer dentro de 30 anos.
“Não adianta achar que nada mais vai ser produzido no Cerrado, ou culpar a agricultura pela devastação. Na nossa perspectiva, temos que olhar a propriedade rural do jeito que o produtor a vê. Ele tem uma área que produz e, para garantir sua produção, deve pensar de maneira sustentável. É preciso mostrar que, dentro de uma análise financeira econômica, a agricultura só funciona com sustentabilidade, integrando produção e conservação”, completou.
 
 
 

 

  • Cerrado: Ecologia e Flora – Volume 1
    Autores: José Felipe Ribeiro, Semíramis Pedrosa de Almeida e Sueli Matiko Sano (orgs.) - 408 pgs
     
  • Cerrado: Ecologia e Flora – Volume 2
    Autores: José Felipe Ribeiro, Semíramis Pedrosa de Almeida e Sueli Matiko Sano (orgs.) - 876 pgs 

Informações: http://livraria.sct.embrapa.br

Agência FAPESP Fábio Castro

 

 

 

sexta-feira, dezembro 26th, 2008 | Author: admin

Programa Bolsa Floresta foi concebido para oferecer compensação financeira para as populações tradicionais e indígenas da região amazônica, por serviços prestados com foco na conservação ambiental voltada para a manutenção da floresta em pé

 

 

 

The program Bolsa Floresta [Forest Conservation Grant] implements a series of pioneering activities in the area of environmental conservation and sustainable development in the Amazon. Its conception is inserted in the context of global climate change and deforestation reduction, and a special emphasis is given to the traditional communities of the “Deep Amazon”.

 

 

 

 

Malária, diarréia, gripe e verminoses representam 95% das doenças que atingem as famílias que vivem nas unidades de conservação estaduais assistidas pelo Programa Bolsa Floresta (PBF), iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas.

“Aplicamos um questionário às 4,2 mil famílias que participam atualmente do programa e chegamos a essas doenças, diagnosticadas em uma região muito singular do Brasil que chamamos de Amazônia profunda”, disse Virgilio Viana, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP).

“Trata-se de um dos lugares mais isolados do país e do mundo, onde os serviços de saúde custam muito para chegar devido à baixa densidade eleitoral da região. Esse é o retrato de um Brasil muito distinto de outros”, explicou o também ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.

Viana é o autor de um artigo sobre o conceito e a estratégia de implementação do PBF, com ênfase para as ações de saúde, publicado na nova edição da revista Estudos Avançados. A publicação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), lançada em 16/12/2008, com tema principal “Epidemias”.

Concebido originalmente para oferecer compensação financeira para os serviços prestados pelas populações tradicionais e indígenas da região amazônica – com foco na conservação ambiental voltada para a manutenção da floresta em pé –, o programa tem no atendimento à saúde um dos componentes essenciais de suas linhas de atuação na região.

O PBF atua em 12 unidades de conservação, mas o planejamento do programa prevê sua chegada a todas as 26 unidades de uso sustentável do Amazonas até 2010, totalizando uma área de 13,4 milhões de hectares.

Um dos componentes do Programa Bolsa Floresta é a Bolsa Floresta Social (BFS), que determina a destinação de um valor fixo anual por comunidade voltado à melhoria da educação, saúde, comunicação e transporte dos “guardiões da floresta”.

Os projetos de apoio à saúde do programa são realizados por meio de parcerias com o governo do Amazonas, com prefeituras municipais, instituições de pesquisa regionais, a Fundação Amazonas Sustentável, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

“Esses projetos decorrem de uma abordagem holística de desenvolvimento sustentável, na qual as ações de saúde pública assumem um papel estratégico. Sem uma melhoria na saúde, as ações de geração de renda, conservação ambiental e educação têm os seus efeitos limitados”, disse Viana, que também é diretor-geral da Fundação Amazonas Sustentável.

