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quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

Levels of climate-warming greenhouse gases continue to increase in the atmosphere. In 2007, global concentrations of carbon dioxide again reached the highest levels ever recorded.

These latest numbers, published on Nov.25, in the World Meteorological Organization’s (WMO) 2007 Greenhouse Gas Bulletin, continue the trend of rising emissions of greenhouse gases since the Industrial Revolution.

Greenhouse gases trap radiation within the Earth’s atmosphere causing it to warm. Human activities, such as fossil fuel burning and agriculture, are major emitters of the gases, which scientists widely recognize as drivers of global warming and climate change. After water vapour, the four most prevalent greenhouse gases in the atmosphere are carbon dioxide, methane, nitrous oxide and chloro fluoro carbons. The WMO Global Atmosphere Watch (GAW) coordinates the measurement of these gases in the atmosphere through a network of observatories located in more than 65 countries.

The latest numbers show that carbon dioxide reached 383.1 parts per million (ppm), an increase of 0.5 percent from 2006. Concentrations of nitrous oxide also reached record highs in 2007, up 0.25 per cent from the year before, while methane increased 0.34 per cent, exceeding the highest value so far, which was recorded in 2003. Using the NOAA Annual greenhouse gas index, the total warming effect of all long-lived greenhouse gases was calculated to have increased by 1.06 per cent from the previous year and by 24.2 per cent since 1990. In the meanwhile, levels of chlorofluorocarbons (CFCs) continue to slowly decrease, a result of emission reductions under the Montreal Protocol on Substances that Deplete the Ozone Layer.

Since the mid-18th Century, carbon dioxide concentrations in the atmosphere have risen an unfettered 37 per cent. Population growth and urban development worldwide continue to increase the use of fossil fuels, such as oil, coal and natural gas, which emit carbon dioxide and other gases into the atmosphere. At the same time, the clearing of land for agriculture, including deforestation, is releasing carbon dioxide into the air and reducing carbon uptake by the biosphere.

While the atmospheric concentrations of CO2 and N2O are increasing steadily, the growth rate of methane concentrations has slowed over the past decade with some variations from one year to the next. The 6 ppb rise from 2006 to 2007 is the highest annual methane increase observed since 1998.
It is still too early to state with certainty, however, that this latest increase is the start of a new upward trend in methane levels. Human activities, such as fossil fuel exploitation, rice agriculture, biomass burning, landfills and ruminant farm animals, account for some 60 per cent of atmospheric methane, with natural sources, for example wetlands and termites, responsible for the remaining 40 per cent.

The continued success of the Montreal Protocol to reduce emissions of ozone-depleting substances is evident in the decline in CFC concentrations. By 2010, the Montreal Protocol, which celebrated its 20th anniversary in 2007, will have reduced greenhouse gas warming by a factor of five greater than the reduction target of the first commitment period (2008-2012) of the Kyoto Protocol.

This year’s Greenhouse Gas Bulletin is the fourth in the series, the three previous ones providing results for 2004, 2005 and 2006 respectively. The Bulletins provide critical information on the global state of the atmosphere in a concise manner and highlight recent accomplishments of research and technology application.

WMO prepares and distributes the annual Greenhouse Gas Bulletins in cooperation with the GAW Scientific Advisory Group for Greenhouse Gases, with the assistance of the NOAA Earth System Research Laboratory and WMO’s World Data Centre for Greenhouse Gases (WDCGG). The measurement data are archived and distributed by the WDCGG, hosted by the Japan Meteorological Agency (JMA).

The 2007 Bulletin, as well as earlier issues, are available through the WMO GAW
Programme Web page at at the following URL:

http://www.wmo.int/pages/prog/arep/gaw/gaw_home_en.html

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Unfccc, publicou no dia 17.11.08, em Bonn, na Alemanha, um inventário anual sobre a emissão de gases que causam o efeito estufa.
O documento mostra que a emissão de gases, em países industrializados, aumentou em 2,3% entre 2000 e 2006 e que os países signatários do Protocolo de Kyoto também tiveram um acréscimo de emissões no mesmo período.

Controle de Emissão

A agência da ONU alerta que o maior aumento de emissões, 7,4%, vem de países do leste e região central da Europa.
Os países signatários do Protocolo de Kyoto concordaram em limitar e reduzir os níveis de emissão de gases que causam o efeito estufa até 2012.
O inventário anual da Unfccc precede as negociações sobre controle de emissão de gases que deve ocorrer na próxima conferência internacional sobre mudanças climáticas em Poznam, na Polônia, marcada para dezembro.

Fonte: ONU-Brasil, Rádio ONU

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

A UNESCO, agência especializada da ONU que reúne 193 países-membros, está disposta a facilitar o diálogo entre governos para acelerar o processo de disseminação da tecnologia dos biocombustíveis por meio da cooperação internacional.
A Organização é um foro neutro que possui as credenciais necessárias para ser interlocutora do tema.
A falta de um foro internacional para tratar do assunto foi um dos principais empecilhos listados por especialistas reunidos na Conferência Internacional de Biocombustíveis, realizada dos últimos dias 17 a 21, em São Paulo.
A existência de um interlocutor internacional neutro pode contribuir para o avanço das políticas globais de biocombustíveis em muitas etapas do processo, como a certificação, uma das ferramentas necessárias para que essas matrizes energéticas sejam comercializadas em escala global.
“A UNESCO pode coordenar os esforços internacionais para facilitar o diálogo entre os países, auxiliando na cooperação técnica, na definição de parâmetros para os biocombustíveis e fortalecendo a cooperação Sul-Sul”, afirmou o Diretor Geral Adjunto da UNESCO, Márcio Barbosa.
Além dos campos de atuação mais tradicionais da UNESCO, como Educação e Cultura, a Organização tem entre suas competências a área de Ciências Naturais, que já trabalha com questões relativas ao desenvolvimento sustentável.
Além disso, no âmbito das suas atribuições originais a UNESCO atua de forma intersetorial, podendo, portanto, agregar ao tema da produção de biocombustíveis a dimensão do impacto social dos projetos de energia, assim como as necessidades educacionais dos parceiros envolvidos, especialmente das comunidades locais, respeitando sua diversidade cultural.

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

O Ministério da Ciência e Tecnologia vai criar uma rede de pesquisa estratégica com mais de 90 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), distribuídos por todas as regiões do País. Os projetos foram selecionados no edital do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia do MCT/CNPq/FAPESP em São Paulo, no valor total de R$ 520 milhões.

 

Os 35 projetos serão financiados, meio a meio, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), num total de R$ 187 milhões.

O Estado de São Paulo vai sediar 35 institutos, entre eles o Instituto Nacional de Biotecnologia para o Bioetanol, coordenado por Marcos Silveira Buckeridge, professor e pesquisador do Instituto de Biociências da USP, e coordenador também de seminários sobre bioetanol celulósico do Programa Bioen da FAPESP.

O biólogo Marcos Buckeridge, da Universidade de São Paulo (USP), vai coordenar o INCT de Biotecnologia para o Bioetanol, que integrará 27 laboratórios em seis Estados.  O projeto receberá R$ 7 milhões em três anos para desenvolver o conhecimento básico necessário à produção de etanol de celulose, aproveitando o bagaço de cana como matéria-prima. “A idéia é congregar o máximo possível de experiência. Vamos produzir ciência básica, ou quase aplicada, que possa ser útil ao setor produtivo”, disse Buckeridge. Entre os desafios está entender a estrutura da parede celular da cana (para liberar os açúcares que estão lá dentro) e prospectar fungos capazes de fermentar esse açúcares com eficiência.

Temas específicos

Cada instituto trabalhará com um tema específico.  Outras instituições paulistas contempladas pelo edital tratarão de temas relacionados com agricultura, meio ambiente e clima:

> Programa de Mudanças Climáticas
Coordenador: Carlos Afonso Nobre, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

> Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental
Coordenador: Paulo Hilário Nascimento Saldiva, Depto de Patologia da Faculdade de Medicina da USP

> Controle Biorracional de Insetos Pragas

 

Coordenadora: Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, Departamento de Química, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

“O programa vai criar uma articulação nacional de pesquisadores”, afirma o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz. “Foi uma iniciativa muito positiva do CNPq, e a Fapesp se engajou oferecendo recursos para aumentar o número de institutos que poderiam ser aprovados no Estado.”

A previsão inicial do programa para todo o País - quando o edital foi aberto pelo CNPq em agosto - era investir R$ 435 milhões em 60 institutos. O orçamento era formado por recursos do governo federal e das fundações de amparo à pesquisa (FAPs) de São Paulo, Minas e Rio.

Desde então, recursos adicionais do Ministério da Saúde e das FAPs do Amazonas, Pará e Santa Catarina permitiram aumentar o volume de investimentos para R$ 520 milhões e o número de projetos aprovados, para mais de 90. A Fapesp também aumentou sua contribuição de R$ 75 milhões para R$ 93 milhões - com um aumento proporcional do CNPq.

O edital foi o maior da história da ciência e tecnologia no Brasil. O processo de seleção foi rigoroso, e incluiu a avaliação de especialistas estrangeiros.

 

 

O objetivo do programa é agregar esforços e fortalecer a pesquisa em áreas consideradas estratégicas, como biotecnologia, nanotecnologia, biocombustíveis, agronegócio, biodiversidade, mudanças climáticas, energia, saúde e educação. Os projetos não prevêem a construção de edifícios.

As propostas foram selecionadas em âmbito internacional, e avaliadas por pesquisadores ad hoc especializados em cada uma das áreas de pesquisa dos projetos contemplados.

Os novos institutos deverão ocupar posição estratégica no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, tanto pela sua característica de ter um foco temático em uma área de conhecimento, para desenvolvimento a longo prazo, como pela complexidade maior de sua organização e porte do financiamento.

 

Os novos institutos serão semi-virtuais - funcionarão dentro de laboratórios já existentes, distribuídos em várias instituições, sob a coordenação de um pesquisador responsável numa instituição-sede.  Cada instituto terá uma entidade sede e uma rede de grupos de pesquisa organizados regional ou nacionalmente.

 

Os institutos selecionados estimularão a produção científica paulista e brasileira, o desenvolvimento de aplicações e a formação de estudantes. Como característica especial, ao lado da excelência, está a colaboração científica entre grupos de pesquisa de várias regiões do país.

 

O desempenho de cada instituto constituído no âmbito deste programa será acompanhado pelo CNPq e pelo Comitê de Coordenação, no qual o representante da FAPESP é Brito Cruz. A avaliação do programa será feita pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

 

 

 

 

 

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

A Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo acaba de lançar o livro Bioenergia no Estado de São Paulo, que detalha a situação atual, perspectivas, barreiras e oportunidades geradas pela bioenergia na região.

A publicação, que pode ser consultada gratuitamente na internet, aborda o histórico da produção de bioenergia no estado e a importância de São Paulo no setor, que é responsável por 60% da produção de etanol no Brasil, além dos benefícios ambientais, vantagens econômicas e as ações promovidas pelo governo para o incremento da produção.

O conteúdo da publicação teve origem em seminários técnicos conduzidos pela Comissão de Bioenergia do Estado de São Paulo.
Ao todo foram oito seminários que contaram com mais de 500 participantes, nos quais foram debatidos 14 temas de referência previamente preparados por especialistas.