Entre as principais ações do programa na área de saúde estão a capacitação de agentes comunitários e oficinas de planejamento participativo com a presença de médicos, enfermeiros e pesquisadores da região, além da implementação, monitoramento e avaliação dos planos de ações prioritárias de saúde para cada unidade de conservação.

Agência FAPESP - Thiago Romero 

 

 

sexta-feira, dezembro 26th, 2008 | Author: admin

Mais de 71 mil quilômetros quadrados do território nacional, em sua quase totalidade na costa dos estados do Nordeste, contam com velocidades de vento superiores a sete metros por segundo, que propiciam um potencial eólico da ordem de 272 terawatts-hora por ano (TWh/ano) de energia elétrica.
Trata-se de uma cifra bastante expressiva, uma vez que o consumo nacional de energia elétrica é de 424 TWh/ano, aponta estudo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, de autoria de pesquisadores do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Os números do potencial eólico brasileiro foram estimados com os mesmos modelos de previsão de tempo e estudos climáticos. Como esses modelos são validados para locais específicos das diferentes regiões do país, esse potencial eólico pode estar subestimado”, disse Fernando Ramos Martins, da Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC/Inpe e um dos autores do artigo.
Mas, segundo ele, com as informações disponíveis atualmente, levando em conta todas as dificuldades inerentes aos altos custos da geração de energia eólica, é possível afirmar que apenas o potencial da energia dos ventos do Nordeste seria capaz de suprir quase dois terços de toda a demanda nacional por eletricidade.
“O problema é que, atualmente, o índice de aproveitamento eólico na matriz energética brasileira não chega a 1%. A capacidade instalada é muito pequena comparada à dos países líderes em geração eólica. Praticamente toda a energia renovável no Brasil é proveniente da geração de hidreletricidade”, apontou.
Parte dos dados do estudo também foi extraída do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) com o objetivo de fornecer informações para capacitar tomadores de decisão na identificação de áreas adequadas para aproveitamentos eólico-elétricos.
“Os locais mais propícios no país para a exploração da energia eólica estão no Nordeste, principalmente na costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, e na região Sul”, disse Martins.
Além de descrever a evolução do aproveitamento da energia eólica no mundo, os pesquisadores do Inpe trazem no artigo dados inéditos sobre a situação atual do uso desse recurso para geração de eletricidade em diferentes países.

Sem emissões
Segundo o estudo, o setor de energia eólica tem apresentado crescimento acelerado em todo o mundo desde o início da década de 1990. A capacidade instalada total mundial de aerogeradores voltados à produção de energia elétrica atingiu cerca de 74,2 mil megawatts (MW) no fim de 2006, um crescimento de mais de 20% em relação ao ano anterior.
“Enquanto o Brasil explora menos de 1% de sua energia eólica, países como Alemanha, Espanha e Noruega utilizam por volta de 10%”, disse Martins, lembrando que a conversão da energia cinética dos ventos em energia mecânica é utilizada há mais de três mil anos.
Em 2006, o Brasil contava com 237 megawatts (MW) de capacidade eólica instalada, principalmente por conta dos parques na cidade de Osório (RS). O complexo conta com 75 aerogeradores de 2 MW cada, instalados em três parques eólicos com capacidade de produção de 417 gigawatts-hora (GWh) por ano.
O pesquisador do CPTEC aponta ainda que, dentre as fontes energéticas que não acarretam a emissão de gases do efeito estufa, a energia contida no vento também demonstra potencial para atender à segurança do fornecimento energético no país.
“Políticas nacionais de incentivos estão começando a produzir os primeiros resultados, a exemplo do Proinfa [Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica]. Espera-se um crescimento da exploração desse recurso nos próximos anos no Brasil”, disse Martins.
O Proinfa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, foi criado em 2002 para a diversificação da matriz energética nacional. O programa estabelece a contratação pelas empresas de uma parcela mínima de energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, entre as quais energia eólica e a energia proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.

Sonda e Swera
Martins destaca ainda duas iniciativas do CPTEC que têm dado suporte científico à produção de informações sobre a os recursos eólicos no território brasileiro. Entre os esforços mais recentes, explica, estão a base de dados do Projeto Sonda, um sistema de coleta de dados de vento operado e gerenciado pelo centro.
O objetivo do projeto, que tem dezenas de estações de coleta de dados eólicos com medidores instalados em diversos estados brasileiros, é disponibilizar informações que permitam o aperfeiçoamento e a validação de modelos numéricos para estimativa de potencial energético de fontes renováveis.
O levantamento dos recursos de energia eólica no Brasil também vem sendo realizado pelo projeto Solar and Wind Energy Resources Assessment (Swera), conduzido pela Divisão de Clima e Meio Ambiente do CPTEC, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Toda a base de dados gerada até o momento pelo Sonda e pelo Swera, que terá sua segunda fase iniciada no começo de 2009, está disponível para acesso gratuito no site dos projetos.
“Essas bases de dados são extremamente úteis para a definição de políticas junto ao setor energético nacional e para o desenvolvimento de projetos de pesquisa científica sobre a temática do aproveitamento de recursos energéticos. Os resultados obtidos até o momento demonstram o potencial do país no que diz respeito à disponibilidade dos recursos renováveis”, afirmou Martins.
Além de apresentar uma revisão dos conceitos físicos relacionados ao emprego da energia cinética dos ventos na geração de eletricidade, o artigo descreve ainda os aspectos dinâmicos dos ventos e detalhes sobre a circulação atmosférica na Terra, incluindo os fatores que influenciam a velocidade e direção dos ventos nas proximidades da superfície.

 

Agência FAPESP - Thiago Romero

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sexta-feira, dezembro 26th, 2008 | Author: admin

Prof. Dr. Ignacy SACHS

Professor honorário na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS) em Paris e co-diretor do seu Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo

ARTIGO EM PORTUGUÊS, NA SEÇÃO ‘ARTIGOS’

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From oil civilization towards a
new green civilization

 

Prof. Dr. Ignacy SACHS

 

Professor at Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales and co-director of the Research Center on Contemporary Brazil, in Paris


ABSTRACT

 

Peak oil, the tapering of petroleum production, is drawing nearer. The resulting steep rise in oil prices will enhance the price competitiveness of biofuels – ethanol as additive or replacement for gasoline, and biodiesel as additive or replacement for diesel oil. Brazil meets all the requirements to become a large producer and, in time, an exporter of biofuels – reducing the emission of greenhouse gases, generating numerous decent job opportunities for family farmers, and becoming less dependent on the geopolitics of petroleum. The substitution of biofuels for petroleum-based products is only part of na energy strategy in which efficiency and conservation must have an overriding role. On the other hand, the production of biofuels should be seen within the larger setting of the construction of a modern biomass civilization, for which the tropical countries have highly advantageous conditions and which would be an essential contribution to sustainable and encompassing development.– PEAK oil, the tapering of petroleum production, is drawing nearer. The resulting steep rise in oil prices will enhance the price competitiveness of biofuels – ethanol as additive or replacement for gasoline, and biodiesel as additive or replacement for diesel oil. Brazil meets all the requirements to become a large producer and, in time, an exporter of biofuels – reducing the emission of greenhouse gases, generating numerous decent job opportunities for family farmers, and becoming less dependent on the geopolitics of petroleum. The substitution of biofuels for petroleum-based products is only part of na energy strategy in which efficiency and conservation must have an overriding role. On the other hand, the production of biofuels should be seen within the larger setting of the construction of a modern biomass civilization, for which the tropical countries have highly advantageous conditions and which would be an essential contribution to sustainable and encompassing development.