Segundo Alberto Goldman, vice-governador e secretário de Desenvolvimento, com a recente expansão do uso do etanol no mundo como combustível mais limpo do que a gasolina, a cultura da cana-de-açúcar em São Paulo está crescendo rapidamente: o aumento de produtividade na produção de etanol (em litros por hectare) tem sido superior a 3% ao ano nos últimos 30 anos.

“O que o governo do Estado deseja é que essa produtividade continue a aumentar e que a expansão seja feita de forma pouco agressiva, tanto do ponto de vista social como ambiental”, destacou no prefácio da obra, que tem tiragem de 2 mil cópias em língua portuguesa e 500 em inglês.

O livro foi organizado pelo coordenador da Comissão de Bioenergia do Estado de São Paulo e presidente consultivo do Centro Nacional de Referência em Biomassa, José Goldemberg, em parceria com o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Francisco Nigro, e com a secretária executiva do Centro Nacional de Referência em Biomassa, Suani Coelho.

Informações: www.desenvolvimento.sp.gov.br

 

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

Para integrar a Amazônia como uma entidade viva é preciso integrar os estudos realizados no bioma. Por isso, segundo Rita Mesquita, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenadora da Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, é fundamental articular a pesquisa realizada nos três grandes programas que estudam o bioma.

O encontro, encerrado em 20/11/2008, reuniu em Manaus mais de mil pesquisadores do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), da Rede Temática em Modelagem Ambiental da Amazônia (Geoma) e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).

“O evento foi uma tentativa de integrar os três programas a partir do intercâmbio de resultados. Isso é fundamental, porque se vamos integrar a Amazônia como entidade viva, precisamos articular esses estudos”, disse Rita.

Segundo a pesquisadora, que faz parte do comitê organizador do LBA, os cientistas perceberam a necessidade de criar um espaço público no qual os estudos de diversos enfoques disciplinares possam se integrar.

“Não é possível entender os ciclos, processos e fenômenos biológicos sem entender a biodiversidade, que, por sua vez, tem um papel crítico na formação de nuvens, na reciclagem de nutrientes, na decomposição e assim por diante. Essa visão de múltiplos enfoques é necessária porque a Amazônia é um grande sistema integrado”, disse.

Segundo ela, a expectativa é que a reunião, que por quatro dias levou a Manaus pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa de diversos países, possibilite a formação de novas parcerias.

“Esperamos que os cientistas aproveitem a oportunidade para realizar novas parcerias de estudos. E seria melhor ainda se esse espaço público gerasse novos programas, com novas perguntas científicas, que permitam o trabalho conjunto de físicos, geógrafos, modeladores e biólogos”, indicou.

Outro objetivo, de acordo com a pesquisadora, é criar espaços onde os cientistas possam ser ouvidos pelos formuladores de políticas públicas e possam entender a demanda de conhecimento desse últimos. “Isso é um grande desafio. Esse espaço ainda não existe em em nenhum dos três programas”, disse.

O LBA produziu diversos avanços no conhecimento sobre os ciclos biogeoquímicos e sobre os padrões de uso da terra. O programa agora está iniciando sua segunda fase.

“Esperamos que, a partir de agora, o LBA passe a se preocupar mais com a transformação desse conhecimento em políticas públicas. Para isso, vamos procurar integrar os pesquisadores atuais com cientistas sociais e formuladores de políticas públicas, aplicando o conhecimento da ciência básica”, disse.

Segundo Rita, o programa também agregará um grupo maior de biólogos. “Ainda há muita ciência básica a ser feita, mas ela precisa ampliar seu escopo. Queremos ampliar nossa base de conhecimento sobre fatores socioeconômicos e legais, além de tratar mais profundamente de políticas públicas e dos impactos desses fatores sobre os processos ambientais que estão acontecendo na Amazônia. Entendemos que muitas dessas políticas e vetores socioeconômicos são os responsáveis pelas mudanças na dinâmica de uso da terra que temos registrado”, disse.

Fonte: Agência FAPESP – Fábio de Castro

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

O Brasil é um dos países mais avançados em tecnologia e produtividade em todas as etapas da cadeia de produção de etanol de cana-de-açúcar.
A experiência brasileira demonstra que o bioetanol da cana tornou-se a resposta mais adequada para a crescente necessidade de ampliar, de modo sustentável, o uso de fontes renováveis de energia e de proporcionar mais segurança ao suprimento energético, reduzindo impactos ambientais.
Compartilhar essa experiência e as lições dela derivadas com o resto do mundo - especialmente países em desenvolvimento situados em zonas tropicais e subtropicais - foi a principal motivação para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encomendasse ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) a elaboração do livro Bioetanol de cana-de-açúcar - Energia para o. A íntegra do trabalho está disponível no site desenvolvimen to sustentável www.bioetanoldecana.org

Interesse similar motivou a Comissão Econômica para a América Latinae o Caribe (Cepal) e o Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe a colaborarem com a iniciativa.
O livro, elaborado pelo professor Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com base em pesquisas realizadas por cerca de 30 especialistas, tem como principal objetivo desenvolver um trabalho científico para subsidiar o diálogo internacional visando à construção de um mercado mundial de etanol.
O trabalho, o primeiro que consolida os diversos aspectos do setor, com capítulos inéditos na literatura sobre o assunt o (por exemplo, o segundo sobre o bioetanol como combustível e o oitavo, a respeito de um mercado global para o bioetanol), traça um panorama da produção do etanol de cana-deaçúcar no Brasil e no mundo, além de apresentar o etanol como commodity energética e o Brasil como principal fornecedor de produtos e de soluções para o setor.
O texto servirá de base para um diálogo sobre o potencial e as limitações da produção de etanol de cana-de-açúcar em condições adequadas, especialmente em países tropicais e subtropicais.
Os autores levaram em conta a preocupação com a análise das políticas atuais de apoio ao desenvolvimento de biocombustíveis, por meio de uma análise cuidadosa de seus impactos em termos de mudança de uso da terra, padrões de investimento, emissões de gases de efeito estufa, fluxos de comércio e segurança alimentar.