 

 

ARTICLE IN PORTUGUESE, ‘ARTICLES’ SECTION

segunda-feira, dezembro 22nd, 2008 | Author: admin

Pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.
Entre as matrizes vegetais, a soja é a principal base do biodiesel do Brasil, mas sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual.
O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos.
Segundo o estudo da UFF, as algas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.
A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.
“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.
Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.
“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”
Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.
Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.
As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa.
“Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo”, destacou.
De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.
Algas para aviação
Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.
Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal – uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo.
“O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea”, disse Lourenço.
Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel – ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores.
“Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene”, disse.
Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.
O projeto da UFF será um dos destaques de um Congresso da Associação Brasileira de Biologia Marinha que será realizado em abril de 2009, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.
 

 

Agência FAPESP – Washington Castilhos

 

 

 

segunda-feira, dezembro 22nd, 2008 | Author: admin
President-elect Barack Obama has signalled a new era for science in US policy with several key appointees known for their interest in science and technology in developing countries.
John P. Holdren, a physicist who has been active for many years on a wide range of policy issues from nuclear non-proliferation to climate change, has been nominated head of the Office of Science and Technology Policy (OSTP) and presidential science adviser.
Jane Lubchenco, an internationally recognised ecologist and former president for the International Council for Science (ICSU), has been asked to head the National Oceanic and Atmospheric Administration, a body whose responsibilities include a major role in international negotiations on environmental and climate change issues.
And Harold Varmus, a former director of the National Institutes of Health (NIH) and chair of the scientific board of the Bill and Melinda Gates Foundation’s Grand Challenges of Global Health, has – together with Holdren and genome specialist Eric Lander – been appointed co-chair of the President’s Council of Advisers on Science and Technology.
In announcing the new appointments last Saturday (20 December), Obama stressed that he would make decisions “on fact and science rather than ideology”, an explicit rejection of the administration of President George W. Bush, who has been widely criticised for doing the opposite on topics from stem cells to climate change.

Solving 21st century problems

Holdren is currently Teresa and John Heinz Professor of Environmental Policy at Harvard University’s John F. Kennedy School of Government, and director of the Science, Technology and Public Policy Program in the school’s Belfer Center for Science and International Affairs.
Both he and Lubchenco are former presidents of the American Association for the Advancement of Science (AAAS) and both have been strong advocates of US scientists taking a robust role in international affairs, including in particular the impact of science and technology in developing countries.
Commenting on his nomination, Holdren said in a statement that “None of the great interlinked challenges of our time — the economy, energy, environment, health, security and the particular vulnerabilities of the poor to shortfalls in all of these — can be solved without insights and advances from the physical sciences, the life sciences and engineering”.
His appointment has been widely welcomed by the scientific community, who felt that their views on important global topics were increasingly ignored in Washington. It has also been welcomed by climate change activists, who see it as a sign of a sea-change in the administration’s attitude towards international negotiations, including the need to engage developing countries.
At the Harvard Kennedy School, for example, Holdren and colleagues have developed substantial programmes of cooperation with both China and India on developing cleaner, more efficient energy technologies to address the related challenges of climate change, oil dependence and sustainable development.
Holdren himself was a coordinating lead author of the 2007 report of the UN Scientific Expert Group on Climate Change and Sustainable Development.Unique global expertise
“Holdren will bring to the office unique expertise on how to use science and technology to promote global understanding,” says his Belfer colleague Calestous Juma, who is Professor of the Practice of International Development at the Kennedy School.
“More specifically, he has devoted a large part of his life to exploring how technological innovation can help improve wellbeing in developing countries. His expertise on this these issues is well-aligned with the diplomatic outlook that President Obama has promised to project to the world.”
Lubchenco has also been welcomed as someone who, both through her ICSU position and her other international activities, has increased scientific participation in programmes throughout the UN system.
Addressing the UN Commission on Sustainable Development in New York in 2004, for example, she welcomed calls by delegations for more science and technology as major tools for meeting the Millennium Development Goals.
“Scientific and technological information and knowledge are central to the achievement of these goals,” Lubchenco said. “Understanding this centrality as well as the urgency of the problems, the S&T community has actively embraced the immense challenge of providing and sharing the knowledge needed to achieve the goals set.”
She urged governments to strengthen their support for the involvement of their scientific communities in international and coordinated research programmes, especially those that address water, sanitation, human settlements and other MDG-relevant topics.Veteran global health campaigner
Harold Varmus, who won the Nobel prize for medicine in 1989 for his studies on the genetic basis of cancer, is currently the president and chief executive officer of the Memorial Sloan-Kettering Cancer Centre in New York.
Varmus served on the WHO’s Commission on Macroeconomics and Health, and has long campaigned for greater attention to be given by the US biomedical community to the health needs of developing countries, for example in advocating greater international efforts to combat malaria and HIV/AIDS.
In a recent speech at the NIH’s Fogarty International Center, for example, Varmus urged Congress to double the amount of money that the US spends on global health and suggested that this effort should be highlighted as “a pillar of US foreign policy”.
Varmus is also widely known as an energetic proponent of the need for open access to scientific journals. In particular, he is a co-founder and chair of the board of directors at the Public Library of Science, which currently publishes seven open access scientific journals.