Entre as principais conclusões, estão as seguintes:
- A cana-de-açúcar representa a segunda mais importante fonte primária e a principal forma de energia renovável na matriz energética brasileira, por meio do bioetanol e da bioeletricidade (energia gerada do bagaço da cana).

- Existem claras vantagens da cana sobre outras matérias-primas na produção de etanol. Do ponto de vista energético, ela rende até sete vezes mais que o milho como matéria-prima.

- O aumento na demanda de cana-de-açúcar para produzir biocombustíveis não tem impacto sobre o preço dos alimentos. Tanto em termos energéticos como dos efeitos sobre a segurança alimentar, a produção de bioetanol de cana é superior a outras alternativas apresentadas.

- A produção de bioetanol de cana-de-açúcar pouco afeta a produção de alimentos porque seu cultivo ocupa área reduzida em relação à terra cultivada para alimentos. No mundo, para produzir cerca de 50 bilhões de litros por ano, são usados 15 milhões de hectares de área. Ou seja, 1% da área em uso pela agricultura no mundo, que é de 1,5 bilhão de hectares.

- O bioetanol de cana-de-açúcar, produzido nas condições brasileiras, é competitivo com o petróleo ao redor de US$ 50 o barril, abaixo dos níveis atuais. A tecnologia empregada para sua produção está aberta e disponível.

- A produção de bioetanol de cana-de-açúcar não implica desmatamento. A expansão da lavoura canavieira tem ocorrido basicamente em áreas antes ocupadas por pastagens de baixa produtividade ou culturas destinadas à exportação, como a soja.

- Os impactos ambientais associados à produção de bioetanol de cana-de-açúcar foram efetivamente atenuados e são inferiores à maioria de outras culturas agrícolas.

- O uso do etanol de cana-de-açúcar permite reduzir em 89% as emissões de gases de efeito estufa, contribuindo de modo efetivo para mitigar as mudanças climáticas. O uso do milho como matéria-prima possibilita redução de até 38%; do trigo, de 19% a 47%; da beterraba, de 35% a 56%; e o uso da mandioca pode reduzir em 63% as emissões de gases de efeito estufa.

- Nas condições atuais, para cada milhão de metros cúbicos de bioetanol de cana-de-açúcar empregado em mistura com gasolina, cerca de 1,9 milhão de toneladas de CO2 deixam de ser emitidos para a atmosfera.

- O bioetanol pode ser utilizado em motores, puro ou em misturas com a gasolina, com bom desempenho, empregando o mesmo sistema de distribuição e armazenamento da gasolina.


O bioetanol de cana-de-açúcar - a experiência brasileira

Petróleo, gás natural e seus derivados representam 55% do consumo mundial de energia. As reservas mundiais, no entanto, não vão durar mais do que algumas décadas. Logo, a segurança de abastecimento é problemática para muitos países. Além disso, os combustíveis fósseis são a principal fonte dos gases que estão provocando mudanças climáticas e o aquecimento global.

O bioetanol surge como substituto natural da gasolina. No Brasil, o etanol produzido da cana-de-açúcar substitui, atualmente, metade da gasolina que seria consumida. Embora sua produção não seja subsidiada, seu custo é competitivo.

O agronegócio da cana-de-açúcar, que engloba a produção de cana, açúcar e bioetanol, movimentou em 2007 cerca de R$ 41 bilhões no Brasil.

Foram produzidos 30 milhões de toneladas de açúcar e 17,5 bilhões de litros de bioetanol. As exportações somaram 19 milhões de toneladas de açúcar (R$ 7 bilhões) e 3 bilhões de litros de bioetanol (US$ 1,5 bilhão), representando 2,65% do PIB nacional. Além disso, foram recolhidos R$ 12 bilhões em impostos e taxas e investidos R$ 5 bilhões em novas unidades agroindustriais.

A expansão da produção de bioetanol e açúcar nas últimas décadas ocorreu não apenas com o aumento da área cultivada, mas também por meio de expressivos ganhos de produtividade nas fases agrícola e industrial, com aumentos anuais de 1,4% e 1,6%, respectivamente. O processo resultou em crescimento anual de 3,1% na produção de bioetanol por hectare cultivado, ao longo de 32 anos.

Graças aos ganhos de produtividade, a área atualmente dedicada à cultura da cana para produção de bioetanol (cerca de 3,5 milhões de hectares) representa 38% da terra que seria necessária no início do Proálcool, em 1975, para manter a produção e a produtividade atual. Esse notável ganho de produtividade, que multiplicou por 2,6 o volume de bioetanol por área cultivada, foi obtido pela contínua incorporação de novas tecnologias.

O sucesso dos carros bicombustíveis no Brasil, que utilizam álcool e gasolina, levou a produção de cana a sair de 88,92 milhões de toneladas na safra 1975/1976 para 489,18 milhões de toneladas na safra 2007/2008. A produção de etanol subiu de 0,6 milhão de metros cúbicos/dia para 22,24 milhões de metros cúbicos/dia, no mesmo período.

Apesar da expansão, a cultura da cana ocupa cerca de 9% da superfície agrícola do país, o terceiro cultivo mais importante em superfície ocupada, depois da soja e do milho. Em 2006, a área colhida foi de 6,12 milhões de hectares, para uma área plantada de mais de 7,04 milhões de hectares e produção total de 457,98 milhões de toneladas.

Atualmente, há no Brasil mais de 330 usinas, com capacidade entre 600 mil e 7 milhões de toneladas de cana processada por ano. As dez maiores respondem por 15% do total da matéria-prima processada, enquanto as 182 menores processam metade da cana, sinalizando baixa concentração econômica.

Um aspecto relevante associado ao recente crescimento da produção sucroalcooleira é a significativa diversificação da composição e da origem do capital na agroindústria. Originalmente baseado em empresas familiares, o setor passou a contar com um número crescente de usinas controladas por grupos empresariais brasileiros e estrangeiros.

Sustentabilidade

- O livro traz um capítulo que apresenta a produção de cana-de-açúcar sob o prisma da sustentabilidade, definida como a possibilidade de os sistemas bioenergéticos manterem sua produção no longo prazo. Sob esse aspecto, é possível mostrar como a agroindústria canavieira no Brasil tem evoluído positivamente.

As emissões de gases de efeito estufa são mitigadas pela produção e uso do bioetanol e do bagaço, substituindo combustíveis fósseis. Além disso, as emissões associadas à queima na pré-colheita da cana vêm caindo em função do aumento da colheita mecanizada.

Os canaviais destinados à produção de combustíveis, no Brasil, correspondem a uma parcela reduzida da área agrícola e do território do país, não implicando desmatamento. Um instrumento importante para o ordenamento da expansão da agroindústria do bioetanol no Brasil é o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, desenvolvido pelo governo federal com base em informações de mapas de solo, de clima e de áreas de reserva ambiental.

O estudo define áreas e regiões para as quais não se recomenda essa cultura em grande escala, podendo ser utilizado como instrumento norteador de políticas de financiamento e investimentos em infra-estrutura. Segundo esse levantamento, a área disponível e com aptidão para a cultura da cana, sem considerar o uso da irrigação, supera 110 milhões de hectares.

Com referência à sustentabilidade econômica, o bioetanol de cana-de-açúcar mostra-se competitivo frente aos combustíveis convencionais em termos de preços internacionais ao produtor nos mercados livres, bem como nos preços finais para o consumidor, nas condições praticadas no Brasil. O custo final do bioetanol de cana-de-açúcar situa-se entre US$ 0,35 e US$ 0,40 por litro de bioetanol, significativamente inferior aos valores correspondentes ao petróleo entre US$ 50 e US$ 57 o barril equivalente. As usinas em implantação nas novas fronteiras produtoras deverão apresentar custos ainda inferiores, em função dos investimentos em logística das novas unidades.

A continuidade do crescimento da produtividade agrícola e industrial tende a estabilizar ou mesmo reduzir os custos de produção do bioetanol de cana-de-açúcar em termos relativos.


Geração de emprego

- A sustentabilidade da produção de bioetanol de cana-de-açúcar também se revela na geração de empregos. Em 2005, havia 982 mil trabalhadores diretos e formais envolvidos com a produção sucroalcooleira e 4,1 milhões de pessoas dependentes, de algum modo, da atividade da agroindústria da cana.

Em relação à qualidade dos empregos, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) sinalizaram melhorias importantes em diversos indicadores socioeconômicos, como maior grau de formalização, crescimento dos rendimentos e auxílios recebidos pelos empregados, redução expressiva do trabalho infantil e elevação da escolaridade.
É importante frisar, contudo, que o trabalho na produção de bioetanol é geralmente pesado e compete ao Estado a permanente fiscalização da estrita observância da legislação trabalhista, fator essencial para coibir distorções e promover o progresso das relações de trabalho nesse setor.

Mesmo com a progressiva adoção de tecnologias de alta produtividade, como a colheita mecanizada, a produção de bioetanol permanece uma grande geradora de empregos, cada vez de maior qualidade, com correspondente elevação dos requisitos de capacitação e da remuneração média. As estimativas são de que, para cada milhão de metros cúbicos de bioetanol de capacidade anual de produção, são investidos R$ 119 milhões.

Etanol e energia elétrica
A
agroindústria canavieira, utilizava o bagaço como combustível em sistemas de co-geração, e a produção se limitava a atender à demanda da usina. Os novos investimentos passaram a gerar excedentes para a rede pública, com crescente importância econômica, contribuindo para a oferta de eletricidade em muitos países, como o Brasil.

- A bioeletricidade, produzida há décadas na

Nos anos 1980, as caldeiras permitiam produzir excedentes da ordem de 10 kWh/tc (tonelada de cana processada). Hoje, a energia gerada na maioria das usinas atinge cerca de 28 kWh/tc e chega a 72 kWh/tc nas unidades mais modernas.
Com a utilização de parte da cana colhida e aperfeiçoamento no processo industrial, os excedentes de energia elétrica poderão atingir mais de 150 kWh/tc.

No início de 2008, a capacidade instalada nas usinas de açúcar e bioetanol no Brasil era de 3,1 GW, energia equivalente à capacidade instalada da Usina de Itaipu. Há perspectivas de que a geração para a rede pública com base no bagaço alcance 15 GW até 2015, ou 15% da atual potência instalada nas centrais elétricas brasileiras.

A produção de energia elétrica utilizando bagaço é elegível para a obtenção de créditos de carbono, nos termos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, como estabelecido pelo Protocolo de Quioto.

Alimentos versus bioenergia

 

A base de recursos naturais disponíveis no planeta é suficiente para a produção bioenergética sustentável em volumes razoáveis. Isso, desde que sejam utilizadas tecnologias racionais, como o bioetanol de cana-de-açúcar.