 

 

 

 

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Category: NEWS  | 3 Comments
segunda-feira, dezembro 22nd, 2008 | Author: admin

Japan Airlines (JAL) will be the first airline to conduct a demonstration flight using camelina-based biofuel, planned for
30 January 2009 at Haneda Airport, Tokyo.
A blend of 50% biofuel and 50% traditional Jet-A jet (kerosene) fuel will be tested in one of the four Pratt & Whitney JT9D engines of a JAL-owned Boeing 747-300 aircraft.
The biofuel component to be used will be a mixture of three second-generation biofuel feedstocks: camelina (84%), jatropha (<16%), and algae (<1%).
Camelina, also known as false flax, is an energy crop, with a high oil content and ability to grow in rotation with wheat and other cereal crops.
The crop is mostly grown in more moderate climates such as the northern plains of the US. It can be grown in dry areas, poor soil and at high altitudes.
The camelina to be used in the JAL demo flight was sourced by Sustainable Oils, a US-based provider of renewable, environmentally clean, and high-value camelina-based fuels.
Terasol Energy sourced and provided the jatropha oil, and the algae oil was provided by Sapphire Energy.
‘Prior to take-off, we will run the No. 3 engine (middle right) using the fuel blend to confirm everything operates normally. In the air, we will check the engine’s performance during normal and non-normal flight operations, which will include quick accelerations and decelerations, and engine shutdown and restart,’ JAL environmental affairs VP Yasunori Abe explains.
Once the flight has been completed, data recorded on the aircraft will be analysed by Pratt & Whitney and Boeing engineers.
Several of the engine readings will be used to determine if equivalent engine performance was seen from the biofuel blend compared to typical Jet A-1 fuel.

sexta-feira, dezembro 12th, 2008 | Author: admin

Os próximos dados sobre a emissão de gases de efeito estufa no Brasil, a serem divulgados no primeiro semestre de 2009, devem ser mais abrangentes e detalhar com mais precisão as fontes poluidoras brasileiras — ao menos no que diz respeito às emissões do setor de resíduos sólidos e efluentes, que inclui tratamento de esgoto (residencial e industrial), incineração e tratamento de lixo.

Para tentar aprimorar as informações do setor, foi criada uma Rede Nacional de inventário das emissões de gases de efeito estufa dos setores de resíduos sólidos e efluentes, que pretende juntar especialistas de várias partes do país. Lançada oficialmente em novembro de 2008, a rede é fruto da parceria entre Ministério de Ciência e Tecnologia, PNUD e CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), ligada ao governo de São Paulo. Além de dar maior precisão aos dados, a intenção do projeto, segundo o gerente da divisão de questões globais da CETESB, João Wagner Silva Alves, é “aumentar a participação da sociedade brasileira na elaboração destes dados”, o que, de acordo com ele, dá mais transparência ao processo.