Por seus indicadores diferenciados de produtividade, o cultivo de cana para produção de combustíveis dificilmente pode ser associado a uma crise de oferta e de preços dos alimentos. Os autores consideram importante destacar que os impactos dos biocombustíveis são diferentes segundo sua origem.
A produção de biocombustíveis mediante processos de baixa produtividade, como nos Estados Unidos e Europa, apresenta limites evidentes, diretamente relacionados com a produção de alimentos. Tal realidade abre uma janela de oportunidades para a produção racional e sustentável de biocombustíveis.

A produção de etanol nos Estados Unidos, baseada majoritariamente no milho, utiliza energia proveniente, em grande medida, do carvão. Pode-se dizer que o etanol do milho é, na realidade, carvão convertido em etanol. Já no Brasil, ao contrário, o etanol é produzido quase inteiramente com base na energia solar. Ou seja, a efetiva redução das emissões de gases do efeito estufa ocorre na produção de bioetanol da cana-de-açúcar, o que não acontece no caso do milho. A utilização da energia da cana no Brasil reduziu em 13% as emissões de carbono de todo o setor energético.

A expansão da cultura da cana-de-açúcar e do milho envolve mudanças no uso do solo, o que pode implicar a emissão de gases de efeito estufa se a expansão resultar em desmatamento, o que não é o caso do Brasil, onde a expansão está ocorrendo em pastagens.

Na Europa Ocidental, o etanol produzido do trigo e da beterraba também é utilizado. Nesses países, o custo do combustível é duas a quatro vezes mais elevado do que no Brasil, e subsídios internos e barreiras alfandegárias protegem a indústria local, impedindo a importação de etanol do Brasil.
Isso tem criado resistências de grupos que associam o etanol a um falso dilema, que é o da produção de alimento versus combustíveis.

O livro alerta para o efeito das práticas protecionistas dos países industrializados sobre os preços dos alimentos, com sérias implicações, em pelo menos duas vertentes: a manutenção de preços de proteção para agricultores desses países, com barreiras tarifárias que dificultam o acesso de produtos agrícolas dos países em desenvolvimento aos mercados industrializados; e a queda de preços, provocada pelos excedentes da produção subsidiada, que desequilibram o mercado mundial de bens agrícolas, desestruturando a produção de alimentos na maioria dos países de menor renda.

Atualmente, apenas cerca de 1% das terras aráveis do mundo é utilizado para a produção de biocombustíveis líquidos, com perspectivas de atingir 3% a 4% em 2030. Os números demonstram que, estruturalmente, não são as limitações de área cultivável que atentam contra a segurança alimentar e restringem as possibilidades de produção de biocombustíveis.

Da mesma forma, de acordo com o livro, a crise atual no mercado de produtos alimentares não é uma crise de insuficiência na produção de alimentos. A produção mundial de alimentos tem crescido de forma sistemática e sua oferta por pessoa aumentou 24% nos últimos 40 anos, passando de 2.360 para 2.803 calorias diárias per capita. No mesmo período, a população evoluiu de 3 bilhões para 6 bilhões de pessoas. A cana-de-açúcar é um dos cultivos de maior importância em todo o mundo, ocupando mais de 20 milhões de hectares, nos quais foram produzidos cerca de 1,3 bilhão de toneladas em 2006/2007.O Brasil se destaca nas estatísticas com área plantada de cerca de 7 milhões de hectares, respondendo por cerca de 42% do total produzido.

 

 

A outra matéria-prima importante para a produção de bioetanol, o milho, é cultivada em todos os continentes e ocupa aproximadamente 147 milhões de hectares, nos quais foram produzidos cerca de 725 milhões de toneladas em 2004. Em 2006, a produção americana foi superior a 267 milhões de toneladas de grãos, para uma área colhida de pouco mais de 28 milhões de hectares, destinando quase 20% da produção para a fabricação de bioetanol.Perspectivas para um mercado mundial de biocombustíveis

 

 


Para 2010, projeta-se uma demanda global de 101 bilhões de litros, frente a uma oferta estimada em 88 bilhões de litros, quadro que tende ao equilíbrio em 2015,
quando a oferta deverá situar-se próxima a 162 bilhões de litros, para uma demanda no patamar de 150 bilhões de litros, distribuindo-se entre as regiões de modo heterogêneo.

Como condição fundamental para que se desenvolvam nos próximos anos os potenciais de produção e o mercado global de bioetanol, políticas voltadas para a promoção dos biocombustíveis têm sido propostas e implementadas em diversos países. Uma análise dessas políticas mostra que elevar a segurança energética e mitigar mudanças climáticas estão entre os mais importantes fatores de motivação para programas bioenergéticos na maioria dos países.


O futuro do bioetanol combustível


A bioenergia representa uma das melhores alternativas para captar e armazenar a energia solar, um dos poucos recursos naturais subutilizados pela humanidade, sempre que se disponha de terras livres, clima adequado e conhecimento.
É capaz de atender às urgentes demandas para redução das emissões de gases de efeito estufa, melhorar a qualidade do ar nas metrópoles e competir em preço com as energias convencionais.

Além disso, essa rota pode proporcionar uma nova dinâmica agroindustrial para os países tropicais com disponibilidade de terras e disposição para superar problemas ambientais na área de energia, trazendo novas perspectivas de crescimento econômico.

A experiência brasileira nesse campo pode e deve ser uma referência. Diversos países têm buscado reduzir sua dependência energética, diminuir suas emissões de carbono e melhorar a qualidade do ar de suas cidades. No entanto, ainda não incluíram a utilização do bioetanol de cana-de-açúcar entre suas alternativas, erigindo barreiras que protegem rotas pouco eficientes e não-sustentáveis.


Novos usos


- Um extenso campo de aplicações para a cana-de-açúcar e
para o bioetanol, em especial, é a produção de polímeros diversos, seja como insumo para a indústria petroquímica convencional ou da chamada etanolquímica. A nova tecnologia permitirá o uso de processos mais avançados, como a fabricação de plásticos biodegradáveis, atualmente em desenvolvimento no Brasil.

As usinas de açúcar e bioetanol se configuram cada vez mais no contexto das chamadas biorrefinarias, semelhantes às atuais refinarias da indústria do petróleo, mas em novas bases, renováveis e ambientalmente mais saudáveis.

A agroindústria da cana-de-açúcar ainda apresenta grandes possibilidades de diversificação de seus produtos e incremento das disponibilidades energéticas, seja caminhando-se em direção às biorrefinarias, complexos produtivos capazes de fornecer bioenergia e biomateriais diversos, seja reforçando a base de recursos genéticos, inclusive com estudos ao nível do processo fotossintético. A agroindústria da cana-de-açúcar está apenas começando a mostrar suas possibilidades.

O modelo brasileiro, aperfeiçoado por décadas e com possibilidades de se expandir com produtividade e eficiência, está à disposição dos países que buscam reduzir competitivamente suas emissões de gases de efeito estufa e diversificar suas fontes de suprimento energético.

quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

Ainda é precipitado afirmar que o biodiesel é um combustível mais limpo que o petrodiesel (diesel combustível).
“Nas condições brasileiras, o biodiesel é considerado menos poluente em alguns aspectos, e em outros mais. O metanol utilizado como reagente para sua produção pode ser um problema, pois utiliza o gás natural como matéria-prima, que é um combustível não-renovável”, revela o engenheiro químico André Moreira de Camargo.
Na Escola Politécnica da USP, o engenheiro fez um inventário do ciclo de vida do metanol, álcool usado como reagente no processo de produção do biodiesel.
A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta de gestão ambiental utilizada para determinar o impacto de determinado produto ou processo. A metodologia permite mapear o produto “do berço até o túmulo”, calculando todo gasto de energia e poluição gerada desde a extração e processamento, passando pelo seu transporte, uso e destino final.
O estudo de Camargo é o primeiro a fazer esta análise sobre o ciclo de vida do metanol considerando as condições brasileiras. “Para realizar a ACV é necessário se ater às condições específicas do local onde o produto é feito, transportado e utilizado. No Brasil, por exemplo, a malha de transporte é basicamente rodoviária, então isto tem de ser levado em consideração nos cálculos de energia gasta e na poluição gerada quando utilizamos este meio de transporte”, esclarece o pesquisador.
O inventário feito pelo pesquisador representa um primeiro passo para esclarecer esses pontos, mas ele ressalta que ainda é preciso fazer uma comparação do metanol com o mesmo tipo de estudo sobre o ciclo de vida do etanol nas condições apresentadas no Brasil, já que estudos feitos em outros países não traduzem corretamente a carga ambiental do combustível: matriz energética, condições de extração e transporte e a própria matéria-prima do etanol podem variar.
Além disso, mesmo o ACV do metanol pode ser aperfeiçoado, modificando-se e ampliando-se o escopo contemplado nos cálculos.
“O escopo corresponde aos fatores levados em consideração nos cálculos. Ele varia conforme o objetivo do estudo e as hipóteses consideradas pelo pesquisador, que deve utilizar seu bom senso. Devo avaliar se é importante incluir o impacto ambiental da produção do parafuso usado no equipamento de extração do gás, por exemplo, sempre lembrando que quanto mais extenso for este escopo, mais complexa ficará a ACV, e mais tempo levará para ser feita”, explica.A ACV no Brasil
Avaliação do Ciclo de Vida é regulamentada por uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABTN) com o número NBR14040, derivada do ISO 1400, que especifica normas e metodologias de gestão ambiental. Apesar de a base de dados de ACV no Brasil ainda ser pequena, a tendência é que iniciativa privada e governo adotem cada vez mais esta metodologia, como têm feito algumas empresas. No âmbito da universidade, equipes como o Grupo de Prevenção da Poluição (GP2) da Poli estão se propondo a expandir esta base.
“A ACV é uma ferramenta que permite comparar produtos e serviços do ponto de vista ambiental, e estes estudos sempre podem ser ampliados e aperfeiçoados. Além disso, ela permite que se identifiquem os chamados ‘gargalos de processos’, indicando o que é preciso mudar para diminuir o impacto ambiental, seja com investimento em novas tecnologias ou mudanças na fonte energética usada”, destaca o engenheiro.

 

Fonte: Agência USP de Notícias

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quinta-feira, novembro 27th, 2008 | Author: admin

Parliamentarians of 16 countries agreed to ask for the universalization of biofuels. And also to work for the “isonomy” between biofuels and fossil fuels, regarding the liberalization of the international trade. These two decisions are part of the document  Letter of São Paulo, containing 12 commitments. The document was approved during the seminar “Parliaments and Biofuels” (November, 19th), as part of the International Conference on Biofuels as a Driving Force of Sustainable Development held in November, 17 to 19, in the city of S. Paulo.

Other commitments from this document are:

·        promoting dialogue inside the parliaments to solve problems related to energy and environment,

·        stimulating the use of biomass as a source of energy,

·        and to strengthen the policies of sustainable development, with the increase in the use of biofuels.

·        creating policies to reduce the emission of greenhouse gases, “respecting the economic and social differences in each country”,

·        and creating a permanent international parliamentary forum to discuss policies for biofuels and sustainable development, with the organization of annual meetings.