Já fazem parte da rede universidades federais, associações de municípios, órgãos públicos ligados a meio ambiente e coleta de lixo, o Ministério das Cidades e o Ministério do Meio Ambiente.

Publicação que mostra a situação das emissões de gases causadores do efeito estufa, o inventário das emissões é um dos compromissos que o Brasil assumiu ao aderir à Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima — realizada em 1992, com o objetivo de estabilizar a concentração de gases estufa na atmosfera e evitar sua interferência no clima terrestre. De acordo com o texto do tratado, os países signatários devem “elaborar, atualizar periodicamente, publicar e pôr à disposição da Conferência das Partes (…) inventários nacionais de emissões antrópicas”.

Até agora, o Brasil publicou um único inventário, a Comunicação Nacional Inicial do Brasil, lançada em dezembro de 2004 e referente às emissões de 1990 a 1994. Os dados específicos sobre emissões por resíduos sólidos e efluentes nos quais este primeiro relatório se baseou (presentes nos Relatórios de Referência) foram elaborados pela CETESB.

Com a rede, a idéia é obter dados de mais fontes, o que deve torná-los mais úteis aos diferentes Estados. “Quem lê a Comunicação Nacional vai concluir que 75% do dióxido de carbono emitido pelo Brasil é devido ao desmatamento. Só que esse desmatamento acontece na Amazônia, então esses dados não têm utilidade nenhuma para São Paulo ou Rio Grande do Sul”, exemplifica o gerente da divisão de questões globais da CETESB.

O primeiro relatório mostrou que, em 1994, a emissão brasileira de dióxido de carbono, a maior dentre as emissões causadoras do efeito estufa, teve um aumento de 5% em relação a 1990, e chegou a 1,03 bilhão de toneladas. Deste número, 23% estavam ligados a produção e consumo de energia e 75% a mudanças em florestas – 59% foram emitidos pelo desmatamento da Amazônia e 26% pelo desmatamento do Cerrado. No mesmo período, as emissões do gás metano (segundo “poluente estufa” mais emitido) aumentaram 7%, sendo em razão sobretudo da criação de animais ruminantes. Esses dados serão revistos pelo próximo relatório, que abrangerá as emissões de 1990 a 2005.

Até agora, segundo Alves, a rede nacional para a elaboração do inventário conta com representantes de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo, Acre, Paraíba, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Destes, Minas, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e São Paulo já estão elaborando voluntariamente seus próprios inventários, que, quando prontos, enriquecerão os próximos relatórios nacionais. As iniciativas estaduais vão ao encontro de outro objetivo da rede: fazer com que o levantamento seja contínuo e independente das publicações ligadas à convenção de 1992.

A importância dessa rede nacional, avalia o supervisor do projeto do PNUD que apóia a iniciativa, Marcos William Bezerra de Freitas, está em “não só São Paulo ficar fazendo o inventário, sendo que existem especificidades regionais e agentes locais que estão inseridos nessa realidade e são capazes de colaborar.” E completa: “A rede traz esses atores locais para um projeto que é nacional. Se é nacional, a lógica é que envolva os atores de todas as regiões.” No projeto, além de fornecer a estrutura necessária e promover, com a CETESB, encontros e reuniões, o PNUD faz a análise técnica dos dados levantados, em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia.

O projeto, de acordo com Freitas, tem disponíveis R$ 227 mil vindos do PNUD e R$720 mil da CETESB. A divulgação da rede tem sido feita através de reuniões-oficinas, nas quais o projeto é apresentado e os interessados entram em contato com o método utilizado pela CETESB para calcular as emissões.

 


Fonte:
www.pnud.org.br