Improved biofuel regulation

Brazilian Senator João Tenório (PSDB-AL), who presided over the seminar  “Parliaments and Biofuels”, denied that biofuels would be responsible for the recent rise in food prices registered all over the world. He observed that the area dedicated to food production is one of 1.2 billion hectares, while biofuels occupy no more than 10 million hectares.

By creating and perfecting regulation, representatives may foster, in many parts of the world, the use and commerce of biofuels, said Senator Tenório.  “An adequate regulation might “prevent damages to the environment”, he added.

Tenório said that he understands the fear of Europeans towards the production of biofuel. Europeans, he said, went through two world wars and, according to him, know the value of food security. However, he argued that Brazil and other countries from South America, Asia and Africa live different realities: they have an abundance of lands to produce biofuel without affecting food production. 

“To defend biofuels is to defend clean and renewable energy that will free us from oil dependency. In fact, it is even more: it is a project that will help fighting starvation and poverty, generating jobs and income in poverty-stricken regions, like Africa. It is also an option for a more democratic energy production, something that oil could not give us”, said Tenório, who is president of the Permanent Subcommittee on Biofuels, a branch of the Committee on Agriculture and Land Reform in Brazilian Senate.Biofuels are here to stay”, said  Brazilian Senator Eduardo Azeredo (PSDB-MG),  also representing the president of the Senate, Garibaldi Alves Filho.

 

 

Azeredo added that the financial crisis and the reduction in commodities prices in the international market would not affect the viability of producing alternative fuels.When this seminar was idealized, he reminded, the price of oil peeked to
US$ 150 per barrel. Now, oil only costs US$ 50, and the prices of agricultural commodities also fell.  With this in mind, affirmed Azeredo, the argument according to which biofuels would be responsible for the previous increase in food prices has proved to be “a fallacy”.

 

 

Biodiesel production, he added, has “undeniable social effects.” By adding 2% of biodiesel to the diesel of mineral origin, he informed, 200 thousand jobs will be created in Brazil.

The Amazon rain forest, with its moist weather conditions, does not represent a good alternative to the production of ethanol from sugarcane. Therefore, he observed, the argument that the production of ethanol in the country would be supported by the destruction of the forest is false.

Our discussions should go beyond the simple economic viability, because energy and environmental are more urgent issues”, emphasized Azeredo. “With or without crisis, the reduction in carbon emission must be a priority.”

Brazilian Senators Cícero Lucena, Neuto de Conto, João Pedro and Jefferson Praia have also participated in the event, along with representatives from Germany, Angola, Belgium, Bulgaria, China, Congo, Filipines, Ghana, Greece, Mexico, Portugal, United Kingdon, Sudan, Sweden and Zambia.

In a speech through videoconferencing, the American deputy Elliot Engel said he is optimistic about biofuel policies to be adopted by president elect Barack Obama.  According to Engel, the reduction in oil prices in the last weeks should not be considered a reason to return to the “old bad habits.” On the contrary, he suggested, the search for alternatives to replace oil must continue.  Engel believes that Brazil realized the importance of being energy independent earlier than other countries.

 

terça-feira, novembro 18th, 2008 | Author: admin

The first plenary session from the 1st International Biofuel Conference, which started yesterday (Nov 17th, 2008), in São Paulo, discussed a sensible subject to most of the countries: the energy security issue, which, according to the debate’s moderator Márcio Zimmermann (executive secretary from Mine and Energy Ministry), “it’s the fundamental key of people’s life model”.
In case of Brazil, which adopts Ethanol since the 1970’s, the biofuel usage came from the oil crisis, becoming a risk reducer on energy safety.
Today, according to Zimmermann, Ethanol corresponds to 16% of all energy produced in Brazil, becoming the second most important item from the energy source, staying behind only from the oil by-products (37%) and ahead from the other renewable sources (with 15%) and charcoal (12%).
The event had participating, as reporter, Paul Roberts, expert in energy and food; and the debaters Alan Kardec Pinto, Petrobrás’ Biofuel president; Christoph Berg, CEO from F.O. Licht; Ibrahim Assane Mayaki, CEO from NGO HUBRural; embassor Richard Jones, adjunct executive director from International Energy Agency – AIE; and Richard Murphy; expert in Bioenergy and Phytotechny Professor from London Imperial College.

Segurança Energética é fundamental para os países

A primeira sessão plenária da 1ª Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que teve início ontem (17.11.08), em São Paulo, debateu um tema sensível para a maioria dos países: a questão da segurança energética, que, segundo o moderador Márcio Zimmermann (secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia), “é peça fundamental do padrão de vida de um povo”.
No caso do Brasil, que adota o etanol desde os anos 1970, o uso do biocombustível surgiu a partir da crise do petróleo, tornando-se um redutor de risco na segurança energética.
Hoje, de acordo com Zimmermann, o etanol responde por 16% de toda a energia gerada no Brasil, tornando-se o segundo item mais importante da matriz energética, ficando atrás somente dos derivados de petróleo (37%), e à frente de outras fontes renováveis (com 15%) e carvão vegetal (12%).
O evento contou com a participação, como relator, de Paul Roberts, especialista em energia e alimentos; e os debatedores Alan Kardec Pinto, presidente da Petrobras Biocombustíveis; Christoph Berg, diretor-geral da F.O. Licht; Ibrahim Assane Mayaki, diretor-executivo da ONG HUBRural; embaixador Richard Jones, diretor-executivo adjunto da Agência Internacional de Energia – AIE; e Richard Murphy; especialista em Bioenergia e Professor de Fitotecnia do Imperial College de Londres.